maio 17

Irmãos transformam e-commerce de óculos em rede de franquias que fatura R$ 19 milhões

Maria Luiza Jabur, Fadua Jabur e Omar I. Jabur Filho são sócios da AC Brazil, que já tinha um faturamento milionário no e-commerce antes de abrir loja física. Marca decolou em vendas na pandemia

A AC Brazil nasceu em 2008, logo após Maria Luiza terminar a faculdade de moda. O negócio começou com importação de produtos, sobretudo bolsas, e vendas online. “A ideia era ser uma fast fashion”, diz a empreendedora. Logo no início, ela trouxe a irmã, Fadua, formada em administração de empresas, para o seu lado, bem como o irmão Omar, que trabalhava com importação de pneus.

Com o tempo, eles decidiram buscar por fornecedores locais, para não ficarem totalmente dependentes da importação, disponibilidade e oscilações cambiais. Uma das fábricas que eles encontraram, e que está com a empresa até hoje, deu liberdade total para que Maria Luiza criasse suas peças. Assim, ela se aventurou na confecção de acessórios como bolsas, colares, cintos e o produto que mudaria a história da empresa: óculos.

Em 2015, eles resolveram focar somente nos óculos. “Percebemos que dava muito certo, principalmente no marketing digital”, diz Omar. Marketing digital, inclusive, é uma ferramenta na qual os irmãos apostam desde antes de o Instagram se tornar uma vitrine obrigatória para o varejo. “Nosso marketing sempre foi com blogueiras, desde o início. Passamos por todas as redes sociais”, conta Fadua.

Loja física da AC Brazil: rede já tem 15 unidades em menos de dois anos (Foto: Divulgação)

Loja física da AC Brazil: rede já tem 15 unidades em menos de dois anos (Foto: Divulgação)

A primeira collab foi em 2020, com a influenciadora Luisa Accorsi. Eles tinham acabado de fechar toda a campanha quando a pandemia foi decretada. Resolveram apostar mesmo assim e tiveram êxito. Logo, já fecharam a segunda colaboração, dessa vez com a influenciadora Caroline Celico. Com a visibilidade das influenciadoras e a pegada digital que a marca já tinha, 2020 vinha se tornando o melhor ano em vendas da história da marca até então. Em 2019, o faturamento tinha sido de R$ 1,6 milhão; no primeiro ano de pandemia saltou para R$ 8,5 milhões.

O varejo físico já estava no radar dos três havia alguns anos, desde que começaram a perceber os resultados das vendas dos produtos no atacado: os óculos da AC Brazil são comercializados em cerca de 300 lojas multimarcas.

Com a disponibilidade de bons pontos em shopping centers causada pela crise sanitária, eles foram sondados por alguns empreendimentos e resolveram apostar. “Deu muito certo. Postamos a foto da loja no Instagram e já recebemos centenas de mensagens de pessoas querendo abrir franquia”, afirma Fadua. Em dezembro do mesmo ano, abriram a segunda loja própria em Brasília.

Os óculos da AC Brazil são produzidos nacionalmente, e marca consegue abastecer lojas em até 40 dias (Foto: Divulgação)

Os óculos da AC Brazil são produzidos nacionalmente, e marca consegue abastecer lojas em até 40 dias (Foto: Divulgação)

No mesmo mês, eles acabaram cedendo ao pedido de uma das empreendedoras que os sondaram e abriram a primeira franquia. No entanto, perceberam que precisariam de um trabalho de formatação do negócio para uma expansão mais assertiva. Assim, buscaram uma consultoria especializada para apoiá-los no projeto, o Grupo Bittencourt. Huberto Damas, diretor de estratégia e transformação da consultoria, explica que uma das primeiras medidas adotadas para a formatação foi ouvir o próprio consumidor da marca.

“Na época, a conclusão foi pela expansão com quiosques em shoppings centers, um modelo que chegou a ser testado pela marca e que mostrou ter potencial para ser replicado em escala.” Damas também comentou sobre como ajudou a marca nativa digital a se estruturar para franquear, mesmo com pouco tempo de operação no varejo físico. “Sempre que apoiamos uma empresa que deseja atuar no franchising fazemos uma orientação importante sobre a responsabilidade não só em relação ao negócio, mas também na vida dos franqueados que vão investir na marca. Não é uma jornada fácil, mas tende a ser recompensadora”, afirma.

Quiosque é o modelo prioritário da AC Brazil para a expansão de franquias (Foto: Divulgação)

Quiosque é o modelo prioritário da AC Brazil para a expansão de franquias (Foto: Divulgação)

Hoje, a rede está com 15 unidades abertas, sendo nove franqueadas. O objetivo é crescer de forma conservadora, e chegar a 20 lojas em 2022, com um faturamento total de R$ 33 milhões. “A principal dor do crescimento é dar o match entre franqueado e um bom ponto. Hoje os nossos franqueados estão indo bem, querendo abrir mais quiosques, mas optamos por analisar cada loja com cuidado”, explica Omar. O tíquete médio nos canais físico e digital tem sido o mesmo, em torno de R$ 300. O produto mais barato da marca custa R$ 275.

Atualmente, 60% do faturamento ainda vem do e-commerce, e o franqueado é beneficiado com desconto em taxas pagas à franqueadora a cada vez que uma venda é realizada no site por sua indicação, em casos de falta do item no estoque, por exemplo. A venda omnichannel faz parte dos planos futuros da marca.

O investimento inicial para se tornar um franqueado da AC Brazil é entre R$ 200 mil e R$ 250 mil para o quiosque. O valor já contempla taxa de franquia, capital de giro e estoque inicial. A marca também não descarta operar com lojas maiores e em pontos de rua, mas o investimento é analisado caso a caso.

FONTE: https://revistapegn.globo.com/Franquias/noticia/2022/05/irmaos-transformam-e-commerce-de-oculos-em-rede-de-franquias-que-fatura-r-19-milhoes.html