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“Boné” de combate à calvície vai ser testado em humanos

Cientista da Universidade de Wisconsin relata como conseguiu resultados promissores com cobaias

O PROFESSOR DE ENGENHARIA DE MATERIAIS XUDONG WANG (À ESQ.) AFIRMA QUERER LEVAR SEUS NANOGERADORES (INSTALADOS NO BONÉ) AO MERCADO ASSIM QUE POSSÍVEL (FOTO: DIVULGAÇÃO UW MADISON_SAM MILLION WEAVER)

Um boné capaz de combater calvície soa como a mais picareta das picaretagens. Mas Xudong Wang, professor de engenharia de materiais na Universidade de Wisconsin, leva sua invenção muito a sério, publicou um artigo científico explicando a novidade e já conseguiu patenteá-la.

O cientista trabalha com dispositivos vestíveis que funcionam a partir da energia gerada por movimentos naturais do corpo humano. A mais recente aplicação ganhou a forma de pequenos retângulos de polímero – são nanogeradores, capazes de converter movimento em eletricidade.

Cada dispositivo é macio, maleável, tem grossura de 1 a 2 milímetros e pode facilmente ser instalado no interior de qualquer tipo de chapéu. Não contém baterias nem componentes eletrônicos. Em funcionamento, envia à pele pulsos de energia de baixa frequência. A emissão elétrica não é sentida pelo usuário mas, de acordo com o pesquisador, estimula os folículos capilares.

dispositivo indutor de crescimento de cabelo criado por Xudong Wang na Universidade de Wisconsin (Foto: Divulgação UW Madison_Alex Holloway)

OS NANOGERADORES CRIADOS NA UNIVERSIDADE DE WISCONSIN TÊM ATÉ 2 MM DE ESPESSURA E CONVERTEM MOVIMENTO EM ELETRICIDADE (FOTO: DIVULGAÇÃO UW MADISON_ALEX HOLLOWAY)

De acordo com a descrição de Xudong, testes feitos ao longo de quatro semanas com 12 ratos resultaram em crescimento acelerado de pelos e em pelagem mais densa, em comparação com outras cobaias que receberam medicamentos contra calvície. Não houve efeitos colaterais dos choques. “O próximo passo são os testes com humanos, para chegarmos ao mercado assim que pudermos”, afirma o inventor.

O professor alerta que o equipamento não terá nenhum efeito em áreas da pele sem folículos capilares – ou seja, será inútil para pessoas completamente calvas. Se funcionar em seres humanos, o dispositivo deverá beneficiar somente quem se encontra nos estágios iniciais da calvície.

FONTE: ÉPOCA