dez 13

Ensino personalizado é tendência para o futuro da educação

O modelo adotado pela Anima Educação redefine conceitos de perto e longe, digital e analógico, rápido e demorado. A ordem agora é ensinar só aquilo que o aluno precisa saber

A declaração de Castanho não é uma força de expressão. Nos últimos anos, a Anima tem reformulado todo o seu sistema de ensino, buscando se adaptar às novas necessidades do mercado de trabalho, às evoluções do mundo acadêmico ou mesmo às demandas individuais dos próprios alunos. O que antes eram livros, quadros-negros e extensas aulas monótonas dentro de quatro paredes se transformou em modelos de aprendizado muito mais dinâmicos. “Os alunos não precisam mais ir à universidade para aprender, porque o conhecimento não está centralizado como antigamente. O conhecimento está em todo lugar”, afirma Castanho. “Atualmente, com todos os recursos tecnológicos existentes, podemos utilizar inteligência artificial, realidade virtual, sistema de tecnologia para acompanhamento de cada aluno, além de todos os dispositivos que estão ao nosso alcance para tornar a aula mais eficiente.”

A adaptação do modelo de ensino do Grupo Anima, que faturou R$ 960 milhões no ano passado com suas oito instituições (Una, São Judas, Unisociesc, Unimonte, HSM, Ebradi, UniBH e Alis Educacional), é mais do que necessária para garantir a longevidade do negócio. Um estudo elaborado pelo World Innovation Summit for Education (Wise), da Fundação Catar, elaborado com a participação de 645 especialistas, apontou que, para 93% dos pesquisados, a inovação (social, tecnológica e pedagógica) será a base do crescimento do sistema educacional nos próximos anos. “Em um futuro próximo, as escolas terão formatos híbridos e o professor não terá um papel protagonista no processo de aprendizagem”, afirma o especialista em sistemas de ensino da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Leandro Tessle.

O desafio é proporcional ao tamanho da mudança. Especialistas afirmam que as universidades brasileiras não podem apenas replicar modelos predefinidos de outros países, sem levar em conta características específicas do Brasil. “Um aprendizado personalizado é aquele que considera e respeita os instrumentos culturais que fazem parte do mundo dos alunos e, de forma equilibrada, traz tudo isso para dentro da sala de aula”, afirma Maria Bianconcine, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “É perda de tempo impor um modelo de ensino em que professores ditam as matérias para alunos que vivem e se informam pelas redes sociais.”

A julgar pelo desempenho das ações das empresas de educação na Bolsa de Valores — um dos termômetros que medem a percepção do mercado em relação à capacidade das empresas de se adaptarem aos novos tempos —, os grupos de ensino estão se saindo bem em suas estratégias. Segundo os números da consultoria Economática, os papéis da Anima negociados na Bolsa acumulam a impressionante alta de 92,67% neste ano – até o dia 5 de dezembro. A valorização só ficou atrás do avanço da cotação da Estácio, que alcançou 95,75% no mesmo período. A Ser Educacional valorizou-se 60%, 65%, enquanto a Kroton subiu 36,14% no mesmo intervalo. Como comparação, a Bolsa de São Paulo, a B3, subiu aproximadamente 20%.

A bonança do setor educacional começou depois de fortes tempestades nos últimos anos. Uma das causas das tormentas foi a decisão do ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), de alterar, em 2016, as regras do Fies, colocando como exigência a nota mínima de 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e teto de renda para os candidatos. Com mais dificuldade em obter crédito, desenhou-se um quadro de estagnação do sistema privado do ensino superior. No ano passado, as ações da Anima recuaram cerca de 5%.“Eu tenho a percepção clara de que a crise econômica afeta os ânimos e a disposição de jovens de se matricular. As famílias empurram os filhos para que possam ajudar na renda familiar, o que dificulta os planos de acesso à educação superior”, rebateu o ministro.

 

Entrevista com Daniel Faccini Castanho

Presidente da Anima fala sobre a transformação dos processos de ensino

 

Isabela Carrari/Divulgação

 

Qual é o modelo ideal para o ensino atualmente?

Hoje, a educação tem de ser híbrida, sem diferenciar o que é presencial e o que é a distância. O que importa é que tenha fluidez. Tanto faz se é analógica ou digital. Tanto faz o que é escola e o que é o trabalho. Esse é o futuro.

O que mudou no ensino no Brasil?

Antes, o simples fato de ter um diploma já aumentava muito a empregabilidade do aluno e o salário em duas ou três vezes. Então as pessoas queriam fazer o curso mais fácil, mais rápido e mais barato. A realidade hoje é outra.

Qual é a realidade?

A personalização do ensino. Nos últimos anos, o foco da educação foi a inclusão. Mas o Brasil continuou com o problema da produtividade. Os brasileiros passaram a ter diploma, mas não a qualificação ideal. Agora, a sociedade está mais madura. Estão surgindo novas competências, novas habilidades e novos conhecimentos. Agora importa, sim, quanto o aluno aprendeu na faculdade. Um certificado, por si só, não está valendo mais nada. Ou valendo muito pouco.
As universidades acompanharam essa mudança?
Antes, o conhecimento e o conteúdo estavam centralizados na universidade. Hoje em dia, o conteúdo está em todo lugar, no meu celular, no computador. Então, a universidade precisa deixar de ser um local de transmissão de conteúdo para ser um local de desenvolvimento de competências e habilidades. Isso está ocorrendo. O desafio da universidade é deixar de ser padronizada para ser personalizada.

Como a tecnologia vai impactar na sala de aula?

O modelo de ensino a distância, o EAD, já é uma questão do passado. Quando o aluno entra na universidade, ele faz uma avaliação para identificar suas competências específicas. Quanto mais preciso ele for, mais consegue definir o percurso formativo. Se o aluno sabe onde está e onde quer chegar, o caminho é mais fácil de ser traçado.

Isso reduz o tempo em sala de aula?

Isso otimiza o processo de aprendizagem. O aluno não perde tempo em aprender aquilo que ele já sabe. É uma forma de otimizar tempo e recurso. O aluno deveria ter um modelo de aula por hora. Assim, no tempo que ele fica dentro da universidade, conseguiria crescer e se desenvolver muito mais.

Quais tecnologias a Anima utiliza para aprimorar a relação entre professor e aluno?

Há uma gama imensa de recursos. Temos uma plataforma em que os alunos são acompanhados durante toda a vida acadêmica. O Watson da IBM, de Inteligência Artificial, é utilizado para ajudar a responder dúvidas em sala de aula. Há também recursos de realidade virtual, como a utilização de óculos virtuais. É possível visitar qualquer cidade da Europa, por exemplo.

Parcerias com instituições de ensino internacionais não são importantes?

Sim. Possuímos duas grandes parcerias no mundo. Uma com a Universidade Stanford, a número um dos Estados Unidos, que ajuda na formação de nossos professores. A outra é com a Universidade da Finlândia. O mesmo curso que é dado para professores de lá é oferecido a nossos professores aqui. Tudo isso para capacitar os profissionais para o ensino do futuro.

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE