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Spin Pay facilita venda no ecommerce — mas sonha mesmo é com o open banking

No ecommerce, quem não tem cartão paga em boleto — ou nem compra. Mas o lojista demora para receber o pagamento, e muitos clientes desistem da compra entre a emissão do boleto e o pagamento efetivo.

Para reduzir esse atrito, um dos fundadores do Banco Neon criou a Spin Pay, uma ferramenta que conecta o banco ou a wallet do cliente com o varejista, garantindo o pagamento em poucos cliques e de forma instantânea: o dinheiro cai na conta na hora.

E, ao contrário de ferramentas como PayPal, o cliente sequer precisa abrir uma ‘conta’ na Spin. “No ecommerce, o único meio que tem boa usabilidade para transacionar online é o cartão de crédito, que tem uma penetração de apenas 25% entre os bancarizados”, diz o CEO Alan Chusid, que fundou o Neon com Pedro Conrade e deixou o banco no começo deste ano.

A Spin já atraiu capital semente do Canary e nomes de peso do mercado financeiro como Daniel Goldberg, sócio do Farallon; Cássio Casseb, ex-presidente do Banco do Brasil; Alexandre de Barros, ex-vice-presidente de tecnologia da informação do Itaú; e José Monforte, ex-gestor da Pragma e hoje chairman da Eletrobras. Com uma estrutura enxuta — apenas 15 funcionários — e usando blockchain, o custo por transação chega a ser de apenas um décimo do MDR (a taxa cobrada dos lojistas pelas adquirentes), que gira na casa dos 3%.

“Nossa solução elimina dezenas de intermediários que um pagamento com cartão exige”, diz Alan. “Isso faz nosso custo ser muito mais baixo e a velocidade da operação ser muito mais rápida”.

No Neon, Alan era responsável pelo desenvolvimento de produtos, o que lhe deu amplo conhecimento sobre como funcionam os processos e a regulação de produtos financeiros e bancários. Ele acha que a proliferação de contas e wallets digitais — por parte de fintechs, varejistas e qualquer companhia que tenha uma grande base de clientes — não leva em conta o conforto do usuário e nem mesmo a conveniência dos merchants. “Toda a transformação que a gente está passando hoje em banking é uma transformação ‘tabajara’, mais ligada à usabilidade, da tela para fora, sem mexer nos alicerces tradicionais de como funciona o sistema financeiro no Brasil”, diz.

“Todas as fintechs que oferecem uma conta bem ou mal usam a infraestrutura dos grandes bancos, nem que seja pelo custo do saque.” (A rede 24 horas, por exemplo, é da TecBan, controlada pelos cinco maiores bancos de varejo) A Spin Pay diz que não quer competir, mas sim se aliar aos bancos — e inclusive, paga uma taxa de intercâmbio para as instituições financeiras em cada transação. Mas num momento de juros cada vez menores e competição crescente, Alan reconhece que pode haver resistência.

Até agora, 10 instituições financeiras — entre fintechs e bancos — já se plugaram à plataforma. Essa potencial resistência, contudo, tem data para acabar: o BC está trabalhando numa nova regulação para pagamentos instantâneos que vai acabar com o TED e a DOC, além de obrigar todos os bancos a se integrar com todas as plataformas. A expectativa é que a regulação saia no segundo semestre de 2020.

A SpinPay está acompanhando a discussão de perto.

Quando a regra para pagamentos instantâneos entrar em vigor, os bancos vão ser obrigados a transacionar comigo. Se eles abrirem as portas, essa integração vai ser total; se não abrirem, vai ser um pouco menos completa”, diz Alan. “E, com o open banking, vai ser um caminho sem volta.” Por isso, a Spin está mais preocupada em conquistar os varejistas.

A empresa já começou a operar com 35 parceiros âncoras em seus setores, como companhias aéreas, serviços de mobilidade e varejistas de cosméticos e vestuário. O próximo passo é uma solução para assinaturas de serviços online como Spotify e Netflix. A Spin Pay também deve chegar ao varejo físico, atuando como um enabler das instituições financeiros para o pagamento com QR Code. Mas, por enquanto, este não é o foco. “As transações em PDV têm espaço para melhorar, sem dúvida, mas o cliente não deixar de comprar: no limite, o desbancarizado paga em dinheiro. No ecommerce, a dor é bem mais latente”.

FONTE:  BRAZIL JOURNAL