jun 19

Por que não temos startups unicórnios de agrotech no Brasil?

Francisco Jardim, cofundador do fundo de investimento SP Ventures, conta porque as startups do setor ainda não alcançaram US$ 1 bilhão – e qual a sua principal aposta

Brasil possui seis unicórnios (startups que alcançaram o valor de US$ 1 bilhão). São elas o 99, Nubank, iFood, Gympass, Loggi e PagSeguro (para quem o considera). Nenhuma delas é uma agrotech. Para Francisco Jardim, cofundador do fundo de capital SP Ventures, isso acontece porque o setor está de três a cinco anos atrasado no país.

 “A infraestrutura do campo atrasou em comparação ao meio urbano. Demoramos para depender do mobile, há o analfabetismo digital e desenvolver inovações para o campo demanda mais tempo do que para uma fintech, por exemplo”, explicou. Jardim esteve na AgroTech Conference da StartSe, que acontece nesta quarta-feira (19).

Uma das principais dificuldades das agrotechs é a conectividade. Em muitas fazendas não há conexão com internet, atrasando a chegada de tecnologias muito promissoras para o setor, como internet das coisas (IoT). No entanto, esse cenário está começando a mudar. Já existem soluções com IoTdronese-commerce de máquinas, entre outras.

De acordo com o AgTechGarage, existem cerca de 300 startups com soluções para a agricultura e agronegócio no país. Elas estão ganhando destaque desde 2017, quando três brasileiras foram algumas das empresas descritas como “mais inovadoras do setor” pela CBInsights. São elas a BovControlStrider (que foi adquirida pela Syngenta) e Aegro.

A Aegro é uma das agrotechs investidas pelo próprio SP Ventures – e a principal aposta de Francisco Jardim para o primeiro unicórnio agrotech do Brasil. Segundo o investidor, essa é a empresa que mais cresce no portfólio do venture capital.

“A Aegro não é uma Loggi, Rappi, iFood, que vemos o dia inteiro nas ruas. No entanto, ela está criando valor ao tirar os produtores do caderninho, Excel, e os levando para um sistema robusto em nuvem”, contou Jardim. A startup oferece um software de gestão agrícola que reúne desde as contas para pagar até o controle de estoque e equipe.

A startup possibilita desde o estabelecimento de metas para colheitas até a análise da rentabilidade individual em cada uma delas. Por oferecer soluções inclusive de georreferenciamento de áreas, produção e venda e patrimônios, a Aegro pode se tornar uma solução completa aos produtores.

E, para Jardim, apesar do atraso, as agrotechs estão cada vez mais robustas. “Nos últimos anos, o mercado explodiu, trazendo recordes de investimentos no mundo desde 2014”. Em 2018, segundo o AgriFood Tech Investing Report, o valor dos aportes no setor mundialmente foi US$ 16,9 bilhões, distribuídos em cerca de 1.450 diferentes investimentos.

FONTE: STARTSE