dez 02

Em breve, 1 em cada 15 pontos de luz no céu será um satélite. Entenda por que isso é um problema

Uma pesquisa divulgada em formato de pré-print na plataforma arXiv, e já aceita para publicação pelo periódico científico The Astronomical Journal, revela previsões de como será o céu noturno se as empresas de satélites prosseguirem no ritmo atual de atividade, sem que haja uma regulamentação adequada.

De acordo com a autora do estudo, Samantha Lawler, Ph.D. em Astronomia pela Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, se as coisas continuarem como estão, em breve, um em cada 15 pontos de luz no céu será um satélite. “Isso será devastador para a pesquisa em astronomia e mudará completamente o céu noturno em todo o mundo”, lamenta Lawler.

Para descobrir o quão gravemente o céu será afetado pela luz do Sol refletida em megaconstelações de satélites planejadas, a equipe liderada pela cientista construiu um modelo computacional de código aberto para simular o brilho desses satélites visto de diferentes lugares da Terra, em diferentes horas da noite, em diferentes estações do ano. “Também construímos um aplicativo da web simples com base nesta simulação”, afirmou Lawler em um artigo que escreveu para o site The Conversation.

Brilho dos satélites atrapalha observações astronômicas

Segundo a pesquisadora, o modelo usa 65 mil satélites nas órbitas preenchidas por quatro empresas: SpaceX Starlink e Amazon Kuiper (EUA), OneWeb (Reino Unido) e StarNet / GW (China). Ela explica que a simulação foi calibrada tendo como referência as medidas dos satélites Starlink, já que esses são os mais numerosos.

Satélite da Starlink
Satélites da Starlink foram usados como referência para criação de modelo computacional da pesquisa. Imagem: AleksandrMorrisovich/Shutterstock

“Nossas simulações mostram que, de todos os lugares do mundo, em todas as estações, haverá dezenas a centenas de satélites visíveis por pelo menos uma hora antes do nascer do Sol e após o pôr do Sol”, disse Lawler.

Ela revela que os locais mais severamente afetados na Terra são aqueles localizados 50 graus ao Norte e ao Sul do planeta, perto de cidades como Londres, Amsterdã, Berlim, Praga, Kiev e Vancouver. “No solstício de verão, nessas latitudes, haverá cerca de 200 satélites visíveis a olho nu durante toda a noite”, presume o estudo.

Há alguns anos, Lawler analisa a dinâmica orbital do Cinturão de Kuiper, uma região de pequenos corpos além de Netuno. “Minha pesquisa se baseia em imagens de campo amplo e de longa exposição para descobrir e rastrear esses pequenos corpos e aprender sobre a história de nosso Sistema Solar”.

Segundo ela, as observações por telescópios, que são fundamentais para a maior parte dos estudos acerca do universo, “estão prestes a se tornar muito, muito mais difíceis por causa do desenvolvimento desregulado do espaço”.

Embora astrônomos em todo o mundo estejam elaborando algumas estratégias de mitigação, essas táticas exigirão tempo e esforço que, na opinião de Lawler, deveriam ser pagos pelas empresas de satélites.

FONTE: https://olhardigital.com.br/2021/12/01/ciencia-e-espaco/em-breve-1-em-cada-15-pontos-de-luz-no-ceu-sera-um-satelite-e-por-que-isso-e-um-problema/