Startup que começou na cozinha de empreendedor conquista mercado com leite vegetal

Com produto criado com cálcio vegetal, Leatt conseguiu atrair o varejo e a Tetrapak. O objetivo agora é conseguir o primeiro investimento.

Bruno Ramos e Guilherme Barbieri, fundadores da Leatt — Foto: Divulgação

O mercado de bebidas vegetais cresceu nos últimos anos no Brasil. Segundo dados da Euromonitor International, entre 2016 e 2021, o crescimento da categoria plant-based no país foi de 540% no volume de litros consumidos. Mas quando a Leatt teve início, em 2015, o cenário era bem diferente.

O negócio começou na cozinha de Guilherme Barbieri. Vegetariano desde 2012, ele não encontrava opções à base de plantas no Brasil para substituir os alimentos de origem animal e passou a fazer leites alternativos que caíram no gosto de familiares e conhecidos. Farmacêutico industrial de formação, ele convidou o amigo Bruno Ramos para cuidar da parte comercial e administrativa e transformar a ideia em empresa. Com investimento de R$ 150 mil, eles passaram a produzir em um galpão da fábrica do pai de Ramos, no Rio de Janeiro.

O primeiro produto foi o leite de amêndoas. Os sócios recordam que, naquela época, era difícil explicar o produto até mesmo nos canais especializados. “Fazíamos tudo, produção, embalagem, entrega no cliente. Éramos nós dois e mais ninguém. Íamos em lojas e os vendedores não conheciam, tinham dificuldade. Se em 2015 a gente tivesse tido dinheiro e a cabeça que temos hoje, estaríamos milionários, porque não tínhamos concorrência”, afirma Ramos.

“O mercado hoje é muito diferente. Ele era nichado a quem tinha problemas de saúde e hoje migrou para quem busca melhor qualidade de vida, para quem quer diminuir o consumo de produtos de origem animal. O mercado cresceu muito, e a população está mais aberta a essa experimentação”, acrescenta Barbieri.

Todo o dinheiro que entrava com as vendas era reinvestido na empresa, que foi evoluindo com a compra de reatores, pasteurizadores e maquinários especializados. No jargão das startups, a Leatt caminhou com as próprias pernas, no formato bootstrap, sem investimento externo.

Em 2019, os produtos da startup passaram a ser envasados em embalagens da Tetrapak, permitindo um prazo maior de validade e a venda para o grande varejo. No entanto, a startup enfrentou uma nova dificuldade ao tentar ocupar espaço nas prateleiras dos estabelecimentos. Se antes os comerciantes não conheciam os produtos, agora os grandes players já estavam embarcados na tendência. “A gente tinha o canal verde forte e isso por muito tempo sustentou a Leatt, mas nunca catapultou o negócio para ganharmos dinheiro. Percebemos que era nadar contra a maré, a gente não tinha produto para competir. Só a composição limpa não colava mais”, recorda Ramos.

Barbieri voltou ao modo de criação e teve a ideia para um novo produto, o VegCalcio+D, bebida vegetal com maior aporte de cálcio sustentável e orgânico, extraído de algas marinhas por comunidades ribeirinhas, associado à vitamina D. “Temos um cálcio orgânico, vegetal e sustentável que pode ser utilizado para a suplementação por quem consome nossos produtos. Auxiliamos a saúde, a sustentabilidade e a região onde é feita a extração com um só produto”, diz Ramos.

O diferencial despertou a atenção da Tetrapak, que estudava a entrada no Brasil da sua embalagem bio, com uso menor de matéria-prima não renovável e com plástico de origem vegetal. A Leatt foi a primeira empresa a utilizar a embalagem no país. Os sócios aproveitaram a nova fase para fazer um rebranding da marca e mostrar a conexão do negócio com a inovação e a saudabilidade.

O varejo também passou a apostar nos produtos da Leatt. Atualmente, o portfólio da marca já pode ser encontrado em gôndolas de redes localizadas no Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Distrito Federal e Goiânia, como Zona Sul, Oba Hortifruti, Natural da Terra e Carrefour, além do e-commerce com entrega para todo o país.

Por estarem conversando com investidores, os sócios não abrem números absolutos de faturamento, mas afirmam que a operação está no azul e a startup não queima dinheiro, com crescimento de 73% no faturamento no primeiro semestre de 2023 em comparação com o mesmo período em 2022.

FONTE: https://revistapegn.globo.com/startups/noticia/2023/09/startup-que-comecou-na-cozinha-de-empreendedor-conquista-mercado-com-leite-vegetal.ghtml


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