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Mercado Livre vale mais de US$ 34 bi

Por Adriana Mattos e Flávia Furlan

De São Paulo – Tolda, vice-presidente para a América Latina do Mercado Livre: “Voltamos a crescer no Norte e no interior do Nordeste” O Mercado Livre registrou lucro líquido de US$ 16,2 milhões de abril a junho, após registrar perda de US$ 11,2 milhões no mesmo período de 2018 no mundo. É o segundo resultado positivo trimestral, após ter registrado perda no acumulado do ano passado, segundo dados publicados ontem. No Brasil, as vendas subiram 89% em moeda local – a empresa não publica dados de lucro ou prejuízo por país. Os resultados do segundo trimestre superaram as projeções dos analistas e as ações fecharam ontem em alta de 12,1% na bolsa americana Nasdaq, a US$ 688,1.

Após ter ultrapassado, em junho, o Twitter em valor de mercado – posição que se manteve desde então – ontem, o Mercado Livre chegou se aproximar do valor do eBay ao longo do pregão. O Mercado Livre fechou o dia cotado a US$ 34,2 bilhões. O eBay terminou a quinta-feira valendo um pouco mais – US$ 34,59 bilhões, segundo a bolsa. É o caso da criatura valendo quase o mesmo que o criado. O Mercado Livre surgiu no fim dos anos 90, após o movimento aberto pelo eBay (e outras marcas) na construção de uma nova era do comércio on-line. O eBay vende cinco vezes mais que o Mercado Livre ao ano e é o segundo maior “marketplace” (shopping on-line) dos EUA, atrás da Amazon.

O eBay perdeu terreno para a Amazon na última década, pela força construída pela rival entre os lojistas do site e pelo nível de serviço avaliado como menos eficiente, dizem analistas. “A alta [no preço do papel] é um reflexo dos números do segundo trimestre. Voltamos ao lucro, mas isso também não é uma preocupação. Temos investido muito e o ‘bottom-line’ pode acabar tendo algum impacto com isso”, disse ontem o vice-presidente de operações do Mercado Livre, Stelleo Tolda. Aumentos em despesas pressionam margem e podem afetar lucro. A companhia teve receita líquida de US$ 545,2 milhões de abril a junho, alta de 62,6%. A operação no Brasil respondeu por 55% da receita, ou US$ 302 milhões, expansão de 64%. Em moeda local, a alta foi de 89%.

“Voltamos a crescer no Norte e no interior do Nordeste e ainda tivemos uma base de comparação fraca no segundo trimestre de 2018. Isso explica, em parte, a alta no Brasil [de abril a junho]”, disse Tolda. No ano passado, a greve dos caminhoneiros e a Copa do Mundo reduziram a atividade do comércio em maio. Sobre o desempenho no Norte e Nordeste, a empresa informa que reduziu os subsídios à política de frete grátis nas regiões no ano passado, mas voltou a usar essa ferramenta no primeiro trimestre de 2019.

“Voltamos nesses locais, obviamente em cidades e com produtos em que o custo se justifica”, disse Tolda. Desde 2018, a empresa vem “ajustando” a estratégia de entrega gratuita nas compras acima de R$ 120 (lançada em 2017), para operar a ferramenta com “racionalidade”. Segundo Tolda, os recursos da oferta subsequente de ações ocorrida neste ano, no valor de cerca de US$ 2 bilhões, já entraram no caixa da empresa e a maior parte deve ser aplicada na operação de marketplace e logística. Em junho, o saldo de caixa da empresa era de US$ 1,2 bilhão – um ano atrás era de menos de US$ 500 milhões.

O volume total de pagamentos do Mercado Pago alcançou US$ 5,2 bilhões no segundo trimestre, um crescimento de 47,2% em relação ao mesmo período do ano passado. No total, foram 181,6 milhões de transações, mais do que o dobro na comparação anual. Uma parcela do aporte recente está sendo direcionada para subsídios para a compra de maquininhas e nas taxas cobradas dos varejistas. “Estamos investindo em algo que tem retorno, porque quando investimos num subsídio à maquininha, há um horizonte de retorno com os pagamentos que serão aceitos no equipamento”, afirmou Tolda.

Embora tenha subsidiado taxas, disse ele, a empresa não tem intenção de entrar na “guerra das maquininhas”. “Preferimos concorrer em produtos e serviços. Não queremos capturar muito rápido o cliente e depois perder, baseado só nesse vício de ter desconto e benefício de curto prazo.” No segundo trimestre, pela primeira vez na história da empresa, os pagamentos processados fora do Mercado Livre somaram US$ 3,2 bilhões e 120,1 milhões de transações, ultrapassando o total processado dentro da plataforma do marketplace. O executivo disse que há a intenção de tornar a marca Mercado Pago mais visível ao público, uma vez que tem um universo grande a ser explorado ainda fora do marketplace.

“Temos um terço do mercado de e-commerce no Brasil, que representa 5% do varejo, algo muito limitado. O Mercado Pago tem potencial muito além do que a fronteira do nosso marketplace.” Apesar do avanço em serviços financeiros, o executivo afirmou que o objetivo não é transformar o Mercado Livre em um banco – a empresa tem licença para operar como instituição de pagamento no país.

FONTE: VALOR ECONOMICO