ago 26

Digitalização da mobilidade urbana e suas tendências, comportamentos e necessidades

A tecnologia de meios de pagamento já está presente na mobilidade urbana há algumas décadas. O pagamento com cartões por aproximação, por exemplo, já é utilizado em muitas cidades do Brasil – antes mesmo de grandes bandeiras internacionais possibilitarem esse tipo de transação em estabelecimentos comerciais. Podemos dizer que a tecnologia já está apoiando o transporte coletivo há um tempo significativo. No entanto, temos tantos outros problemas sociais e de infraestrutura que acabamos olhando o cenário geral e nos esquecemos desse pioneirismo.

É certo que a pandemia deu maior celeridade nos processos de digitalização, incluindo os serviços ofertados pelo poder público, e quanto mais a gente se adapta ao uso da tecnologia e do celular para pagamentos e outras funcionalidades, mais o transporte se valerá disso. Afinal, temos uma base de celulares maior do que a população brasileira, o que significa que podemos, e devemos, usá-los para facilitar a vida das pessoas.

O KIM é um aplicativo que caminha desde 2017 com o objetivo de digitalizar a mobilidade urbana. Através dele o usuário do transporte público já consegue programar a sua saída de casa ou do trabalho acompanhando a localização do ônibus pelo mapa no celular. Também é possível realizar o pagamento da passagem por QR Code ou recarregar o cartão de transporte de forma 100% digital.

E é essa mesma digitalização que beneficia o usuário do transporte, que também traz possibilidades mais simples, eficientes e econômicas para as empresas de ônibus. Por exemplo, hoje o KIM repassa o dinheiro para essas empresas de forma tradicional, através das instituições financeiras. Logo essa transação poderá ser através do blockchain, garantindo integridade, transferência, segurança e redução de custos.

Outra possibilidade é o big data. Pensa na praticidade do usuário que recebe uma notificação no celular avisando que o ônibus que ele sempre pega vai passar em tal horário. E podemos ir além: dizer se o veículo está cheio ou vazio e o horário do que vem em seguida. O uso estratégico de dados possibilita um relacionamento com o cliente e maior proximidade das empresas, claro que levando em consideração que precisamos respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), assim como todos os parâmetros legais.

Por fim, posso citar ainda a internet das coisas (IoT), como programar semáforos e faixas de ônibus para dar preferência e privilegiar o transporte coletivo.
Tudo o que nós temos hoje de tecnologia, big data, blockchain, internet das coisas (IoT), está à disposição do transporte. No entanto, apesar da tecnologia ser o meio para resolver problemas, diminuir as “dores” de quem usa e facilitar a vida das pessoas, tem um custo. Precisamos entender qual delas e em que momento utilizar, o que traz a necessidade de estudar tendências, comportamentos e necessidades tanto das empresas e dos clientes.

Esses três pilares, no entanto, estão em constante mudança e precisamos acompanhá-los para aplicarmos, gradualmente, as tecnologias que estão à nossa disposição de forma inteligente, eficiente e econômica. Acredito que estamos no caminho de promover soluções que melhoram a mobilidade urbana.

FONTE: https://olhardigital.com.br/2022/08/25/colunistas/digitalizacao-da-mobilidade-urbana-e-suas-tendencias-comportamentos-e-necessidades/