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Grãos da fabricação de cerveja viram bioplástico e “alimentam” indústrias de outros setores

A biotech americana Mi Terro desenvolveu uma tecnologia a partir dos resíduos da produção de comida e bebida para criar um produto 100% reciclável e compostável.

Robert Luo, da Mi Terro, com o filme flexível feito com grãos de cerveja

O futuro da alimentação não mira apenas o prato posto à mesa. Sistemas verdadeiramente sustentáveis, inovadores e inclusivos também se constroem com os efluentes da indústria agroalimentar. E, aos 33 anos, o empreendedor Robert Luo é um aficionado pelos resíduos da produção de comida e bebidas.

Formado em administração pela University of Southern California, nos Estados Unidos, o jovem quer transformar o lixo da cadeia alimentícia em matéria-prima de valor para os mais diversos setores da economia. Assim nasceu, cinco anos atrás, em parceria com o bioquímico Shengfu Chen, um amigo seu de infância, a Mi Terro.

O foco atual da startup de biotecnologia está na conversão dos restos dos grãos usados na fabricação de cerveja em bioplástico. A Mi Terro desenvolveu uma tecnologia capaz de isolar as proteínas, fibras e amido dos resíduos, para, em seguida, transformá-los em polímeros biodegradáveis e compostáveis.

Do processo, nasce um filme flexível, muito parecido com o PVA, que pode ser usado, por exemplo, na fabricação de embalagens, roupas e até lentes de contato. Segundo Luo, atual CEO, o produto da Mi Terro é de 20% a 40% mais barato do que os materiais de base biológica, já disponíveis no mercado.

A inovação proposta pela biotech chamou a atenção da 100+ Accelerator, aceleradora fruto da colaboração entre AB Inbev, Coca-Cola, Colgate-Palmolive e Unilever. Graças à entrada da Mi Terro no ecossistema de inovação das quatro gigantes, Luo e Chen fecharam dois projetos importantes. Um deles foi com a Budweiser, na China, para a fabricação dos rótulos da cerveja. O outro, com a Unilever, na confecção dos invólucros para os tabletes de detergente e sabão, usados nas máquinas de lavar louças e roupas.

Tecido lácteo

Desde a fundação, a biotech levantou US$ 2,1 milhões, conforme estatísticas da plataforma Crunchbase. O principal investidor é a americana Astanor Ventures, empresa de VC dedicada às empresas de tecnologias agrícolas e de alimentos.

Luo despertou para a importância de dar um destino mais digno aos restos da produção agroalimentar durante uma visita à fazenda de gado leiteiro de um tio, na China. Ele ficou impressionado com a quantidade de leite apodrecendo nos galões.

Um dos clientes do produtor rural havia mudado de fornecedor e todo aquele alimento seria descartado como lixo. “Será que não existe uma maneira de vendermos esse leite estragado”, quis saber o fazendeiro.

De volta para casa, em Los Angeles, Luo convidou Chen e os dois fundaram a Mi Terro. Em dois anos, ele e o bioquímico lançaram a primeira camiseta do mundo feita de fibras de leite. O “tecido lácteo” foi desenvolvido a partir da proteína caseína.

Em entrevista à plataforma TechCrunch, o empreendedor relata ter vendido US$ 100 mil, com o têxtil. Mas, logo eles perceberiam que, no estágio atual da tecnologia, seria impossível competir com o fio poliéster, que é muito mais barato.

Quando a Mi Terro foi escolhida para integrar o 100+ Accelerator, Luo e Chen descobriram que a tecnologia inventada por eles poderia ser aplicada a outros tipos de resíduos, para a produção de diversos produtos.

FONTE:

https://neofeed.com.br/futuro-da-alimentacao/graos-da-fabricacao-de-cerveja-viram-bioplastico-e-alimentam-industrias-de-outros-setores/