jun 14

O que o grupo Rendimento aprendeu investindo em startups

ADM, o corporate venture capital do grupo, já investiu R$ 10 milhões em um portfólio de startups que inclui Gringo, Grão Direto e Aegro

Quando a família Ades decidiu que precisava se aproximar das startups para acompanhar o ritmo de inovação e tecnologia em suas controladas – o Banco Rendimento, a corretora de câmbio Cotação e a firma de pagamentos Agilitas -, uma das primeiras apostas foi num empreendedor de bom currículo com produto ‘praticamente’ validado. Deu errado.

 

“Nas primeiras investidas, achava que era só dar o dinheiro que o founder faria o melhor uso possível. Aprendemos a duras penas que isso não necessariamente vai acontecer”, lembra Roger Ades, o diretor responsável pela ADM, o veículo de corporate venture capital criado pelo Grupo Rendimento.

Depois de um início atribulado, o CVC do grupo mudou a abordagem. A companhia só investe em startups se outros fundos também acompanharam a rodada. Para evitar entrar em startups em estágio muito inicial, Ader definiu que não basta um power point — ainda que ali existam ideias brilhantes.

“Precisamos ter o produto na rua para ter certeza que há demanda. Às vezes, o empreendedor vem com uma ótima ideia, mas na hora de executar não consegue”, diz Ades, já escolado com os tropeços iniciais.

Aos poucos, a ADM começa a formar um portfólio maior. Com cheques de até R$ 2 milhões, o corporate venture capital do Grupo Rendimento já aplicou R$ 10 milhões, apostando em startups como Grão Direto (agtech que está digitalizando o comércio de grãos) e Aegro (startup gaúcha que desenvolveu um software de gestão de fazendas e começou a entrar em serviços financeiros).

A ideia do time liderado por Ades é encontrar startups que possam se beneficiar o ecossistema do Grupo Rendimento. “A ideia não é nem ser um corporate venture, que engole as startups, nem um venture capital que só busca a melhor alocação. Nós misturamos. Queremos sinergias com Rendimento, Cotação e Agilitas e que tragam rentabilidade para o dinheiro investido.

Não à toa, a ADM investiu no aplicativo Gringo, que levantou R$ 190 milhões em uma rodada lidada pela firma britânica VEF. A startup está desenvolvendo soluções para facilitar a vida dos motoristas, o que inclui uma solução o pagamento de multas — um negócio que o Banco Rendimento conhece bem. “O Rendimento tem a maior plataforma de recolhimento de tributos. A Gringo começou como cliente do nosso bank as a service. Fomos nos aproximando e viemos que fazia sentido entrar na última rodada deles, conta Ades.

Na Aegro, a lógica foi parecida. Depois de criar um software de gestão pensado para os agricultores e chegar a 5 mil fazendas, a agtech fundada por Pedro Dusso quer aproveitar a base para monetizar o negócio com a vertical de crédito. O negócio ainda está em fase piloto, atendendo 40 clientes com um carteira total de R$ 1,5 milhões, e a proximidade com o Rendimento ajudou a viabilizar a operação, diz o fundador. O banco dos Ader dá o funding para as operações de crédito da Aegro.

Na busca por startups, a ADM evita uma meta de investimentos. “É casa de dono. Se aparece uma oportunidade e gostamos, juntamos os sócios e colocamos o dinheiro”, diz Ades.

FONTE: https://pipelinevalor.globo.com/startups/noticia/o-que-o-grupo-rendimento-aprendeu-investindo-em-startups.ghtml