fev 24

No Nubank, 53,9 milhões de clientes e um desafio: crescer a receita média

Depois de captar us$ 2,8 bilhões em seu ipo, o nubank precisa mostrar aos investidores que pode fazer esses correntistas gastarem mais no seu ecossistema

 

Passados pouco mais de dois meses depois de captar US$ 2,8 bilhões em seu IPO e se tornar a instituição financeira mais valiosa da América Latina, o Nubank enfrentou nesta terça-feira, 22 de fevereiro, seu primeiro teste para provar que pode sustentar esse status sob os olhos atentos do mercado a cada trimestre.

Ao divulgar o balanço do quarto trimestre e do ano de 2021, um dos cartões de visita nesse primeiro diálogo oficial pós-IPO com os investidores e analistas foi o alcance, ao fim desse período, de uma base de 53,9 milhões e clientes, contra os 33,3 milhões que compunham a base da fintech, um ano antes.

“Hoje, nossa proposta de valor é muito mais robusta e abrangente”, disse David Vélez, cofundador e CEO do Nubank, em videoconferência com analistas. “E isso nos ajuda a convencer aqueles céticos que diziam ser difícil que nós tivéssemos muitas soluções bancárias.”

Depois de ir muito além do “cartão de crédito roxo” que lhe deu fama, ao adicionar mais produtos ao seu portfólio, e de atrair uma base consistente de clientes, agora, o Nubank tem uma outra oportunidade – e um desafio – pela frente: ampliar a receita média desses correntistas.

Os números e métricas mostrados no balanço mostram como esse quadro está evoluindo e dão uma perspectiva do que pode estar por vir. Entre outubro e dezembro de 2021, a receita média mensal por cliente ativo foi de US$ 5,6, um crescimento de 66,2% comparado ao mesmo período, um ano antes.

O indicador veio acima das projeções de analistas. No UBS e no Citi, que previam, respectivamente, uma base de 52 milhões e de 51 milhões de clientes, a estimativa era de que a receita média por usuário no período fosse de US$ 5.

“Nas safras mais maduras de clientes, a receita média mensal por cliente ativo já supera US$ 15”, afirmou Guilherme Lago, CFO do Nubank. “E quem tem nossos três principais produtos, cartão de crédito, conta e empréstimo pessoal, já ultrapassa US$ 20 por mês.”

Apesar de destacar essas cifras, Lago ressaltou que em boa parte dos bancos tradicionais brasileiros, a receita média por usuário está na faixa de US$ 38. “Ainda temos um gap enorme para fechar. Tanto em termos de produtos proprietários quanto de terceiros”, observou.

Com maior velocidade a partir de 2020, o Nubank vem investindo para ampliar sua oferta e alcançar outras áreas. Nessa estratégia, além da conta digital e dos empréstimos, a fintech lançou contas para pessoa jurídica e entrou em segmentos como investimentos, a partir da compra da Easynvest.

Um dos passos mais recentes para atrair clientes e fazê-los navegar pelo seu ecossistema foi o lançamento, no fim de 2021, do seu marketplace. A plataforma reúne ofertas de empresas como o Magazine Luiza, AliExpress e Dafiti, além da Creditas, operação na qual o Nubank é um dos acionistas.

“Já temos 20 parceiros diferentes oferecendo seus produtos aos nossos clientes”, ressaltou Vélez. “Mas não queremos inundar a plataforma com 10 mil SKUs. Seremos seletivos e cuidadosos. Vamos usar a escala que temos para acelerar essa estratégia.”

Resultado Entre outubro e dezembro, o Nubank reportou um prejuízo de US$ 66,2 milhões, contra US$ 107,1 milhões, em igual período, um ano antes. No resultado consolidado de 2021, a perda na última linha do balanço foi de US$ 165,3 milhões, contra US$ 171,5 milhões, em 2020.

Já o lucro líquido ajustado foi de US$ 6,6 milhões em 2021, contra um prejuízo líquido ajustado de US$ 26,8 milhões, no exercício de 2020. No ano passado, a receita cresceu 130,4%, para US$ 1,69 bilhão.

No trimestre, a alta no indicador foi de 214%, para US$ 635,9 milhões. Dos 53,9 milhões de clientes contabilizados no fim do ano, 5,8 milhões foram adicionados no quarto trimestre.

Do volume total de clientes, 52,4 milhões estão no Brasil, um salto de 57,8% na comparação anual. No México, o Nubank tem 1,4 milhão de clientes e, na Colômbia, 114 mil.

As ações da empresa, avaliada em US$ 40,5 bilhões, encerraram o pregão da terça-feira na Bolsa de Nova York, antes da divulgação do balanço, em queda de 10,66%, cotadas a US$ 8,80. Entretanto, com os números reportados, os papéis sobem 8,75% no after market, para US$ 9,57.

FONTE: https://neofeed.com.br/blog/home/no-nubank-539-milhoes-de-clientes-e-um-desafio-crescer-a-receita-media/