maio 03

Orizon investe R$ 240 milhões para transformar lixo em biometano

De olho nos efeitos dos preços do gás natural e na agenda ESG das empresas, a gestora de resíduos vai investir na produção de biometano em Paulínia, um dos aterros adquiridos da Estre Ambiental

No fim de 2021, a Orizon, empresa de gestão de resíduos, deu um salto em sua operação ao anunciar a aquisição de seis aterros sanitários que pertenciam à Estre Ambiental, companhia que vendeu seus ativos em um leilão como parte do seu plano de recuperação judicial.

Arrematados em parceria com a gestora Jive por um total de R$ 840 milhões, os terrenos permitiram à companhia aumentar em 60% seu volume de resíduos manejados, além de terem adicionado cerca de R$ 214 milhões em receita e R$ 98 milhões em Ebitda ao seu balanço.

Mas esses números são apenas o começo dos benefícios a serem capturados na transação. A Orizon parte agora para extrair valor desses aterros para além da atividade de receber e manejar lixo, caminhando cada vez mais em direção ao setor de energia.

Como parte dessa estratégia, a Orizon, em parceria com a Mercurio Holding e Gera Energia Brasil, acaba de anunciar um investimento de R$ 240 milhões em um aterro de Paulínia, localizado no interior de São Paulo e parte dos ativos da Estre, para gerar biometano e energia elétrica a partir de resíduos.

“Faz parte da mola mestra da Orizon a aquisição de aterros para acessar a matéria-prima, o lixo que chega ali, e agregar valor com investimento em tecnologia”, afirma o CEO da companhia, Milton Pilão, em entrevista exclusiva ao NeoFeed.

Este será o primeiro aterro da Orizon a produzir biometano. Até o momento, os ecoparques da companhia utilizavam exclusivamente o biogás extraído para a geração de energia elétrica.

Previsto para começar a operar já no segundo trimestre, o Ecoparque de Paulínia irá aplicar parte do investimento anunciado na infraestrutura necessária para captura do biogás e na sua transformação em biometano, produzido por meio da purificação do gás gerado nos ecoparques.

Uma parte do biometano vai ser vendida de forma gasosa, injetado na rede da distribuidora da região. O plano é comercializar para a distribuidora e também diretamente para as indústrias, dentro do formato do mercado livre de energia, negociando preços e volumes diretamente com a Orizon.

Com Paulínia, a Orizon quer aproveitar os efeitos da valorização do gás natural no País e no mundo e do avanço da agenda ESG nas empresas, que cada vez mais são cobradas a adotarem matrizes energéticas limpas e renováveis.

Segundo Pilão, boa parte do biometano a ser produzido já está contratado, em contratos firmes, com previsibilidade de reajuste, considerando que o preço não segue as cotações internacionais para o gás natural.

“Estamos vendo uma escalada de preço, com uma demanda da indústria e de consumidores em ter contratos com reajustes que não dependam do petróleo e do câmbio”, observa. “Essa é uma fonte que traz previsibilidade para o médio e o longo prazo.”

Pilão afirmou que o plano é investir mais recursos para que 100% do biogás de Paulínia seja transformado em biometano e levar a tecnologia para outros ecoparques da companhia.

“O biometano tem se mostrado nos últimos anos um mercado cada vez mais crescente em demanda por razões econômicas e sustentabilidade”, diz. “Atualmente, o biometano faz mais sentido para nós do que eletricidade.”

A Orizon tem investido em uma série de aquisições para ter acesso ao que Pilão chama de “banco de lixo”. A companhia está em busca de aterros sanitários em regiões onde a destinação de resíduos em lixões ainda é predominante.

A ideia é extrair valor desses locais, que ainda têm um volume representativo de biogás e biometano a ser explorado, bem como projetos de créditos de carbono.

No ano passado, a geração de energia e o aumento do volume comercializado de biogás foram alguns dos fatores citados pela Orizon para o aumento de 11% da receita em relação a 2020, para R$ 435,5 milhões. A geração de energia a partir do biogás cresceu 33,1%, na mesma base de comparação.

A empresa registrou, porém, um prejuízo líquido de R$ 55,5 milhões, revertendo o lucro de 2020, por conta de itens não recorrentes, como aumento das despesas financeiras com pré-pagamento de dívida, pagamentos baseados em ações e amortização de gastos diferidos na captação de recursos. Excluindo esses efeitos, a companhia teve lucro de R$ 18 milhões, recuo de 24%.

Para turbinar esses números, além dos ativos da Estre, a Orizon assumiu, em fevereiro desse ano, o controle de uma aterro sanitário da CGR Ambiental, em Cuiabá (MT), por R$ 66 milhões. Segundo Pilão, novas aquisições já estão no radar.

Outro ativo listado na B3 que concorre em determinados segmentos com a Orizon e que também está investindo em uma agenda extensa de aquisições é a Ambipar. A empresa abriu capital em julho de 2020.

No caso da Orizon, essa estratégia está sendo financiada pela abertura de capital realizada em 2021. Essa tese de investimento ganhou tração e a empresa, avaliada no IPO em R$ 1,6 bilhões, vale agora R$ 2,4 bilhões. Desde a sua estreia no mercado de capitais, suas ações acumulam uma valorização de 55%.

FONTE: https://neofeed.com.br/blog/home/orizon-investe-r-240-milhoes-para-transformar-lixo-em-biometano/