mar 13

Startups brasileiras correm para sacar dinheiro de banco do Vale do Silício em crise

SVB com vários clientes do setor de tecnologia passa por dificuldades de capital e preocupa setor financeiro.

Startups brasileiras estão correndo para sacar seus recursos depositados no Silicon Valley Bank (SVB), após a instituição financeira do Vale do Silício, na Califórnia (EUA) anunciar um aporte para tentar sanar dificuldades de capital.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, desde ontem diversas startups locais estão correndo para tirar seus recursos dos SVB. “Nossa, todo mundo sacou. Pessoal de um grande banco e de uma corretora disseram que receberam um monte de dinheiro, no caso dessa corretora foram mais de 30 transferências”, diz um gestor que trabalha com venture capital. Segundo o Valou apurou, essa corretora é a XP, mas procurada a empresa preferiu não se manifestar.

A mensagem enviada por um representante de um banco, à qual o Valor teve acesso, diz: “Bastante gente nos acessando para abrir contas para aplicação de caixa offshore. Estamos com boas taxas. Caso alguma das suas ‘portfolio companies’ tenha essa demanda também, não hesite em passar o meu contato”.

O presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), Piero Minardi, também confirma relatos desses saques. “Tem várias empresas fazendo isso. O que eu sei até agora é que o pessoal tem conseguido sacar. Não ouvi de ninguém que não tenha”, diz, ressaltando que essa é a situação na tarde desta sexta-feira (10).

O presidente da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Diego Perez, tem uma avaliação semelhante. “Estamos acompanhando. As fintechs mais afetadas por esta crise são aquelas investidas por fundos de venture capital dos EUA, que não são tão representativas entre o grupo associado à ABFintechs. No entanto, notamos que mesmo investidores brasileiros recomendaram que suas investidas, caso tenham conta no SVB, transfiram o recurso imediatamente”, afirma.

Renato Aoki, diretor de operações bancárias da Remessa Online, diz que desde ontem reforçou sua equipe para atender a demanda das startups brasileiras querendo tirar dinheiro do SVB. A empresa tem quase 400 startups como cliente. “O volume de transações aumentou absurdamente. Quase todas startups tinham conta no SVB”, diz, sem revelar valores. No meio da tarde, a Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC, espécie de FGC americano), determinou uma intervenção no SVB. Segundo Aoki, provavelmente teve gente que não conseguir sacar a tempo. Ainda assim, ele diz que a maioria deve ficar dentro do limite da FDIC, de US$ 250 mil. “Ainda temos recebido algumas ordens, mas provavelmente a partir de agora vai levar mais tempo para chegar o dinheiro”.

O executivo comenta que a dinâmica da maioria das startups é de pagamentos, transferências de menor valor, e que muitas precisam de um atendimento personalizado, por isso acabam recorrendo a bancos de nicho, e não às grandes instituições financeiras tradicionais. “Com o problema recente no Silvergate, que concentrava grande parte das operações de cripto, e agora o SVB, fica uma sensação meio de crise, mas não acho que vai mudar muito a forma como as startups operam lá fora”, comenta.

FONTE: https://valor.globo.com/financas/noticia/2023/03/10/startups-brasileiras-correm-para-sacar-dinheiro-de-banco-do-vale-do-silicio-em-crise.ghtml