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Startups buscam facilitar envio de dinheiro para o exterior

BeeTech e Transferwise fazem transferências internacionais em plataformas online

EMPRESAS PERMITEM ENVIAR DÓLARES PARA O EXTERIOR COM MENOS BUROCRACIA (FOTO: JOSE LUIS GONZALEZ/REUTERS)

Quem já tentou enviar dinheiro para um parente no exterior provavelmente precisou enfrentar processos burocráticos, demorados e caros. Mas há uma nova leva de fintechs que tentam facilitar o processo para os brasileiros.

É o caso da BeeTech, empresa brasileira que oferece o serviço pela plataforma Remessa Online. A startup permite enviar dinheiro para outros países (e também receber) com a mesma facilidade de fazer um TED – atualmente, são sete moedas. Há uma taxa fixa de 1,30% sobre as operações, mais o IOF. Para transferências para os Estados Unidos, por exemplo, o dinheiro cai na conta do destinatário no mesmo dia.

“Com o amadurecimento da economia, essa demanda por investimentos, financiamentos, pagamentos e transferências internacionais aumenta, e os bancos hoje não estão preocupados com isso”, diz Fernando Pavani, co-fundador da BeeTech.

Fundada há três anos, a Remessa Online inicialmente tinha como objetivo ajudar pessoas físicas que precisassem enviar dinheiro ou pagar contas no exterior. Outra possibilidade, destaca ele, é investir no exterior. “Hoje, as corretoras internacionais permitem investir, mas antes você não tinha como enviar dinheiro para essa conta. Isso é possível com a nossa plataforma”, diz ele.

Uma tendência que a Remessa Online tem visto crescer é o aumento de brasileiros que, ao fazer um curso no exterior, buscam financiamento fora do país – com taxas de juros menores do que as cobradas pelos bancos brasileiros. “Estamos abrindo o mercado para que qualquer provedor de serviço financeiro do mundo possa atender brasileiros”, diz Pavani.

Outro exemplo é a Transferwise, empresa com base em Londres que opera no Brasil há três anos em parceria com o Banco Rendimento e o MS Bank. A plataforma também permite enviar dinheiro para o exterior cobrando, em média 1,5%. A empresa tem 6 milhões de clientes no mundo, e processa US$ 5 bilhões em pagamentos por mês. A maioria das transferências são feitas em 24 horas, e 10% delas são concluídas em menos de uma hora.

“Muitas vezes, quando a gente fala de câmbio, as pessoas pensam que é só assunto para quem é milionário e manda muito dinheiro, mas chegamos à conclusão de que famílias de classe média usam muito esse serviço. Muitos enviam dinheiro para um filho estudando no exterior, por exemplo”, diz Heloísa Sirotá, general manager Brasil da TransferWise. “É um nicho de mercado que não estava sendo atendido”, afirma.

As duas fintechs usam como base o dólar comercial – e não o dólar turismo, preço normalmente cobrado por casas de câmbio e bancos.

Tributação e documentação
Um dos grandes desafios para quem quer fazer transferências internacionais é o enquadramento correto na alíquota de imposto cobrada por cada operação. Quem vai enviar dinheiro para si mesmo no exterior, por exemplo, paga 1,1% de IOF, enquanto quem envia para outras pessoas paga 0,38%.

A plataforma ainda antecipa quais os documentos necessários para cada tipo de transferência. “Com a nossa tecnologia, conseguimos saber qual imposto é preciso recolher na hora que o cliente envia uma fatura. Fazemos esse recolhimento na fonte”, diz Pavani.

Na Transferwise, esses processos também são automatizados. “Uma das reclamações comuns de quem faz remessa é sobre custos e impostos escondidos; tentamos fazer tudo da forma mais transparente possível”, diz Heloísa.

Gig economy
A tecnologia permitiu que profissionais trabalhassem como freelancers para empresas estrangeiras de qualquer lugar do mundo. O problema, no entanto, é como receber o pagamento. Pavani, da Remessa Online, diz que essa é outra grande oportunidade para a empresa. “Temos clientes que começaram a prestar serviços para empresas no exterior porque descobriram que poderiam receber o pagamento pela plataforma”, afirma ele.

A Transferwise espera começar a oferecer o serviço de transferências internacionais para pessoas jurídicas em breve. “Temos esse serviço na Europa e nos Estados Unidos, e é um dos grandes nichos para nós”, afirma Heloísa.

FONTE: ÉPOCA