maio 06

N26, o “Nubank alemão”, recebe aporte de US$ 100 milhões

O presidente do N26 afirmou à CNBC que a companhia quer estar “bem preparada” para os impactos financeiros do novo coronavírus, mas que não falta caixa

N26: banco alemão criado em 2013 tem 5 milhões de clientes (N26/Divulgação)

 

banco digital alemão N26, criado em 2013, anunciou um aporte de 100 milhões de dólares com o objetivo de se preparar para a crise do novo coronavírus. A informação foi divulgada à rede de televisão britânica CNBC.

O investimento foi liderado por investidores que já haviam aportado antes no N26, como a empresa de tecnologia chinesa Tencent e a Valar Ventures, fundo de capital de risco do empresário americano Peter Thiel, criador do PayPal. O N26 afirma que o aporte é uma estensão de sua rodada de investimento série D, anunciada no ano passado.

Ao todo, o banco digital já levantou 770 milhões de dólares em aportes e tem valor de mercado de 3,5 bilhões de dólares. À CNBC, o presidente do N26, Valentin Stalf, classificou a rodada de investimentos como “bem-sucedida”, sobretuda em meio às incertezas que se abataram sobre o mercado de capitais neste ano em meio à pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

A crise também é um dos motivos por trás da decisão do N26 de levantar mais dinheiro. Stalf disse que quer estar “bem preparado” para enfrentar a crise. O uso do N26 caiu em março no começo do lockdown, com redução dos gastos por parte da população, mas o N26 diz que, à medida em que a quarentena avançou, as trasanções se recuperaram.

Também tem havido uma alta no uso de serviços bancários digitais, diz o N26, incluindo entre clientes acima de 65 anos, segundo a empresa.

Apesar da tendência que beneficia bancos digitais durante o isolamento, Stalf diz que o N26 está “revisando cada linha” de seus custos e que cortou verba de marketing.

Um dos problemas do setor financeiro em meio à crise deve ser o aumento da inadimplência. A projeção fez mesmo os grandes bancos brasileiros, como Itaú e Bradesco, aumentarem suas provisões para perdas esperadas com calotes, o que levou à redução do lucro já no primeiro trimestre.

O executivo do N26 afirma que, embora tenha decidido por conseguir um novo aporte, o N26 não está com caixa baixo. “Sempre fomos uma empresa bem financiada. Para nós é uma oportunidade de levantar mais capital”, disse. “Com a crise econômica gerada pela covid-19, eu acho que nós como empresa estamos ao menos nos preparando para um impacto que ainda vai estar acontecendo no fim do ano.”

O N26 tem 5 milhões de clientes na Europa, sendo um dos maiores em meio à onda de bancos digitais que tomou conta da Europa e do mundo na última década. Os bancos digitais possuem modelo de negócio com menor presença física, sem agências, e angariam clientes com serviços como conta e cartão de crédito com taxas mais baixas ou inexistentes.

Valentin Stalf, presidente do N26: chegada ao Brasil prometida para 2019 não aconteceu (Noam Galai/Getty Images)

Chegada ao Brasil

O banco alemão chegou a anunciar que começaria a operar no Brasil ainda no ano passado e tem até hoje no ar uma página para que clientes se cadastrem na lista de espera. A fintech, contudo, não se pronunciou mais sobre a entrada no país. A crise do coronavírus certamente ajuda a atrasar os planos.

No mercado brasileiro, o N26 enfrentaria rivais consolidados. O maior representante da categoria é o Nubank, também criado em 2013. Criado como um cartão de crédito sem anuidade e depois espandindo a operação para outros serviços, o Nubank tem hoje mais de 20 milhões de clientes no Brasil e valor de mercado de 10 bilhões de reais. A fintech iniciou no ano passado uma expansão para outros países da América Latina, como Argentina e México.

Nomes como C6 Bank, com mais de 1 milhão de clientes, o Neon, com 2 milhões, e Banco Inter, com mais de 4 milhões, também vêm ampliando o oferecimento de produtos bancários digitais.

FONTE: exame.abril.com.br