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Espanha testa torres telescópicas para energia eólica

Em Las Palmas de Gran Canaria, Espanha, a paisagem tem estado a mudar. O mar é a casa de novos moinhos. São torres de energia eólica, que parecem iguais a outras tantas, noutros mares. Mas quem as desenvolveu garante que não.

Um protótipo, que já está a fornecer energia para cinco mil famílias, foi concebido com uma tecnologia telescópica especial de forma a permitir uma instalação mais rápida, eficiente e barata em ambiente marítimo.

Está localizado a apenas meia hora de barco do porto principal da ilha e levou quase quatro anos para se tornar realidade. Com uma potência atual de cinco megawatts, é um modelo único pela forma como foi construído e instalado.

Tanto a base de betão, como a torre foram construídas em terra, para, de seguida, serem rebocadas por navios até ao local escolhido para a implantação da plataforma, a uma profundidade de 30 metros.

A fundação foi lastrada com água do mar e as seções da torre erguidas de forma telescópica, através de um sistema de elevação automática, que permite montar a torre e a turbina até à posição final.

De acordo com a equipa de desenvolvimento, da empresa Esteyco, os custos de instalação foram reduzidos em 35% quando comparados aos dos moinhos de vento marítimos comuns, nos quais fundações, torres, turbinas e pás têm ser montadas no local de implantação.

A manutenção, dizem os especialistas, está dentro dos padrões normais.

Os responsáveis pelo protótipo garantem que todo o sistema foi concebido de forma a poder ser adaptado a turbinas maiores e com uma potência até 12 megawatts, prestes a entrar no mercado.

Mas seja qual for o tamanho da turbina, o maior desafio para a equipa é a estabilidade das plataformas marítimas.

O engenheiro civil José Serna, explica que “devido à sua configuração, uma turbina eólica marítima é o pior cenário para garantir estabilidade. A turbina representa muito peso na parte mais elevada de toda a estrutura, onde é colocada. Isso aumenta os centros de gravidade e torna a estabilidade mais difícil de alcançar. Daí a ideia da torre telescópica. Ao baixar a turbina, também baixamos os pesos, o que aumenta a estabilidade na água”.

Os engenheiros procuram agora melhorar algumas configurações técnicas tendo em vista futuras oportunidades de mercado, o que para Javier Nieto, diretor do departamento marítimo da empresa responsável pela montagem das torres eólicas, ainda pode demorar, uma vez que “o mercado de tecnologias marítimas avança muito lentamente. Precisamos de ir passo a passo, o que significa qure o trabalho conceptual que estamos a fazer agora só irá traduzir-se em parques eólicos operacionais a partir de 2024 “.

FONTE: EN