maio 29

Nas profundezas da internet: o que é Deep Web?

Se uma informação não existe no Google é porque ela não existe, certo? Errado. Existe uma grande parte de conteúdo da rede mundial de computadores que não é indexada por mecanismos padrão de busca, como Google e Bing. A essa parcela, é dado o nome de Deep Web.

Recentemente, o assunto tomou conta dos noticiários por conta da tragédia ocorrida em Suzano. Segundo investigações, há a possibilidade de que os autores dos crimes tivessem recebido ajuda através de fóruns online na Deep Web. Mas, afinal, o que é a Deep Web? Por lá só circulam conteúdos criminosos?

O que é a Deep Web

Todo o conteúdo da internet pode ser dividido em duas partes. A primeira delas é chamada de Surface Web, e representa tudo aquilo que conhecemos da internet ou, por definição, todos os sites que são indexados pelos buscadores. Isso significa que os recursos de busca conseguem pesquisar, coletar, analisar e armazenar as informações presentes nesses sites.

Mas, além da internet que vemos, existe uma internet oculta, criada para troca de informações com mais privacidade e anonimato. Essa internet oculta é chamada de Deep Web e, nela, há mais camadas de criptografia, tornando mais difícil, inclusive, identificar os autores dos conteúdos que circulam por lá. Os sites da Deep Web não são “vistos” por buscadores, e tampouco podem ser acessados através dos navegadores padrão.

Uma analogia bastante comum para explicar a Deep Web é compará-la com um iceberg. A ponta do iceberg, que pode ser vista na superfície do oceano, seria a Surface Web: é a ela que temos fácil acesso. Enquanto isso, todo o restante enorme bloco de gelo submerso pela água seria a Deep Web: escondida, maior e mais difícil de acessar.

A internet como conhecemos é só a ponta de um enorme iceberg. Ilustração do iceberg: JosepMonter via Pixabay.

Só tem coisa ruim na Deep Web?

Se a Deep Web é mais difícil de acessar e dá aos seus usuários mais privacidade e anonimato, por lá só são propagados conteúdos negativos ou criminosos? Não necessariamente.

A Deep Web também é espaço para uma espécie de bastidor da internet. É nela que ficam dados cruciais para a manutenção da rede, assim como bancos de dados acadêmicos e repositórios de algumas ONGs, por exemplo. Além disso, muita gente a utiliza para ter uma comunicação mais privada – é o caso de jornalistas que precisam driblar a censura de alguns países, por exemplo.

A Deep Web é, portanto, um espaço de muita criptografia, o que dá privacidade e anonimato para quem navega por lá. E isso pode ser usado, sim, para fins positivos, mas é inegável que essas características também propiciem um terreno bastante fértil para a disseminação de crimes.

E isso também acontece. A parte da Deep Web destinada a conteúdos criminosos é denominada de Dark Web, e geralmente carrega ainda mais camadas de criptografia e é ainda mais difícil de ser acessada. Por isso, seguindo a analogia do iceberg, a Dark Web seria a ponta extrema inferior da Deep Web. É lá que rolam solto domínios referentes a tráfico de drogas e armas, exploração infantil, tráfico de pessoas, serviços de assassinos de aluguel e outros crimes.

Também é na Dark Web que se encontram muitos fóruns de discussão, geralmente associados ao terrorismo ou à formação de quadrilha. É de fóruns como esses que os agentes cogitam que a dupla responsável pelo ataque à escola em Suzano possa ter tirado dicas de como realizar um massacre. O autor da chacina na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, também participava de fóruns parecidos.

Como acessar a Deep Web?

Apesar da parte sombria, acessar a Deep Web não é um crime. Para tal, os internautas costumam utilizar o navegador Tor, que tem acesso a esses domínios não indexados pelos buscadores (e que não abrem nos navegadores padrão).

Mas é importante ressaltar que a Deep Web geralmente é acessada por internautas que têm bastante conhecimento no que estão fazendo. Justamente por essa zona da internet ser tão anônima, ela passa a ser menos segura, tornando o dispositivo utilizado mais propício a ataques.

FONTE: ADA