Realidade virtual para diagnosticar o glaucoma

O diagnóstico precoce pode retardar o avanço do glaucoma, principal causa de cegueira irreversível no Brasil. Com a realidade virtual, é possível identificar a doença em estágio inicial.

Acoplados a eletrodos como os de eletroencefalograma (EEG), óculos de Realidade Virtual (RV) se tornaram aliados para o diagnóstico precoce do glaucoma. Ao contrário de outros exames que estimam danos ao tecido nervoso óptico, o equipamento tem se mostrado alternativa portátil e mais barata.

Felipe Medeiros, oftalmologista cearense, liderou a equipe que criou o aparelho, na Universidade de Duke, na Carolina do Norte (EUA). O médico é atualmente professor e diretor de pesquisa do Departamento de Oftalmologia da instituição. Segundo ele, os estudos continuam para que o nGoggle seja encaminhado para aprovação dos órgãos reguladores. A comercialização para uso clínico deve ser realizada a partir de 2018.

Identificação

O glaucoma compromete a visão de forma progressiva e irreversível. O grande desafio do diagnóstico precoce é que a fase inicial da doença não tem sintomas. No exame de campimetria, as alterações funcionais só aparecem quando o indivíduo perdeu de 30% a 50% do tecido nervoso, ou seja, quando a doença já está pelo menos em estágio moderado. Já a tomografia acessa danos iniciais ao nervo óptico, enquanto medir a progressão da doença é limitação que o nGoggle pretende resolver.

“A ideia é oferecer melhor avaliação da função visual. É um exame objetivo e mais confortável, se comparado ao tradicional exame de campimetria ou mesmo à tomografia de coerência óptica, que são ainda caros e precisam ser feitos em consultório”, compara Felipe.

A tecnologia é inédita e deve ter aplicabilidade expandida em breve, de acordo com Felipe. Novos estímulos emitidos no visor dos óculos poderão analisar outras funções ópticas, mensurando a funcionalidade do campo visual do paciente. A metodologia pretendida pode abrir portas para um leque de novos tratamentos oftalmológicos.

Como funciona

Os eletrodos são posicionados no couro cabeludo, onde se consegue mensurar as ondas cerebrais a partir de estímulos visuais. Qualquer smartphone pode então ser encaixado para projetar os estímulos indicados pelo médico. São comumente pontos luminosos que piscam em frequências diferentes. Ou seja, o indivíduo pode ou não perceber as luzes e isso o EEG consegue detectar. As respostas são então enviadas para o computador do médico.

A versão mais recente dos óculos recebeu fones de ouvido. Podem ser transmitidos, portanto, instruções médicas ou sons para maior imersão na realidade virtual. O equipamento usa tecnologia sem fio e tem preparação simples.

SAIBA MAIS

O glaucoma acomete pelo menos 1 milhão de brasileiros e é a principal causa de cegueira irreversível no País. A doença é caracterizada por uma lesão no nervo óptico provocada, principalmente, pelo aumento da pressão intraocular. Este nervo é o responsável por levar as imagens captadas pela retina ao cérebro.

A tecnologia de RV é ainda aliada de laboratórios como escaneador para localizar veias durante a coleta de sangue. É usada principalmente em pacientes infantojuvenis e oncológicos. “Ajuda muito o profissional pela rapidez e maior segurança. Também tranquiliza o paciente porque ele também pode ver as veias. No caso de pacientes oncológicos, evita novos traumas”, explica Tatiana Ferraz, gestora técnico-administrativa do laboratório Sabin em Salvador (BA). A luz sobre o braço permite visualizar rapidamente as veias.

FONTE: JORNAL O POVO