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Relatório inédito traz dados sobre cultura de inovação no Brasil

A consultoria ACE Cortex entrevistou executivos C-Level, diretores, gerentes e fundadores de pequenas, médias e grandes empresas; objetivo era avaliar as principais barreiras para a implantação da cultura de inovação nas companhias.

A consultoria de inovação ACE Cortex divulga nesta quinta (27/10) o relatório “Cultura de inovação: como corporações podem construir a base para a transformação“, resultado de uma pesquisa realizada em agosto de 2022 com 277 funcionários de pequenas, médias e grandes empresas. Foram entrevistados executivos C-level, diretores, gerentes e fundadores de companhias em mais de 15 setores, entre eles agricultura, construção, bens de consumo, finanças, educação, saúde e energia.

O objetivo principal era entender quais eram as principais barreiras para a implementação de uma cultura de inovação. “Em nosso trabalho junto a grandes empresas, fica evidente a dificuldade para criar e executar projetos de inovação”, diz Luís Gustavo Lima, CEO da ACE Cortex, que tem entre seus clientes empresas como Natura, Santander e Gerdau. “Queríamos entender por que.”

Segundo o relatório, 91% dos entrevistados se dizem familiarizados com o tema “cultura de inovação”. Mas só 52,4% deles dizem que a empresa trabalha o tema com um grau de maturidade satisfatório; para 46,2% dos entrevistados, ainda é preciso avançar bastante nessa pauta. “Existe um entendimento de que é necessário promover a transformação digital e fazer conexões com startups. Mas muitos consideram as mudanças dolorosas, especialmente no que diz respeito à cultura da organização”, diz o CEO da ACE Cortex.

Em relação aos benefícios da cultura de inovação, 78% dos entrevistados afirmaram que esta “permite à empresa evoluir seu negócio principal, ao mesmo tempo em que explora novas oportunidades, mercados ou clientes”. Segundo os responsáveis pelo relatório, essa é uma percepção que mudou em relação à última pesquisa, feita em 2021, quando o termo era atrelado apenas à adoção de novas tecnologias.

87% dos entrevistados em cargos de liderança acreditam que a cultura é peça-chave para inovar, mas apenas 14% fazem desta uma prioridade no planejamento. E, embora a maioria dos entrevistados afirme que a empresa na qual trabalham é aberta à cultura da inovação, apenas 22,8% acreditam que os resultados da implantação dessa cultura sejam claros para todos os colaboradores. Na avaliação da consultoria, isso torna mais difícil adotar práticas como o intraempreendedorismo, por exemplo.

Entre as iniciativas que os participantes da pesquisa associaram à cultura da inovação dentro de suas empresas estão: capacitação de líderes (60,1%), capacitação dos times (45,1%), inovação aberta (42,2%), programas de intraempreendedorismo (38,4%), transformação digital (33,2%), comunicação assertiva (21,6%), ESG (10,4%), gestão de performance (10,4%), corporate venture building (6,3%) e corporate venture capital (4,1%).

“Esse resultado também mostra uma evolução no pensamento de executivos e fundadores, já que a cultura de inovação atravessa diversas atividades dentro da empresa”, diz Lima. Para ele, o avanço está ligado a uma fase de transição no estilo de liderança das corporações. “Aquele modelo de comando e controle ficou para trás. O líder agora é orientado por propósito, procura conectar os funcionários pela humanização, promover um ambiente de segurança psicológica e descentralizar a tomada de decisão. No longo prazo, isso deve levar a uma adoção mais decisiva da cultura de inovação.”

FONTE: https://epocanegocios.globo.com/futuro-do-trabalho/noticia/2022/10/relatorio-inedito-traz-dados-sobre-cultura-de-inovacao-no-brasil.ghtml