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Te cuida, Booking! Startup quer tirar os intermediários das reservas de hotéis

A Asksuite desenvolve um chatbot que ajuda hotéis a melhorar suas vendas diretas. Em quase três anos, conquistou 1,3 mil clientes em mais de 25 países. Agora, acaba de receber um aporte da ABseed para reforçar sua expansão internacional

Os fundadores da Asksuite (da esq. para a dir), Rodrigo Teixeira, Danilo Pavei e Vinicius Pavei

O setor de turismo foi um dos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Com as medidas de isolamento social e as fronteiras fechadas em diversos países, os hotéis ficaram às moscas e agora começam uma lenta retomada das atividades.

Uma startup de Florianópolis quer ajudar os hotéis a melhorar as vendas e a rentabilidade ao aumentar as vendas diretas, evitando intermediários como o Booking ou a Expedia, sites de reservas online que cobram comissões que podem chegar a até 25%.

É a Asksuite, fundada em novembro de 2017 por Rodrigo Teixeira e os irmãos Danilo e Vinicius Pavei, que acaba de levantar R$ 4 milhões em uma rodada de seed money com o fundo de venture capital ABseed.

A startup desenvolveu um chatbot que usa inteligência artificial e os aplicativos de mensagens WhatsApp ou Facebook Messenger para reduzir a demanda operacional pelos canais tradicionais, como telefone e e-mail, e gerar mais vendas diretas.

“O que muitas pessoas não sabem é que fazer a reserva direta com o hotel, muitas vezes, é mais barato do que com um intermediário”, afirma Teixeira, que é o CEO da startup, ao NeoFeed.

Teixeira teve a ideia de criar a Asksuite por conta dos problemas que tinha como viajante. Ele diz que tinha dificuldade de entrar em contato com os hotéis e tirar dúvidas sobre a hospedagem. “Principalmente por conta do tempo de resposta por e-mail ou WhatsApp”, afirma ele.

Desde que surgiu, a Asksuite já fez mais de 10 milhões de atendimentos através de seu chatbot. A startup conta também com mais de 1,3 mil clientes em mais de 25 países. São redes como a Slaviero Hotéis, o Costão do Santinho Resort, o Beach Park e o Royal Palm, entre outros.

O dinheiro captado com a ABseed vai ajudar no desenvolvimento do produto, na área de marketing e deve acelerar a expansão internacional da startup. O foco da companhia, com o aporte, é aumentar sua base de clientes no México, Estados Unidos e Reino Unido. O formato deve ser via parcerias, mas Teixeira não dá detalhes da estratégia.

Expansão internacional não significa abrir escritórios fora do Brasil. Ao contrário. Como o modelo da Asksuite é baseado em SaaS (software as a service), a startup pode atender clientes do mundo inteiro sem sair do Brasil.

Uma das fontes de receita é o valor de instalação do chatbot, que pode funcionar no site do hotel, bem como nas redes sociais e no WhatsApp. O cliente paga também uma mensalidade que varia de acordo com alguns parâmetros que não são divulgados.

O chatbot funciona 24 horas por dia, nos sete dias da semana, e é integrado com os motores de reservas dos hotéis. Mas o algoritmo não se limita a realizar a reserva de forma automática.

Ele responde também a dúvidas como a distância do aeroporto do hotel e até mesmo se o hotel aceita pets. Além disso, o sistema é capaz de “entender” diversos idiomas, respondendo sempre na língua natal do consumidor.

O atendimento pode ser todo virtual. Mas o chatbot permite que os funcionários do hotel possam acompanhar as conversas e, se quiserem, realizarem o atendimento. “Gostamos de dizer que robôs e humanos fazem um melhor atendimento.”

A startup vinha crescendo a passos largos. Segundo Teixeira, nos três primeiros meses de 2020, a Asksuite acrescentava dezenas de hotéis, resorts e pousadas à plataforma. O plano era ampliar o escritório para 110 funcionários dos 70 que havia na época.

“De repente, em meados de março, quando Trump bloqueou os voos da Europa para os Estados Unidos ficou evidente que seria um ano diferente e nosso mercado de turismo seria muito afetado”, diz Teixeira. “O mais difícil foi tomar decisões em março e abril sem ter histórico de dados e números para isso.”

Assim como todo setor, a Asksuite foi afetada e resolveu cortar na carne, reduzindo o número de funcionários para os atuais 25 e preservando o time de engenharia e de produtos. O foco durante a pandemia foi melhorar o produto. A meta, de acordo com Teixeira, foi entregar uma nova funcionalidade no chatbot a cada 15 dias.

A estratégia da Asksuite foi uma espécie de freada de arrumação em meio a pandemia. Estimativas da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) indicam que três mil hotéis vão fechar as portas este ano no Brasil.

Dados da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) contabilizam perdas de R$ 121,8 bilhões para o setor de turismo desde o início da pandemia até o fim de julho. O número de empregos formais extintos na área chega a 275 mil, segundo a CNC.

“A Covid trouxe um impacto gigantesco para a indústria hoteleira”, afirma Geraldo Melzer, sócio da ABseed. “Mas mostrou a força da proposta de valor da Asksuite, que é aumentar a lucratividade dos hotéis através do aumento das vendas diretas. Durante a pandemia, eles perderam poucos clientes e até ganharam alguns.”

De acordo com Melzer, no momento em que os hotéis estão fragilizados, o sistema da Asksuite se encaixa nesse novo cenário. “Ele pode potencializar o processo de atendimento e de vendas.”

Agora, a Asksuite está retomando as contratações. Há vagas nas áreas de marketing, de desenvolvimento e de vendas (em especial, para os hotéis internacionais).

FONTE: https://neofeed.com.br/startups/te-cuida-booking-startup-quer-tirar-os-intermediarios-das-reservas-de-hoteis/