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Prumo prevê investir R$ 15 bi em transição energética no Porto do Açu

Um terço do montante será investido na planta de briquete verde, insumo cada vez demandado para descarbonizar as atividades do setor siderúrgico.

O presidente da Prumo Logística, Rogério Zampronha, detalhou os investimentos planejados que já somam R$ 15 bilhões, em até dez anos, no Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro. Um terço do montante, R$ 5 bilhões, será de investimentos a médio prazo na planta de briquete verde, o HBI (Hot Briquetted Iron), insumo cada vez demandado para descarbonizar as atividades do setor siderúrgico.

Engordam a lista de projetos uma série de facilidades como a construção de um gasoduto, estruturas para armazenamento de combustíveis e petróleo cru.

“Temos projetos para o curto, médio e longo prazos. A gente comunica prazo de dez anos, mas minha estimativa é de oito anos, prazo que os projetos mais longos, de geração eólica em alto mar, vão demorar para começar a se materializar. Então espero que, para 2031 ou 2032, esses R$ 15 bilhões estejam alocados”, disse Zampronha. O executivo falou na saída do “Prumo Day”, que aconteceu nesta quarta-feira, 30, no Rio de Janeiro.

A instalação de um gasoduto para alimentar o parque local a partir de 2027 tem investimento estimado de R$ 4 bilhões. Já dois projetos de tancagem de combustíveis líquidos e óleo cru somam R$ 2,3 bilhões.

Há, ainda, a primeira fase de um projeto de biogás em estudo com a Geo Bio Gass&Carbon ao valor de R$ 300 milhões. Todos esses projetos têm como fito endossar o Porto do Açu como hub industrial com diversos combustíveis na porta e a preço competitivo.

Completam a projeção de investimento projetos de bases de apoio a usinas de geração eólica offshore alinhados com uma série de empresas de energia, como TotalEnergies, Shell, Equinor e Neoenergia. Esses projetos, porém, devem ser executados mais a longo prazo, começando a ganhar forma no fim do prazo estimado por Zampronha.

Tancagem e biogás
Os projetos mais próximos da execução, segundo Zampronha, são o do Terminal de Líquidos do Açú (TLA) e a planta de biogás, cujos planos foram formalizados hoje. De fato, a Prumo assinou um memorando de entendimento com a Geo Bio Gas&Carbon para a realização de estudos de viabilidade sobre a instalação de plantas de biogás em áreas próximas ao porto.

Segundo Zampronha, o acordo trata de uma primeira fase do projeto, que envolve R$ 300 milhões em investimento para a produção de 150 mil m³/ dia de biometano.

“A gente gostaria que isso chegasse a 1 milhão de metros cúbicos por dia, mas ainda não podemos garantir”, disse Zampronha sobre as ambições da Prumo. Os estudos conjuntos ainda devem durar dois anos até a decisão final de investimento.

A Geo possui hoje três usinas em operação e cinco em implantação no país, que devem operar já em 2024. A provável ida da empresa para o Porto do Açu, agora, se deve entre outros fatores aos seus esforços de conexão com as malhas de gasodutos de transporte de TAG e NTS, por onde o insumo ali produzido poderá ser escoado para quase todo o território.

Já o TLA, que deve custar outros R$ 300 milhões, e o projeto “Spot”, orçado em R$ 2 bilhões, visam criar condições para alimentar indústrias e refinarias do sudeste, respectivamente, e no último caso com óleo bruto do pré-sal.

“Existe um desejo da atual gestão federal e da Petrobras de aumentar a capacidade de refino. E a maneira mais fácil de aumentar a capacidade de refino é aumentar o suprimento de óleo cru para as refinarias na região. Por isso esse projeto é tão fundamental”, explicou Zampronha.

Gasoduto
Item importante no pipeline da Prumo para o Porto do Açu, o investimento de R$ 4 bilhões na construção de um gasoduto para transportar gás do terminal de Cabiúnas (Macaé/RJ) para o Porto do Açu.

“Ainda não temos definida a rota final (do gasoduto), se vem de baixo para cima ou o contrário. Esperamos que esse gasoduto traga o gás (para o porto) até 2027, que é quando a planta de HBI entra em operação. A chegada desse gasoduto casa com a chegada do gás via BMC-33. A ideia é que parte desse gás alimente a indústria de HBI e também a indústria de fertilizantes, que temos estruturada, mas ainda não firmada”, diz Zampronha.

Ele acrescenta que já existe licença prévia emitida para a obra do gasoduto de 110 quilômetros. “Licenciamento não é problema”, disse.

FONTE: https://www.terra.com.br/economia/dinheiro-em-acao/prumo-preve-investir-r-15-bi-em-transicao-energetica-no-porto-do-acu,a536d4f17ea2aff757f6d2a83d55f14bvzf2s6x0.html?utm_source=clipboard