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Ele criou uma startup que transforma pequenos comércios em “bancos”

Focada em comunidades desbancarizadas, a akinTec conta com mais de 100 unidades e 30 mil clientes em seu portfólio

Quando ainda era criança, Leandro Dias ficava admirado ao ver seu pai voltar do trabalho, de terno e gravata, todos os dias. Ainda na juventude, decidiu que trabalharia em um banco para poder realizar o seu sonho. Homem negro, criado em um bairro periférico da zona norte de São Paulo, Dias logo percebeu que não seria simples tirar a vontade do papel.

Para isso, preparou-se e começou a estudar em cursinhos populares até ser contratado em um programa de diversidade de um grande banco. Ao perceber a falta de interesse dessas empresas nas comunidades de baixa renda, decidiu em 2019 criar uma fintech focada nas pessoas desbancarizadas.

Lançou em 2019 a akinTec, que opera como um banco digital, transformando pequenos negócios em “agências bancárias”. Por meio da solução da empresa, pequenos empreendedores de bairros menos atendidos por entidades financeiras tradicionais podem oferecer serviços como pagamentos de contas, saques e até linhas de crédito.

Atualmente, mais de 100 estabelecimentos são atendidos no país, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Ao todo, são mais de 30 mil clientes usando os serviços. A startup usa inteligência artificial para avaliar o “score” de crédito dos usuários no processo de análise de empréstimos. Por exemplo, se a “agência” é um mercado de bairro, a IA avalia o valor gasto pelo cliente, a frequência com que ele faz suas compras e se os pagamentos estão sempre em dia.

Recentemente, a fintech foi investida pelo Nubank, por meio do fundo Semente Preta, que aporta em negócios fundados por pessoas negras. Antes do aporte, já havia passado por mais de dez programas de aceleração, incluindo o do Google. “Já conversamos com quase todos os investidores de risco do Brasil e estamos prontos para encontrar um fundo que tope entrar em uma rodada com a gente. Estamos aqui, contrariando as estatísticas, sendo o motor de crédito das favelas”, conta Dias.

O aporte do Nubank está sendo usado para a contratação de profissionais de tecnologia, que ajudem a empresa a escalar a operação. “Sustentar o crescimento custa muito e a nossa missão envolve expandir no país”, afirma o empreendedor. Para este ano, a startup também espera finalizar a citada rodada de investimento, provavelmente fechando um cheque maior para o negócio. “Ampliar o número de serviços dentro do aplicativo é a nossa principal perspectiva para 2022.”

FONTE: https://revistapegn.globo.com/Startups/noticia/2022/03/ele-criou-uma-startup-que-transforma-pequenos-comercios-em-bancos.html?fbclid=IwAR0Ai-kbwmfIKaiCQlIgEwXmkCwCCdW0DYR6HtOAB0hZKKmZMm1oGtQJhX0