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Economia digital: qual é o papel da liderança estratégica

Uma pesquisa levantou qual deve ser o mindset das lideranças, quais são suas falhas e o que fazer para que suas organizações adotem uma estratégia para a economia digital

Por Redação The Shift
09/05/2021

Já está claro que esta pandemia não será o último grande evento a causar uma grande disrupção nos negócios e dar uma chacoalhada nas empresas. Com os valores da força de trabalho evoluindo, o próprio modelo se encaminhando para o trabalho híbrido, a ordem do dia está na combinação de agilidade e experimentação.

Uma pesquisa global com mais de 4.000 executivos revelou que a maioria “não está confiante de que seus líderes estão prontos para enfrentar a próxima ruptura, muito menos evoluir para os negócios digitais”. Pelo menos 82% dos entrevistados acreditam que os líderes na nova economia precisarão ter experiência digital. Apenas 9% dos entrevistados consideram que seus líderes possuem habilidades suficientes para liderar na economia digital.

Para o coautor da pesquisa e especialista em Efetividade Organizacional no MIT Sloan School of Management, Doug Ready, é uma questão de “enfrentar o desafio com um senso de perspectiva e resiliência, de compreensão de que o mundo é mais complexo e hipercompetitivo”. Carol Cohen, uma das coautoras da pesquisa e vice-presidente sênior de talento global e transformação da Cognizant, que patrocinou o projeto, afirma que o sucesso no longo prazo não é determinado apenas pela capacidade de um líder alcançar sozinho certos objetivos. “Mas também como você capacita, envolve, apoia e eleva seus colegas e equipes no ecossistema ao seu redor”.

Partindo da pesquisa, temos a seguir uma análise das mentalidades da liderança, seus pontos fracos e recomendações para ajudar líderes e suas organizações a adotar uma estratégia para a economia digital.

Mentalidade de liderança da empresa. São as características da empresa que poderiam atrair os melhores talentos da economia digital. Basicamente se encaixam em quatro tipos:

Produtora – Organizações com experiência digital que operam com um senso de velocidade e urgência. As empresas produtoras combinam a prioridade no cliente com o foco na análise de dados, execuçnao da operação e resultados.

Investidora – Organizações focadas no trabalho direcionado a um propósito, que estão atentas ao impacto que seus negócios causam no planeta e buscam ser sustentáveis.

Conectora – São especialistas em relacionamentos, parcerias e redes. Essas organizações entendem que vivemos em um mundo de plataforma e fazemos parte de um ecossistema, e criam um sentimento de pertencimento.

Exploradora – Organizações que promovem um ambiente em que a ordem é experimentar. Elas contratam e retêm pessoas que são naturalmente curiosas, incentivam a contribuição e não têm medo de tentar, testar e repetir.

A pesquisa apontou que as lideranças que cultivam esses mindset têm maiores chances de transformar suas empresas em ímãs de talentos.

Como identificar pontos fracos. De acordo com os pesquisadores, existem quatro tipos de “falhas” ou lacunas:

Capacidade – Incluem falta de conhecimento técnico, perspectiva ou capacidade de compreender as implicações estratégicas de tecnologias avançadas. As lideranças autênticas sabem e aceitam que haverá funcionários com mais experiência digital do que eles vão incentivar essas pessoas para que avancem rumo aos objetivos da equipe e da empresa. Esses líderes devem se esforçar para tomar decisões baseadas em dados, assumir riscos e liderar pelo exemplo.

Resolução – Estamos falando de tensões organizacionais (a dupla necessidade de se mover rápido, mas com a quantidade adequada de deliberação) ou individuais (quando um funcionário se sente desligado devido à digitalização, mas ao mesmo tempo busca um sentimento de significado, pertencimento e propósito de seu trabalho). As lideranças preocupadas em preencher essa lacuna sabem que não é possível criar o sentimento de pertencimento sem criar uma equipe inclusiva e diversa.

Propósito – Esses “gaps” se dão quando uma organização não cumpre os propósitos articulados por seu líder. De acordo com a pesquisa, apenas 25% dos entrevistados achavam que sua organização era tão voltada para o propósito quanto seus líderes acreditavam. As lideranças precisam deixar claro que a organização não atende apenas às necessidades dos acionistas e clientes e sim todos os stakeholders. “A liderança deve reconhecer e apoiar explicitamente o propósito da empresa além de seus resultados econômicos”, afirmou Michael Schrage, professor que faz parte do curso “MIT Initiative on the Digital Economy”, ao lado de Doug Ready.

Consciência – Aqui as lacunas são caracterizadas por quatro pontos fracos: estratégico, cultural, capital humano e pessoal. As lideranças devem trabalhar esses pontos fracos, do contrário os colaboradores podem ter a impressão de que eles não entendem de economia digital e que preferem ficar presos ao modelo de negócios de ontem. E a debandada de talentos será uma consequência esperada.

Recomendações para lideranças na economia digital
Abraçar a economia digital e a mentalidade de evolução e mudança é envolver os funcionários ativamente no novo modelo. Os pesquisadores indicam quatro recomendações para líderes e organizações que buscam um ponto de partida:

Articular uma narrativa de liderança. Os líderes devem expressar aos funcionários claramente em que acreditam e se transformar em modelos para uma nova liderança. É importante promover uma cultura que identifica futuros líderes, incentivando e abrindo espaço para quem tem esse mindset que reflete os valores da narrativa de liderança.

Construir comunidades de líderes. É priorizar a transparência e a confiança, com foco no que pode ser feito com a colaboração de todo no futuro, em vez de olhar para o que foi feito no passado. É fundamental que os funcionários vejam que as lideranças querem tornar aquela empresa em um lugar melhor e que aqueles que tiverem os mesmos comportamentos poderão ter uma carreira e se desenvolver ali dentro.

Alinhar talento, liderança e estratégias de negócios. Estamos falando de contratar e promover pessoas com habilidades e mentalidade valorizadas pela liderança. É importante pensar nos talentos e na estratégia de negócios, para que cada colaborador possa dar seu melhor e contribuir para o crescimento da empresa e o seu próprio.

Exigir inclusão e diversidade. Uma força de trabalho diversa é imprescindível para inovação. É papel das lideranças criar um sentimento de que todos pertencem à empresa e podem crescer, se desenvolver e ter suas qualidades e valores apreciados e respeitados.

“A liderança é um privilégio”, afirma Doug Ready, que também é palestrante do curso “Reimagining Leadership : A Playbook for the Digital Economy”. Seu conselho: “Abrace a liderança enquanto você constrói uma comunidade de líderes nesta nova economia”

FONTE: https://theshift.info/cool/economia-digital-qual-e-o-papel-da-lideranca-estrategica/