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Mudanças no setor financeiro devem ir além das fintechs, indica relatório do Fórum Econômico Mundial e da Deloitte

Mudanças no setor financeiro devem ir além das fintechs, indica relatório do Fórum Econômico Mundial e da Deloitte

Estudo aponta que fintechs representam o começo de uma série de forças transformadoras que mudam o ritmo das inovações da indústria financeira

O advento das fintechs – startups dedicadas à oferta de produtos e serviços disruptivos no mercado financeiro – mudou o cenário da indústria financeira, mas ainda não impactou diretamente na competitividade da cadeia. Essa é uma das conclusões do relatório “Além das Fintechs: uma avaliação pragmática do potencial disruptivo nos serviços financeiros”, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial e pela Deloitte.

“As fintechs alteraram a forma como os serviços financeiros são estruturados, caracterizando o início das mudanças que irão compor o futuro do setor. No Brasil, onde o mercado financeiro está entre os mais desenvolvidos do mundo, as mudanças acompanham o ritmo de evolução dos principais polos internacionais. Por vezes, até com mais intensidade”, afirma Paschoal Baptista, sócio-líder de TI para a Indústria de Serviços Financeiros da Deloitte.

De acordo com o estudo, as fintechs mudaram o ritmo de inovação e remodelaram as expectativas dos clientes em todo o ecossistema de serviços financeiros, criando as bases para futuras disrupturas na indústria.

O sucesso das fintechs na mudança da base da concorrência, bem como o ritmo crescente do uso das tecnologias, significa que os operadores tradicionais têm potencial para melhorar rapidamente, mas também enfrentarão novas rupturas de paradigmas.

“Vivemos um momento em que a inovação é fator primordial na perspectiva daqueles que prestam serviços financeiros. Acompanhar as transformações e a nova dinâmica imposta a esse mercado é o grande desafio dos agentes que operam no segmento, sejam aqueles que estão do lado das instituições tradicionais, sejam os que operam na ponta disruptiva”, avalia Sergio Biagini, sócio da Indústria de Serviços Financeiros em Consultoria da Deloitte.

No entanto, segundo a análise, muitas fintechs têm se esforçado para alcançar escala em seus atendimentos diante dos altos custos das mudanças. Enquanto isso, as instituições financeiras tradicionais conseguiram recuperar o atraso, tratando a proliferação de fintechs como um balcão para a captura de novas capacidades, o que lhes permite usar aquisições e parcerias para implantar rapidamente produtos e serviços inovadores.

O relatório identifica oito fatores que têm potencial de transformar a paisagem dos serviços financeiros. Dentro desses fatores, três deles têm destaque:

– Ascensão das plataformas: O aumento de ofertas permitindo escolha ao consumidor terá profundas implicações na concepção e distribuição de produtos, e provavelmente irá forçar as empresas a adotarem mudanças de papéis. As plataformas que oferecem soluções que permitem envolver ofertas vindas de diferentes instituições financeiras em um único canal podem se tornar o modelo dominante para a entrega de serviços no setor. O avanço dessas plataformas, com Open Banking, provavelmente irá levar à reformulação dos serviços financeiros, passando das atuais organizações claramente definidas para um perfil de entidades intercambiáveis. Isso pode exigir que os proprietários da plataforma sejam gerenciadores de ecossistemas eficientes, equilibrando as necessidades entre os que oferecem produtos e a demanda do cliente;

– Regionalização financeira: Diferentes prioridades regulatórias, capacidades tecnológicas e necessidades dos clientes têm desafiado a narrativa que aponta para o avanço da globalização financeira, abrindo caminho para modelos regionais de serviços financeiros adequados às condições locais. Mesmo as empresas globais podem precisar de estratégias distintas para conquistar vantagens competitivas regionais e se integrar aos ecossistemas locais. Enquanto isso, as fintechs provavelmente enfrentarão sérios obstáculos para se estabelecer em múltiplas localidades, mesmo que a tecnologia reduza barreiras a essa entrada. Operadores podem se tornar parceiros atraentes para fintechs que procuram entrar em novos mercados, à medida em que procuram oportunidades para adquirir rapidamente escala de atuação;

– Empresas de Tecnologia sistemicamente importantes: Os esforços das instituições financeiras tradicionais para imitar as principais capacidades das empresas de alta tecnologia provavelmente levarão a uma dependência cada vez maior em relação a essas últimas. Por exemplo, à medida que as instituições financeiras buscam aprimorar as experiências digitais de seus consumidores, elas dependerão cada vez mais da infraestrutura baseada em nuvem de alta tecnologia para ganhar escala, implantar processos e aproveitar a Inteligência Artificial como um serviço. Enquanto as instituições financeiras buscam novas vantagens para aumentar sua pegada competitiva, elas terão de fazer escolhas difíceis: se tornar dependentes de empresas de alta tecnologia, ou correr o risco de se atrasar em relação às ofertas tecnológicas, caso minimizem o engajamento para proteger sua independência.

Os demais cinco fatores de transformação observados no relatório incluem:

– Comoditização de custos: As empresas estão explorando novas tecnologias e trabalhando com outras organizações para acelerar a comoditização de suas bases de custos e poder preservar suas margens e concentrar-se em estratégias mais promissoras;

– Redistribuição do lucro: A tecnologia provavelmente permitirá que as organizações ignorem as cadeias de valor tradicionais, permitindo a redistribuição de lucros;

– Propriedade da experiência: O poder será provavelmente transferido para os proprietários das interfaces de atendimento ao cliente; os provedores de serviços devem, portanto, se tornar hiperdimensionados ou hiperfocados;

– Monetização de dados: Em um futuro em que os dados são cada vez mais importantes, a propriedade e o controle destes se tornarão uma questão chave para todas as partes interessadas; e

– Força de trabalho biônica: Como a capacidade das máquinas para replicar os comportamentos humanos continua a evoluir, as instituições financeiras provavelmente precisarão administrar a mão de obra e o capital intelectual como um único conjunto de capacidades.

Sobre o estudo

Em linha com a missão do Fórum Econômico Mundial de aplicar uma abordagem multisetorial para tratar questões de impacto global, a criação deste relatório envolveu ampla divulgação e diálogo com numerosas organizações e indivíduos. Eles incluíram o Fórum de Serviços Financeiros, comunidades de inovação de tecnologia, profissionais da academia e do setor público.

Após três anos de pesquisas sobre o papel transformador das fintechs, o relatório envolveu, mais de 150 entrevistas e 10 workshops internacionais, incentivando o diálogo colaborativo para discutir insights e oportunidades sobre o setor de serviços financeiros. A fase final da pesquisa está baseada em pesquisa da Deloitte e em relatório do Fórum Econômico Mundial de 2015, realizando uma exploração mais ampla das forças que reformulam o ecossistema de serviços financeiros.

Sobre a Deloitte

A Deloitte oferece serviços de auditoria, consultoria empresarial, assessoria financeira, gestão de riscos e consultoria tributária para clientes públicos e privados dos mais diversos setores. Atendemos a quatro de cada cinco organizações listadas pela Fortune Global 500®, por meio de uma rede globalmente conectada de firmas-membro em mais de 150 países, trazendo capacidades de classe global, visões e serviços de alta qualidade para abordar os mais complexos desafios de negócios dos clientes. Para saber mais sobre como os 263.900 profissionais da Deloitte impactam positivamente nossos clientes, conecte-se a nós pelo Facebook, LinkedIn e Twitter. No Brasil, onde atua desde 1911, a Deloitte é uma das líderes de mercado, com seus 5.500 profissionais e com suas operações em todo o território nacional, a partir de 12 escritórios.

A Deloitte refere-se a uma ou mais entidades da Deloitte Touche Tohmatsu Limited, uma sociedade privada, de responsabilidade limitada, estabelecida no Reino Unido (“DTTL”), sua rede de firmas-membro, e entidades a ela relacionadas. A DTTL e cada uma de suas firmas-membro são entidades legalmente separadas e independentes. A DTTL (também chamada “Deloitte Global”) não presta serviços a clientes. Consulte www.deloitte.com/about para obter uma descrição mais detalhada da DTTL e suas firmas-membro.

FONTE: segs