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Os desafios da implementação da “saúde delivery” no Brasil

Vander Corteze, CEO da Beep Saúde fala durante o Fórum E-Commerce Brasil 2022

Com o mercado da saúde em franca ascensão depois da pandemia de Covid-19, as healthtechs entram cada dia mais em voga e buscam aproveitar o momento para apresentar ideias mais disruptivas. Com isso, surgem novas modalidades de atendimento e na esteira de outros tantos setores, levar experiências de saúde para dentro da casa do cliente já é uma realidade, como defende Vander Corteze, CEO da Beep Saúde.

Embalada pela trend da saúde delivery, a empresa tem como projeto central realizar a aplicação de vacinas, a realização de exames e coletas em domicílio – entre todas as faixas etárias –, em estados brasileiros, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo, Pernambuco e o Distrito Federal. Porém, ao se tratar de assuntos tão delicados como a saúde e o fato de o produto final ter de, literalmente, entrar na casa dos clientes, Corteze reconhece que seu negócio enfrenta diversas barreiras no mundo do comércio eletrônico.

“Assim como a maioria das empresas, a gente tem todos os desafios que uma empresa de e-commerce tem. Precisamos fazer nossas vendas, aquisição de cliente, relacionamento com o cliente, capturar o cliente, converter, atender ele bem, entregar o serviço. Mas nossa entrega do serviço é um pouco diferente. Talvez seja única. No nosso caso, a gente não vai até o portão, a gente vai até o interior da casa. A gente vai no quarto do bebê de meses. Esse é o tamanho do desafio”, afirmou.

Além disso, Vander Corteze, que além de empresário é médico, reconhece que o setor de saúde é relutante às mudanças e diversos processos e paradigmas têm de ser derrubados para que o negócio se consolide. “A gente não espera, na maioria das vezes, que a saúde seja aquele setor que puxa a inovação digital, a transformação digital. Afinal, você não quer que seu cirurgião em cima da hora teste algo diferente. Então, a saúde tem todo um processo para adotar a transformação digital”, disse.

Se não bastasse a resistência, a empresa ainda tem de enfrentar o receio do próprio consumidor final, que pode associar o tipo de serviço a algo “VIP” e consequentemente mais caro. Para driblar tal problema, a empresa aposta em ir na contramão dos players da área, buscando eliminar locais tradicionais como clínicas e apostar em centrais espalhadas pelo país.

“Temos espalhados pelo Brasil, o que carinhosamente chamamos de hubs, mini fulfillment centers, que têm todo material e equipamentos necessários para o nosso time sair para trabalhar e voltar. Porque o custo de manter uma clínica, um laboratório, vira custo para o usuário final. E quando você é leve em ativo e em cada metro quadrado consegue gerar mais receita, você tem a opção de ter margens melhores e preços mais competitivos. [Esse é] o primeiro pilar que permite que a Beep tenha um preço muito mais acessível em um serviço que até então era considerado VIP, típico de quem tinha um plano de saúde muito top ou aceitava pagar uma taxa a mais por isso”, afirmou.

Além de buscar tornar acessível os valores do serviço, Corteze defende que a Beep Saúde deve trabalhar de forma mais humanizada possível, justamente por lidar com um assunto tão delicado como a saúde. Para atingir o objetivo e seguir colecionando comentários positivos nas redes sociais, treinamento é a palavra-chave na empresa, que é dado aos funcionários nas unidades das ‘UniBeeps’, universidades corporativas espalhadas pelo país, criadas para garantir a entrega padronizada do serviço.

Futuro do mercado

Se cada vez mais tornou-se corriqueiro associarmos instantaneamente demandas do dia a dia com serviços digitais e aplicativos de celular que cobrem nossos problemas em áreas como alimentação, consumo de música e até mesmo relacionamentos, no caso da saúde, qualquer player deste mercado ainda está distante de se consolidar como referência.

“Hoje não existe um aplicativo, uma plataforma online que seja referência em saúde no celular das pessoas. Será que saúde não é importante? Depois desses anos horríveis que a gente viveu relacionado à pandemia, mencionar como a saúde é importante é chover no molhado. Mesmo assim, não tem um app que tenha a relevância que os demais têm”, afirmou.

Ao reconhecer o problema, Corteze vai além e afirma trabalhar para colocar a Beep Saúde como sinônimo de saúde no ambiente digital do país. “Em um curto espaço de tempo, se a gente estiver em uma mesa, num jantar de família e alguém comentar que precisa de algo relacionado à saúde, a cena que sonho e trabalho para ver acontecer é uma outra pessoa na mesa falar na Beep”, finalizou.

FONTE: https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/desafios-saude-delivery/