nov 26

Futuro da cirurgia será virtual

A pandemia colocou o mercado global de saúde em evidência. Healthtechs, startups da área de saúde, levantaram mais de US$ 10 bilhões em Venture Capital na Europa e nos EUA, superando o total do ano anterior com tempo de sobra. No Brasil, há um movimento semelhante, em que “as empresas desse setor ganharão um estímulo a mais para produzir mercadorias que possam ser úteis à população”, na avaliação do analista de investimentos Ilan Arbetman.

Por conta de particularidades da pandemia, como o isolamento social e o vírus em si, ganham destaque tecnologias de telemedicina e desenvolvimento de vacinas. No entanto, as salas de operação nos hospitais também estão sujeitas à inovação neste cenário. O mercado de tecnologia cirúrgica é avaliado em mais de US$ 14 bilhões e já causa impactos no sistema brasileiro de saúde.

Em breve, as salas de operação dos principais hospitais no mundo não apenas estarão repletas de máquinas inovadoras como terão todas elas interconectadas a sistemas de inteligência artificial, robótica e realidade aumentada, com todo o potencial da rede 5G. De maneira geral, todas essas tecnologias convergem para “estender a capacidade sensorial e analítica do cirurgião”, afirma o Dr. Husain Abbas, diretor de cirurgia robótica do hospital de Jacksonville.

Um projeto realizado em parceria entre a SAP e a Universidade de Heidelberg, na Alemanha, buscou criar um conceito de sala de operação inteligente. “Durante uma operação, há muitos dados coletados: sobre os dispositivos e sobre os pacientes, além das imagens”, afirma a Dra. Magdalena Görtz, assistente médica do departamento. Em uma plataforma digital criada pela empresa de tecnologia, todos esses dados são concentrados, analisados e geram insights para os profissionais.

Cada vez mais, a tendência é que o cirurgião fique em um espaço anexo ao procedimento, controlando os robôs remotamente, recebendo insights gerados por IA e resultados em tempo real de exames diversos. Tudo isso em uma mesma sala, sem necessidade de mover o paciente entre departamentos. Na visão do cirurgião Dennis Lund, do Hospital Pediátrico de Stanford, isso se traduz em “menor tempo de exposição do paciente à radiação, menos tempo sob anestesia e uma passagem mais rápida pelo hospital de forma geral”.

Em entrevista exclusiva, o Dr. Carlos Abath, cirurgião do Real Hospital Português, em Recife, revela o potencial de um novo equipamento da Canon para procedimentos cirúrgicos. Ele aponta para a necessidade de capacitar profissionais de saúde para lidar com as novas tecnologias.

FONTE: https://theshift.info/