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Na Indicator, os irmãos Bittar e o ex-Intel Fabio Iunis estão na trilha do 5G

Gestora aposta em internet das coisas (IoT) e tem R$ 300 milhões sob gestão, com fundo ainda em captação

Fabio Iunis e os irmãos Thomas e Derek Bittar: o trio do ciclismo e deep tech nacional — Foto: Divulgação

Muitos investidores ainda avaliam os potenciais da tecnologia 5G e como se posicionar nessa nova corrida, mas os irmãos Derek e Thomas Bittar já a aguardavam ansiosamente. A dupla fundou a Indicator Capital em sociedade com o ex-Intel Fabio Iunis, e a gestora que soma R$ 300 milhões em dois fundos voltados a deep tech e IoT foi a primeira casa a ter dedicado um veículo ao tema no país — e está mantendo o apetite.

“Se conhecerem uma boa empresa de IoT, apresente para nós”, disse Thomas recentemente a um público especializado que o assistia num painel promovido pela Abvcap em São Paulo.

No portfólio do fundo mais recente, levantado no ano passado, são sete startups que aplicam internet das coisas desde o agro ao varejo. “Nos posicionamos como o primeiro capital institucional para early stage em IoT. Às vésperas do 5G, a gente se sente muito privilegiado em termos de oportunidades”, diz Derek ao Pipeline. “A nossa missão é impulsionar empreendedores de deep tech, em especial os brasileiros. Temos investidores de peso como observadores no board e isso permite explorar sinergias.”

Fruto da experiência dos dois irmãos no mercado financeiro — Thomas na área de M&As em bancos como J.P. Morgan, Bradesco e na Gávea, Derek com gestão de portfólios no Itaú e no Safra — e do conhecimento em inovação de Iunis, que foi diretor do CVC Intel Capital no Brasil, a Indicator foi criada em 2014, em meio a um ainda nascente venture capital brasileiro. Apaixonados por tecnologia (e ciclismo, o esporte que os aproximou), montaram uma tese ainda pouco explorada no Brasil.

“O Fabio Iunis lidava com tecnologia hardcore mesmo e pegou a bolha das pontocom na Nasdaq. Eu também vi acontecer, da Bloomberg, porque eu era trader nessa época. Thomas já estava trabalhando com M&As”, lembra. “Quando nos conhecemos, a gente sabia que o mercado de venture capital ia acontecer no Brasil. E padeiro sabe fazer pão.”

Derek é “o cara de humanas” da firma, à frente da gestão de pessoas, enquanto o irmão é CFO e Iunis, baseado no Vale do Silício, cuida da estratégia de investimento. No início do ano passado, a Indicator ganhou um edital público lançado por BNDES e Qualcomm Ventures para aporte de R$ 85 milhões. Com a ideia inicial de captar R$ 120 milhões, a gestora acabou elevando o volume para acomodar grandes investidores corporativos estratégicos para a tese., como Banco do Brasil, Multilaser, Motorola/Lenovo e Telefônica. O fundo acabou engordando para um first closing de R$ 240 milhões.

Desde maio de 2021, o fundo investiu R$ 70 milhões. Com cheque médio de R$ 10 milhões, o fundo deve subir das atuais sete investidas para algo em torno de 30, entrando principalmente em rodadas série A.

O primeiro aporte, de R$ 4 milhões, foi na Monuv, que aplica inteligência artificial ao sistema de câmeras de monitoramento. Também investiram na CTA Smart, que controla o consumo de combustível em frotas, a InfoPrice, de BI, Beegol, de customer success, a Rúmina, de agro, e a SYOS, que faz gestão de refrigeradores.

A mais recente no portfólio é a IBBX, startup que desenvolveu um método de captação de energia no ambiente e recarga de baterias à distância. Com aplicações mais óbvias, como carregar todos os celulares de uma sala sem a necessidade de conexão, a tecnologia tem sido aplicada na indústria eliminando a figura do “battery guy”: funcionários que passavam o dia trocando pilhas e baterias do maquinário. A Indicator aportou US$ 3 milhões em junho.

No primeiro fundo, a Indicator já realizou quatro saídas. Em julho, a Social Miner foi vendida para Locaweb por R$ 22 milhões. Antes disso, em abril, a IOUU foi adquirida pelo Letsbank, a Threedy.ai pela Nextech AR e a TEVEC entrou para a estrutura da Infracommerce. A tese do fundo foi a semente para o sucessor, apostando em seed de startups com foco em nuvem, dados e inteligência artificial.

“A gente não é obcecado pelo crescimento que leva ao IPO. Queremos que as nossas investidas consigam gerar a fagulha da transformação digital na indústria e nas grandes empresas do país. É capital estratégico”, diz o gestor. O segundo fundo da Indicator ainda tem captação aberta, para um final closing.

FONTE: https://pipelinevalor.globo.com/negocios/noticia/na-indicator-os-irmaos-bittar-e-o-ex-intel-fabio-iunes-estao-na-trilha-do-5g.ghtml