SRM escala Gooroo para time de fintechs

Gestora tem R$ 500 milhões para dobrar portfólio até o fim do ano.

Wagner Candido e Rodolfo Takahashi, fundadores da Gooroo: Consignado para empresas a partir de um funcionário — Foto: Divulgação

A SRM, gestora de crédito que há dois anos começou a investir em fintechs, acaba de adicionar ao portfólio a Gooroo, de crédito consignado para empresas. A instituição está colocando R$ 20 milhões à disposição da startup para rodar a operação, em um modelo em que também fornece tecnologia e backoffice. Em troca, além de entrar para o cap table, fica com parte da receita. Já são 12 companhias na carteira, que deve pelo menos dobrar até o fim do ano.

“Pode ser muito pesado o custo de originação de crédito com qualidade e volume suficiente para fintechs que estão no início. Existia um gap nesse sentido”, explica Marcos Mansur, diretor da SRM. Enquanto securitizadoras e factorings praticam split de 90%, a SRM tem trabalhado com taxas mais amigáveis, em 60% ou dividindo meio a meio a receita.

Ao longo dos últimos 12 meses, a SRM Ventures aportou pouco mais de R$ 310 milhões em FIDCs nesse molde. Com mais R$ 500 milhões disponíveis para investir em 2023, o braço de venture capital da gestora planeja encerrar o ano com 30 a 40 startups no portfólio. Entre as investidas, estão Broadfactor, Acredite Bank, TuTu Digital, LinKapital, Juvo, Kenzie Academy e Blipay. O plano é que, com mais maturidade, as fintechs consigam montar os próprios fundos e tocar a operação de forma mais independente.

Faz parte da tese também proteger a SRM com diversificação. Os gestores enxergam um futuro em que o ecossistema de fintechs é formado por especialistas em micro nichos. Oferecendo backoffice e tecnologia, além do capital, a gestora libera os fundadores para focar em atrair o cliente e dominar seu segmento. Em consignado, ainda não tinha uma aposta — vaga que agora será preenchida pela Gooroo.

Há menos de um ano no mercado, a fintech conta com mais de 350 convênios cadastrados e 15 mil potenciais tomadores de crédito em sua base. Com o cheque da SRM, a plataforma planeja chegar a 4 mil CNPJs e 80 mil CPFs. Num segmento já bem disputado, a Gooroo quer atrair clientes ao democratizar o acesso ao produto: a plataforma aceita empresas de todos os tamanhos, inclusive microempreendedores individuais (MEIs).

“A gente opera com todas as empresas mesmo, coisa que ninguém faz. Bancos e financeiras têm barreiras para as pequenas. Além disso, oferecemos oportunidade para funcionários negativados, levando educação financeira e com condições praticáveis”, diz Wagner Candido, fundador da Gooroo. “Outro diferencial competitivo é nossa tecnologia, que melhora muito a experiência do usuário, investimos muito nisso. Um processo de aprovação de convênio, que leva 15 ou 20 dias em outras fintechs, fazemos em cerca de quatro minutos”, emenda Rodolfo Takahashi, cofundador.

De acordo com dados do Banco Central, o volume contratado em consignado nos últimos dois anos ultrapassou os R$ 516 bilhões no país. Mas é um segmento que está longe de ficar saturado, na visão dos fundadores: no setor público, por exemplo, o que inclui aposentados, ainda é pequena a oferta perto da demanda. “Muita gente nem sabe que existe esse recurso”, diz Candido.

FONTE:

https://pipelinevalor.globo.com/startups/noticia/srm-escala-gooroo-para-time-de-fintechs.ghtml