fev 13

STARTUP USA INTERNET DAS COISAS PARA MONITORAR CICLOVIAS

A empresa criou um sistema de hardware e software com o propósito de tornar mais seguro e eficiente o uso da bicicleta como meio de transporte

Ciclovia da Faria Lima, na cidade de São Paulo (Foto: Estadão Conteúdo)

Especializada na prestação de serviços e consultoria em Engenharia Eletrônica, a startup Pullup está empregando a tecnologia de IoT (Internet das Coisas) para vencer o desafio da mobilidade urbana. A empresa criou um sistema de hardware software com o propósito de tornar mais seguro e eficiente o uso da bicicleta como meio de transporte nas grandes cidades.

O projeto foi um dos selecionados na chamada Cidades Inteligentes-Cidades Sustentáveis, lançada em 2016, no âmbito do programa PIPE/PAPPE Subvenção, resultado de acordo de cooperação entre a FAPESP e a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep).

A expectativa, de acordo com o engenheiro elétrico Conrado Leite de Vitor, co-fundador da empresa e pesquisador responsável pelo projeto, é colocar no mercado um dispositivo batizado de SmartBike até junho deste ano.

Segundo Vitor, esse equipamento pode ser acoplado ao guidão de qualquer tipo de bicicleta para exercer três funções: registrar dados como velocidade e quilômetros percorridos, atuando como um computador de bordo; identificar a localização do veículo, funcionando assim como um sistema de rastreamento e, ainda, conectar o veículo a uma rede de internet sem fio para receber diversos tipos de informação.

Vitor explica que, à semelhança das redes indoor (como o Wi-Fi), também já estão se popularizando redes sem fio que permitem a comunicação de longo alcance (entre 2 a 15 km), com baixo consumo de energia.

“Tecnologias como a SigFox, por exemplo, já estão disponíveis em todas as capitais e têm sido muito usadas em soluções de IoT voltadas às smart cities”, diz o pesquisador. “Utilizando essa tecnologia, os sensores instalados na bicicleta alimentarão um sistema na nuvem, enviando dados como nível de luminosidade, umidade e aceleração”, detalha Vitor.

O SmartBike poderá informar, por exemplo, se a ciclovia está muito escura, se tem poças d’água (pois há um sensor que capta umidade do solo) ou se está esburacada. Tudo isso graças ao acelerômetro, sensor que detecta trepidações da bicicleta.

Outra funcionalidade prevista pelo projeto é o planejamento das melhores rotas a partir de sinais de GPS. “O escopo é flexível, novas funções podem ser acrescentadas conforme demanda”, diz o pesquisador.

Pullup está submetendo a patente do projeto pela Agência USP de Inovação e pretende comercializar a tecnologia com empresas fornecedoras de bicicletas de aluguel. Atualmente, relata o engenheiro, diversas empresas de compartilhamento de bicicletas utilizam sistemas de rastreamento que são, basicamente, voltados à proteção do patrimônio: o propósito é só o de coibir furtos.

“Mas não identificamos, nem no Brasil nem no exterior, um dispositivo capaz de agregar tantas funcionalidades quanto o nosso projeto”, afirma Vitor. Mas, para atingir esse mercado, a estratégia da empresa é começar a vender o SmartBike diretamente para ciclistas. “Pretendemos conquistar pessoas que tenham bicicleta e gostem de tecnologia”, define Vitor.

Berço acadêmico

Vitor conta que o projeto da SmartBike nasceu dentro do Laboratório de Microeletrônica (LME) da Escola Politécnica da USP, assim como a própria empresa, aberta em 2012, ainda durante sua graduação em Engenharia Elétrica. O projeto – e a empresa – contaram com apoio do professor Marcelo Carreño, do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Poli. “Nossa empresa é, de certa forma, uma spin off do LME”, declara o engenheiro.

Ainda hoje a parceria com a universidade se mantém. A startup está incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), e formou sua equipe a partir de graduandos e mestrandos da Poli. São, atualmente, 12 integrantes: três contratados por CLT, três estagiários e três bolsistas, além dos três sócios: Conrado Vitor, o engenheiro de computação Giuliano Leite de Vitor e a engenheira elétrica Paula Gomez.

A empresa tem atuado em duas grandes frentes: na automação industrial, implantando soluções de Internet das Coisas em equipamentos e processos produtivos, e na área biomédica e equipamentos de laboratório.

Segundo Vitor, o projeto da SmartBike começou há cerca de dois anos dentro do LME da Poli. “O professor Carreño queria desenvolver um projeto com os alunos, em parceria com a Pullup, e sugerimos a realização de um trabalho na área de mobilidade urbana”, lembra Vitor.

Dois alunos do LME – os hoje engenheiros Rafael Mosna e Marcelo Daher – aceitaram o desafio e, depois, foram incorporados à equipe da Pull Up. Vitor conta que, inicialmente, o projeto era um display eletrônico, com mensagens promocionais, que seria visualizado nas rodas da bicicleta.

“Ao girar, a roda criaria uma imagem POV [sigla para Persistence of Vision], que define o fenômeno visual no qual uma sequência de imagens cria uma ilusão de movimento”, explica o engenheiro. Contudo, em conversas posteriores com clientes em potencial, os sócios da startup perceberam que o display não atrairia interesse do mercado.

O projeto foi, então, reformulado, mantendo a possibilidade de sua utilização como ferramenta de marketing: o sistema permite a recepção de mensagens promocionais emitidas por dispositivos (denominados “beacons”) instalados em estabelecimentos comerciais situados nas proximidades da ciclovia.

“O ciclista pode ter, por exemplo, a indicação de um café ou ponto cultural localizado em sua rota. Nossa ideia é de que o sistema traga informações úteis para o ciclista, potencializando o uso desse meio alternativo de transporte e, consequentemente, melhorando a mobilidade urbana”, almeja o pesquisador.

FONTE: PEGN