abr 18

“Encanamentos inteligentes e outras inovações capazes de acelerar obras”

“Dispositivos possibilitam acompanhar aspectos técnicos da obra como cálculo do Índice de Maturidade do Concreto.”
“De acordo com uma previsão feita pela Microsoft, até 2020 as smart homes serão responsáveis pela geração de 50 Gb de dados diariamente em 30 bilhões de dispositivos conectados ao redor do globo. Mas nem só de ativação via comando de voz se faz uma casa inteligente.”
“A ciência vem desenvolvendo nos últimos anos produtos que levam a inovação para as diferentes fases da construção – do preparo do concreto à manutenção. Durante a feira Consumer Technology Association (CES), realizada em janeiro em Las Vegas, nos Estados Unidos, a historiadora Susan Schreiner disse que o futuro das smart homes passará pelo aprimoramento do tripé Conforto e Segurança, Gerenciamento de Energias e Simplificação.”

“Por meio da integração entre os componentes, as casas devem se afastar cada vez mais da necessidade de um smartphone para dar os comandos, mas só isso não é suficiente. De acordo com o engenheiro civil Mauro Lacerda Santos Filho, doutor em engenharia estrutural e professor da UFPR, para que sejam de fato transformadoras, as casas inteligentes precisarão ser mais acessíveis financeiramente, mais fáceis de usar, mais conectadas com o resto do mundo e mais duráveis.”

“Tudo isso [as tecnologias] precisa funcionar ativamente com a mesma vida útil que o edifício, que é de 50 anos. Equipamentos são apenas ferramentas para colocar e tirar. Hoje, você precisa de entrada de energia para um computador. Daqui a alguns anos, você vai precisar de uma entrada de energia para 10 computadores. Aí você tira um sistema e coloca outro. Essa intercambialidade precisa existir. Um edifício inteligente é aquele que tem um nível hierárquico inteligente”, explica.

“Enquanto essa mudança não se verifica na prática, a ciência e o mercado de inovação em construção se esforçam para desenvolver produtos que possam trazer as novidades para dentro de casa e oferecer dispositivos e ferramentas que tornem mais fáceis tanto o processo de construção quanto a usabilidade e a manutenção. Veja a seguir algumas tecnologias que já chegaram ou poderão chegar ao mercado brasileiro nos próximos anos visando a democratização do uso das inovações dentro de casa.

Encanamento inteligente

“Atire a primeira pedra quem nunca teve problemas com vazamentos não identificados. Encanamentos ficam obsoletos e identificar onde, afinal, está o problema pode ser muito difícil. Imagine se você pudesse ter um sistema que faz esse reconhecimento por você?”

“A empresa francesa Flovea apresentou recentemente uma novidade que permite fazer o acompanhamento do sistema hidráulico da residência por meio do smartphone. A Flowbox Interactive é um esquema de integração dos canos e demais equipamentos que envolvem o fluxo da água, criado para que todos os dados envolvendo este recurso estejam ao alcance da mão do usuário.”

“Ele garante desde a medição e controle de temperatura da água, até sua qualidade e níveis de consumo. A Flowbox permite, ainda, identificar vazamentos e possíveis níveis de contaminação. A novidade já está disponível para venda na França e deve chegar ao Brasil também em breve.

Scanners”
“Outra forma de identificar problemas no encanamento, mas não apenas isso, são os diferentes tipos de scanner que estão cada vez mais presentes no mercado da construção. Lançado no Brasil no final de 2018, o Walabot é um exemplo.”

“Trata-se de um dispositivo que permite ver a parte interna de uma parede, de forma a identificar problemas de estrutura, rachaduras, falhas no concreto, entre outros. “É um produto bem simples, qualquer pedreiro, encanador, eletricista, até mesmo uma pessoa que quer pendurar um quadro em casa pode usar para não furar um cano, por exemplo”, explica Sandro Marin, diretor do Grupo Tek, do qual faz parte a Tek Energy, empresa especializada em tecnologias para sustentabilidade e construção civil. Desenvolvido em Israel, o Walabot já é vendido no Brasil e custa R$ 889.

Sensores e mais sensores”

“Temperatura, fumaça e qualidade do ar são apenas alguns dos fatores que podem ser medidos com sensores que vêm sendo desenvolvidos nos últimos anos por uma grande variedade de marcas, com diversos níveis de eficiência e finalidades.

Uma tecnologia desenvolvida pela Vayyar, por exemplo, permite escanear o ambiente em eventos como um incêndio e, em um ambiente coberto pela fumaça, identificar onde estão as pessoas que precisam ser resgatadas.”
“Segurança na obra
Durante a construção de uma casa ou edifício, é fundamental se certificar que todos os cálculos sejam feitos adequadamente e que cada etapa foi concluída visando a segurança da edificação. Para auxiliar neste processo, dispositivos tecnológicos como o Sense Concrete podem contribuir para garantir a apuração correta das informações da obra.”

“Ele permite calcular automaticamente o Índice de Maturidade do Concreto, rastreando mudanças na temperatura do material fresco ao longo do tempo. O sistema do Sense Concrete possibilita o planejamento efetivo de operações da construção como aquecimento, umedecimento durante o processo de vazamento, remoção de formas, entre outros.

Sem monitoramento de maturidade, a resistência do concreto no local é estimada através da realização de testes compressivos em laboratório. Confiar apenas em testes de laboratório requer vários espécimes e pode desperdiçar tempo valioso se o concreto de um projeto atingir força suficiente antes dos intervalos de teste padrão.”

FONTE: GAZETA DO POVO