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Startups investem em prestação de serviços para coworkings

Ao atuar em espaços compartilhados, equipes notaram demandas específicas e passaram a criar soluções para o segmento

Startups que já ocuparam espaços de trabalho compartilhados – os chamados coworkings – aproveitaram essa experiência para desenvolver serviços sob medida para o segmento, que cresce a passos largos. Segundo o Coworking Brasil, site que reúne informações do setor, o número de estabelecimentos desse tipo no País passou de apenas 378 em 2016 para 1.194 em 2017.

Ao conviver nesses ambientes, algumas novatas perceberam que havia demandas específicas dos estabelecimentos. Assim, passaram a desenvolver produtos para organizar o cadastro de clientes e a agenda das salas ou emitir boletos para cobrar o uso das instalações, por exemplo.

É o caso da desenvolvedora de softwares de gestão OpenSEV, conta o sócio diretor Breno Caires. Antes de criar a empresa, há três anos, ele montou um coworking em Salvador. Naquele momento, o mercado não foi tão receptivo. Mas a experiência foi proveitosa porque o empreendedor viu potencial para prestar serviços para outros coworkings que estavam surgindo.

Caires desenvolveu um software que, entre outras funções, permite o gerenciamento comercial, financeiro e administrativo desses estabelecimentos. Hoje, atendendo exclusivamente espaços compartilhados, a OpenSEV já tem cerca de 370 clientes, o que representa quase 31% do total de empresas do segmento no País.

A startup consumiu investimento aproximado de R$ 1 milhão desde sua fundação e não revela o faturamento. A receita vem das mensalidades pelo uso do software. O valor começa em R$ 99 e varia, entre outros fatores, conforme a quantidade de usuários e o tamanho do espaço.

Grande parte da equipe da OpenSEV fica alocada em um coworking na Bahia. Outra parte viaja por todo o Brasil e, quando precisa de uma sala de reunião ou de uma infraestrutura fixa, recorre aos espaços compartilhados, diz Caires.

A Sigma4, de Belo Horizonte, também mergulhou no ramo de softwares de gestão para espaços compartilhados. Em 2012, a empresa de tecnologia, que já atuava desde 2001, lançou um produto para atender o segmento. A ideia surgiu porque o CEO da startup, Junio Cesarino, trabalhou durante alguns anos em um coworking.

Atualmente, a companhia tem sede própria e cerca de 98 clientes que utilizam o aplicativo MKCoworking em todo o Brasil. Com a tecnologia, é possível fazer a gestão financeira, comercial e até mesmo de estoque, como material de escritório. A startup cobra uma mensalidade por funcionário que utilizar a tecnologia de aproximadamente R$ 110.

Cesarino diz que a empresa fecha cerca de um contrato novo por mês. Atualmente, contabilizando só o software para coworkings, a companhia tem um faturamento mensal de R$ 20 mil a R$ 25 mil. “Acredito que, em dois anos, vamos dobrar este valor.”

Consultoria

Depois de criar cinco espaços de coworking, o empresário Fernando Santiago e sua sócia Juliana Guimarães viram que já tinham know-how para prestar consultoria a novos empreendedores da área.

No segundo semestre de 2017, eles reformularam sua startup 55Lab para ser, além de uma empresa de espaços compartilhados, uma consultoria de assuntos comerciais, financeiros e jurídicos no segmento.

A empresa, com sede em Brasília, foi fundada em 2013 com um investimento próximo de R$ 1,2 milhão. Em janeiro de 2018, os sócios venderam quatro dos cinco espaços para focar na prestação de serviços. Hoje, a 55Lab tem oito clientes de consultoria, a maior parte em Brasília.

Em 2017, ainda com os próprios espaços compartilhados, a companhia teve um faturamento aproximado de R$ 1,3 milhão. Para este ano, já sem quatro dos cinco coworkings, Santiago espera atingir valores entre R$ 700 mil e R$ 800 mil. No entanto, a meta é voltar à casa do milhão em 2019.

Plataformas de busca

O crescimento da oferta também fez surgir plataformas de busca de coworkings. Lançada há apenas um mês, em São Paulo, a Space’n’Desk é um site em que os estabelecimentos podem anunciar suas instalações. É possível procurar com filtros de regiões e tipos de espaço, como salas de reunião ou privativas.

A empresa não cobra para os coworkings ou usuários se cadastrarem na plataforma. No entanto, o interessado deve solicitar a reserva do espaço pelo site da startup, possibilitando que a companhia fique com uma comissão de 5% do valor quando os contratos de locação são assinados.

Outros sites, como Beer or Coffee, Gaest e Woork, oferecem serviços semelhantes.

Seguros

O mercado atrai também grandes empresas, como a SulAmérica. A seguradora lançou um modelo de apólice específico para o segmento.

“Percebemos que os nossos clientes estavam deixando seus espaços convencionais e indo para os compartilhados. Aqueles com escritório na zona Sul de São Paulo, por exemplo, precisavam de um [local] na zona Norte, o que fazia com que eles recorressem aos coworkings”, diz o vice-presidente de auto e massificados da companhia, Eduardo Dal Ri.

A diferença em relação aos seguros já oferecidos pela empresa é a cobertura de roubo e furto de objetos, como celulares e computadores, de pessoas que transitam pelo espaço compartilhado. O serviço também oferece proteção para outras situações, como quebra de máquinas e danos elétricos.

A companhia não revela números quanto ao desempenho do produto ou a quantidade de clientes, mas informa que a pretensão é adentrar em grandes polos de inovação e crescer tanto quanto o próprio mercado de coworking.

FONTE:  DCI