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Startups tentam inovar no mercado de comercialização de autopeças

iSharp e Pangea Parts criaram plataformas de cotação, comparação de preços e intermediação de vendas para concessionárias, oficinas e pessoas físicas

Matéria atualizada para correção de informações no 10º, 11º e 13º parágrafo. Segue a íntegra corrigida)

Evitar que as negociações entre compradores e fornecedores de autopeças sejam complexas e demoradas. Esta é a promessa de algumas startups em atividade. Para isso, elas desenvolveram plataformas de cotação, comparação de preços e direcionamento para ordem de compra desses produtos. Atendem, principalmente, concessionárias e oficinas. Mas o consumidor final também está no foco dessas empresas nascentes.

A startup de tecnologia iSharp, de São Paulo, é uma das empresas que apostaram no segmento. Em julho de 2017, ela lançou a plataforma Pnex, que possibilita fazer uma busca de ofertas de pneus. O usuário que quiser finalizar a compra é direcionado aos links das lojas em que o produto está sendo vendido.

Desde o início de suas operações, teve um investimento de cerca de R$ 1 milhão dos próprios fundadores. Hoje, o site conta com aproximadamente 10 mil visitas mensais, 150 marcas e cerca de 70 mil ofertas de pneus. A companhia criada pelos sócios Laurent Maubré e Fernando Cesar atende em todo Brasil. Mas São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná são os Estados que têm o maior número de vendas realizadas por meio do site.

Além da busca de ofertas, a startup oferece a possibilidade de agendar as trocas e balanceamento dos equipamentos em um centro automotivo parceiro da plataforma. Atualmente, são cerca de 1.200 locais para agendamento. Com o acompanhamento do número de visitas e de quantas vendas foram realizadas, a startup também comercializa estudos de mercado para as marcas e fornecedores.

O cliente não paga para agendar ou para acessar a busca de ofertas, mas a Pnex cobra dos fornecedores 5% de comissão nas vendas dos pneus. Além disso, uma taxa mensal de R$ 50 para os centros automotivos cadastrados nos serviços de agendamento. Os estudos de mercado são feitos sob medida, portanto não têm preços estabelecidos, explicam os sócios. A startup não divulga o faturamento.

Máquinas agrícolas

A startup Pangea Parts, de São Paulo, também faz com que seja possível comparar os preços de autopeças. Entretanto, a empresa oferece produtos para máquinas agrícolas, como tratores, colheitadeiras e plantadeiras.

Diferente da Pnex, em que o usuário visualiza, na hora em que está buscando, uma lista com comparações de preços de lojas, a Pangea informa os menores preços e prazos de entrega em até 24 horas após o pedido de cotação. Além disso, a startup não direciona imediatamente o comprador ao vendedor. Se o cliente quiser efetuar a compra, ele aprova o pedido e a companhia solicita o produto para o fornecedor.

Ao entrar na plataforma, o usuário informa os produtos que procura, o prazo de entrega que gostaria e solicita a cotação. O CEO, André Lobo Faro, explica que o pagamento e os serviços de entrega ficam ao encargo das empresas vendedoras.

Fundada em outubro de 2017, a startup tem como principais clientes oficinas agrícolas. Ela não divulga o faturamento e nem o investimento que já teve, mas espera atingir a cifra de R$ 1 milhão em 2019.

Mercado

Para o diretor da Central de Inteligência Automotiva (Cinau), Marcelo Gabriel, o mercado de reposição de autopeças, seja ele business-to-consumer (B2C) ou business-to-business (B2B), é promissor. “Principalmente em momentos de crise econômica em que as decisões para investimento em bens de capital são postergadas e a opção é pela conservação dos bens existentes”, diz.

No entanto, o diretor explica que há décadas grandes fornecedores mantêm suas relações com os canais de comercialização tradicionais. Além disso, segundo o especialista, os grandes players do setor não se aventuram nas iniciativas digitais, como marketplaces, porque não há espaço no mercado.

Por isso, para ele, é preciso ter cuidado para adentrar no mercado e-commerce ou marketplace de autopeças. Ele explica que muitas oficinas e concessionárias já têm canais de compras estabelecidos. Além disso, segundo um estudo realizado pela Cinau, os compradores consideram mais a disponibilidade de produtos e agilidade na entrega do que o preço.

Mesmo assim, ele considera que a transformação digital vai provavelmente mudar as formas de fazer negócios nos próximos anos. “Os modelos de startups e marketplaces vão experimentar modelos (e falhar) para que o mercado se reoriente.”