maio 18

Pesquisa usa nanotecnologia para castrar animais sem cirurgia

Procedimento foi considerado bem sucedido em ratos e começou a ser testado em gatos. Estudo é realizado em parceria entre a UFG e a UNB.

Pesquisa usa nanotecnologia para castrar animais sem cirurgia em Goiás — Foto: Arquivo Pessoal/Carolina Madeira Lucci

 Um meio alternativo para a castração de animais sem cirurgia é objeto de estudo em uma parceria entre a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Universidade de Brasília (UNB). O professor Andris Bakuzis, do Instituto de Física da UFG, e a professora Carolina Madeira Lucci, da UNB, adaptaram uma técnica com nanopartículas, usada em tratamento de tumores, para fazer o procedimento.

“A castração cirúrgica dá certo, mas é invasiva, e pré-dispõe o animal a infeção, ele precisa tomar remédios e exige um cuidado maior. Desde a década de 70 se busca um procedimento não invasivo para castrar os animais, principalmente visando a diminuição de animais de rua e invasores”, explicou Carolina.

“A gente consegue liberar o animal após o procedimento, na castração cirúrgica o animal ainda tem que ser assistido, esse é um ponto fundamental. A pesquisa é fruto de uma parceria entre uma veterinária e um físico”, completou Andris.

O procedimento, segundo Andris, consiste em injetar nanopartículas de óxido de ferro no testículo do animal sedado. Depois, a área é esterilizada por meio da aplicação de um campo magnético, a magnetohipertermia, ou de uma luz de LED, conhecida como fotohipertermia.

“Você injeta nanopartículas na região e isso gera um calor muito localizado. Os testículos dos animais machos já são por natureza muito sensíveis a alta temperatura, qualquer aumento já afeta a produção de espermatozoides”, descreveu a professora Carolina.

Procedimento de castração sem cirurgia em ratos — Foto: Reprodução/Jivago et al. Pharmaceutics 2021Procedimento de castração sem cirurgia em ratos — Foto: Reprodução/Jivago et al. Pharmaceutics 2021

Carolina explicou que a área recebe uma temperatura que chega aos 45ºC e dura cerca de 15 minutos. Os primeiros resultados da pesquisa foram publicados em formato de artigo no periódico internacional Pharmaceutics.

Pesquisa usa nanotecnologia para castrar animais sem cirurgia em Goiás — Foto: Arquivo Pessoal/Carolina Madeira Lucci

A pesquisadora explicou ainda que, com o sucesso do procedimento em ratos, há 10 dias os testes em quatro gatos começaram a ser feitos.

“Os ratos aparentemente não sentiram dor e tiveram como efeito colateral apenas uma lesão de pele muito suave, só que quando a gente muda de espécie a preocupação inicial é avaliar se vai funcionar igual, a gente já viu que precisa de algumas adaptações”, pontuou Carolina.

Procedimento de castração de ratos usando nanotecnologia em Goiás — Foto: Reprodução/Jivago et al. Pharmaceutics 2021

A pesquisadora afirmou que ainda não há resultados dos procedimentos feitos nos gatos e a expectativa é depois que padronizar para gatos, em experimentos de curto e longo prazo, depois disso deve começar em cães.

“Tem cães em diferentes tamanhos, então é possível que a gente tenha que fazer adaptações. Os gatos, mesmo de raças diferentes, têm mais ou menos o mesmo tamanho”, falou Carolina.

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2022/05/17/pesquisa-usa-nanotecnologia-para-castrar-animais-sem-cirurgia.ghtml