Projeto do Sebrae para inovação tem adesão de empreendedor

Plano inicial era atingir 900 empresas no país, mas as inscrições superaram as expectativas.

Marcelo de Souza e Silva, do CDL/BH: mais de 3,3 mil inscritos no programa — Foto: Alessandro Carvalho/ Divulgação CDL/BH

Adenísio Gomes Nolasco viu a procura de clientes aumentar 30% em julho, após mudanças feitas na empresa para aderir melhor ao varejo omnicanal. Nolasco é dono do Ateliê do Livro, uma empresa de Brasília especializada em restauração e encadernação de livros. “Sempre trabalhei do modo antigo, presencial. Mas com o avanço do varejo digital vi que precisava implantar um outro jeito de trabalhar”, diz o empreendedor.

Nolasco faz parte de um grupo de 1.300 micro e pequenos empreendedores de todo o país que participam de um programa nacional para impulsionar negócios por meio da inovação, promovido pelo Sebrae Nacional com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) e a Confederação Nacional dos Diretores Lojistas (CNDL).

O plano inicial era atingir 900 empresas no país, mas as inscrições superaram as expectativas. Marcelo de Souza e Silva, presidente do CDL/BH, diz que mais de 3,3 mil empreendedores se inscreveram para participar do programa. “Existem muitas ferramentas hoje que os empreendedores não conhecem ou, se conhecem, não usam, e se viram com o que têm à mão. Esse é um ponto forte que trabalhamos no projeto, que é apoiar as pessoas que não têm tempo de procurar ferramentas a encontrarem o que precisam”, afirma Silva.

Silva diz que, de modo geral, os empreendedores se envolve muito no dia a dia da operação e se esquecem da gestão de custos. “Outro ponto é a dificuldade de ir para o digital para fazer as transações e para atender o cliente”, afirma o presidente do CDL/BH.

No caso do Ateliê do Livro, o maior desafio era aderir ao digital. “Eu achava que a minha empresa não tinha como interagir no on-line. Mas logo que o projeto foi implantado o resultado apareceu”, conta Nolasco. A empresa mudou o nome no anúncio do Google para Ateliê do Livro Restaurações. Nolasco diz que, antes, era procurado principalmente pelo trabalho de encadernação, mas ao incluir “Restaurações”, a procura pelo público interessado em restauração aumentou consideravelmente. A empresa desenvolve um novo site e também fez mudanças na fachada e no logotipo da loja física, além de mudanças no ambiente interno.

O programa de apoio a micro e pequenas empresas foi criado há sete anos pelo CDL/BH e pelo Sebrae Minas e ganhou edição nacional em fevereiro deste ano. O projeto possui quatro etapas: capacitação das CDLs, trilhas de conteúdo para as empresas, aceleração das empresas participantes e um evento para entrega dos resultados – essa última etapa ocorrerá em setembro. As empresas recebem mentoria dos consultores do Sebrae e da AAA Inovação. O Sebrae também coloca os empreendedores em contato com startups que oferecem inovações adequadas para micro e pequenas empresas.

Leidiane Silva de Farias, dona da Lili Cake Sabor Caseiro, em Sertãozinho (PB), relata como principais dificuldades melhorar a apresentação digital e a gestão de custos. Com as oficinas, palestras e a consultoria empresarial, a empreendedora reformulou os perfis da empresa nas redes sociais e a abordagem no WhatsApp.

“Na parte financeira, comecei a colocar tudo em planilhas para identificar onde estou errando, como melhorar. Antes fazia anotações, mas era tudo muito vago”, diz Farias. A empreendedora também passou a entregar brindes junto com os produtos contendo o contato da empresa, para divulgar a marca e fidelizar os clientes. Sem citar números, Farias disse que houve melhora nas vendas.

Para Gleice Duarte Martins e o marido Júlio Roberto Ferreira, donos do empório D’Casa Sabores, em Belo Horizonte, a mudança foi mais ampla. O empório passou a fazer vendas pelo Instagram, o quiosque foi ampliado de seis metros quadrados para 10 metros quadrados. A lista de produtos vendidos foi ampliada, com a inclusão de kaftas, hambúrgueres, linguiças e salames artesanais, molhos e queijos especiais.

“Em julho a gente faturou 35% a mais que em junho e 40% mais do que em julho do ano passado”, afirma Martins. A empreendedora diz que também fez mudanças na parte de gestão de clientes e no controle de custos. “Existem sistemas gratuitos de gestão que o Sebrae indica. São mudanças simples mas que já fazem diferença no dia a dia da empresa”, afirma.

Patrícia Chagas, dona da Patoca Kids & Teens, loja de roupas infantis e acessórios em Salvador, começou com venda on-line e, há dois anos, abriu loja física no bairro da Pituba em Salvador. A empreendedora usou os aprendizados para fazer mudanças na vitrine da loja física e incrementar o portfólio com moda praia e roupas para ocasiões específicas, como festas de São João e itens para viagens de férias. No Instagram, a empreendedora implementou mudanças no conteúdo publicado. “Passei a usar um sistema de gestão para controle de estoque, fluxo de caixa e emissão de nota fiscal. Tem muita coisa que ter retorno a médio e longo prazo. Mas já foi uma virada de chave”, diz Chagas.

FONTE: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2023/08/22/projeto-do-sebrae-para-inovacao-tem-adesao-de-empreendedor.ghtml


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