nov 21

Ele vendeu seu 1º projeto por R$ 350 mil aos 19 anos. Hoje, fatura milhões ajudando empresas com análise de dados

Bruno Ramos é fundador da HartB, startup que fornece produtos e serviços de data analytics. Empresa faturou R$ 1,2 milhão no primeiro ano e projeta fechar 2022 no patamar dos R$ 30 milhões.

Desde muito jovem, Bruno Ramos começou a empreender por necessidade, para ajudar a complementar a renda familiar. Aos 15 anos, ele teve o primeiro contato com a computação por meio de um curso técnico. Logo depois, passou a desenvolver produtos e vendê-los para empresas. Com a experiência adquirida, o empreendedor fundou a HartB, uma startup de inteligência artificial e ciência de dados.

“Comecei bem cedo no empreendedorismo, mas por conta da questão econômica familiar. Minha mãe era empregada doméstica e meu pai trabalhava na construção civil. O legado que eles queriam me deixar era a educação, isso que de fato transformou a minha vida e a dos meus irmãos”, conta Ramos.

Na escola técnica, ele teve a oportunidade de aprender conceitos de computação, o que posteriormente seria a base para o desenvolvimento de seus projetos. “Aos 19 anos, eu comecei a desenvolver meu primeiro produto na área de inteligência artificial e vendi esse produto para uma grande empresa brasileira. Na época, consegui vendê-lo por R$ 350 mil. Era muito dinheiro, um garoto da periferia da baixada fluminense que fez uma venda de 350 mil”, relembra.

Em 2016, Ramos projetou um algoritmo para otimização de produções agrícolas e o apresentou no programa Shark Tank. “Eu vendi 30% dessa solução para o João Appolinário, dono da Polishop, e somos sócios até hoje”, afirma. Dentro da Polishop, o empreendedor conheceu Pedro Ica. “Ele era o diretor de novos negócios do Appolinário. Nesta época, eu tinha identificado alguns problemas de mercado e procurei saber como resolver, dessa forma formulei o que seria a HartB. Apresentei a ideia para o Pedro e ele achou interessante.”

A ideia do negócio era auxiliar grandes players do mercado a lidar com dados, um diferencial cada vez mais importante. O objetivo era trabalhar com inteligência artificial de forma generalista, não apenas focada em um nicho específico. Com essa premissa, em 2019, Ramos fundou a HartB. Ica virou sócio do empreendimento.

No primeiro ano de operação, a startup faturou R$ 1,2 milhão. Segundo Ramos, o crescimento foi todo bootstrap – ou seja, com recursos próprios. “Como empreendedor da periferia, o que sempre foi difícil era o acesso a capital. Fui chamado de gênio várias vezes, só que mesmo sendo chancelado, o acesso ao capital sempre foi limitado.” No entanto, trazendo mais pessoas para dentro da operação, a HartB atraiu apoio da Endeavor e do Google, integrando o Black Founders Fund, projeto da big tech que apoia empreendedores negros.

Atualmente, a startup atua em duas frentes. “Nós temos uma ferramenta que coleta dados através de sites públicos, que estão distribuídos na internet, sobre uma determinada pessoa ou conjunto de pessoas para análise de comportamento. O outro produto otimiza a jornada do cliente dentro de uma empresa, ajudando na recuperação daqueles que saíram da operação e na ativação de novos”, explica Ramos. A plataforma funciona no modelo SaaS (software as a service), e as soluções podem ser conectadas a qualquer CRM.

A empresa também presta serviços de consultoria a fim de estruturar plataformas de dados para clientes e fabricar softwares exclusivos. O tíquete médio para os produtos é de R$ 247,5 mil e, para serviços, cerca de R$ 577,5 mil. “Hoje estamos faturando com 70% serviços e 30% produtos, mas trabalhando para ser 80% produto e 20% serviço”, diz Ramos. O modelo do negócio é voltado para operações B2C, focando em empresas de médio e grande porte, mas já existem planos de modelar um produto para atender pequenas empresas a um custo relativamente baixo.

Com alguns clientes no exterior, a startup pretende apostar na expansão internacional no próximo ano. “Temos um endereço na Flórida, abrimos um escritório em Portugal e criamos, em Londres, um centro de desenvolvimento para tocar uma operação de movimento tecnológico de produto”, afirma Ramos.

Para 2023, a expectativa é dobrar o time de funcionários, abrindo 138 vagas. Hoje, são 100 colaboradores. “A gente está focando na diversidade, temos alguns programas de capacitação para pessoas de baixa renda, principalmente de comunidades na periferia do Rio de Janeiro. Estamos trabalhando com o Google para trazer pessoas que estão se formando nos programas que eles fomentam.”

Com a consolidação da sua estrutura e carteira de clientes, a startup também pretende abrir uma rodada de investimento mais robusta. A HartB projeta fechar 2022 com faturamento de R$ 30 milhões e triplicar o número no próximo ano.

FONTE: https://revistapegn.globo.com/startups/noticia/2022/11/ele-vendeu-seu-1o-projeto-por-r-350-mil-aos-19-anos-hoje-fatura-milhoes-ajudando-empresas-com-analise-de-dados.ghtml