Depois de transacionar R$ 90 bilhões, Monkey quer expandir internacionalmente

Fundada por Bruno Oliveira, Gustavo Muller e Felipe Adorno, a startup é um marketplace que antecipa a valores de notas fiscais e de cartão de crédito.

Fundada em 2017, a Monkey é um marketplace que possibilita a antecipação de recebíveis de notas fiscais e cartão de crédito a fornecedores e empresas. Com mais de 55 financeiras na plataforma digital, as notas são leiloadas em tempo real entre as instituições. Segundo o confundador Bruno Oliveira, atualmente a empresa conta com 120 clientes e pretende expandir internacionalmente nos próximos anos.

Oliveira é formado em administração pelo Insper e se apaixonou pelo mundo financeiro quando ainda fazia estágio. Em 2012, ele começou a empreender, fundando um fundo de venture capital com colegas da faculdade. A iniciativa durou cerca de cinco anos. Em 2016, conheceu Gustavo Muller e começou a pensar em novos projetos. “Com as conversas, tivemos a ideia de criar o primeiro marketplace do Brasil para antecipação de nota fiscal”, diz.

O empreendedor diz que o tempo médio para o recebimento do valor de um serviço prestado a uma grande empresa após a emissão da nota fiscal é de cerca de 60 dias. ”Se você é pequeno ou médio, tem ainda menos poder de barganha. E o fornecedor não pode esperar 60 dias para receber, porque precisa pagar o aluguel da fábrica, o salário dos funcionários, a energia elétrica”, fala.

Como alternativa para receber antes, as empresas podem recorrer aos bancos ou aos FIDCs (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), processos que, segundo Oliveira, são burocráticos e estão sujeitos a juros. “Então, surgiu a ideia de criar uma plataforma 100% digital, em que o fornecedor antecipa a nota fiscal usando um computador ou aplicativo celular. Em vez de ter uma única alternativa, ele tem à disposição um marketplace.” A plataforma funciona com um leilão em tempo real, o que aumenta a competitividade entre os bancos e diminui a taxa de juros em cerca de 70%, de acordo com o empreendedor.

Para colocar a ideia em prática, os fundadores contaram com um investimento anjo e convidaram um terceiro sócio, Felipe Adorno, que tinha experiência em tecnologia, para criar a plataforma. Foi um ano para desenvolver o produto e a tecnologia até que a solução fosse lançada em 2017. Para Oliveira, o maior desafio veio depois desse momento, quando eles precisavam convencer os bancos a entrar para o marketplace enquanto não tinham clientes, e convencer os clientes a aderir à plataforma quando não havia bancos no marketplace. Os primeiros clientes só chegaram um ano depois. Hoje, são 55.

Oliveira explica que o foco da startup são as grandes empresas, mas quem usa o produto são os seus fornecedores. O valor da solução é cobrado por operação. Na carteira, estão empresas como Ifood, Fiat e Saint-Gobain, e 25 mil fornecedores cadastrados. A Monkey realizou R$ 90 bilhões em antecipações desde 2018.

Apesar do valor, o empreendedor conta que a startup atende apenas 10% dos fornecedores potenciais, que somam 250 mil empresas. Aumentar o número de cadastrados é um dos focos da empresa. A Monkey também quer expandir internacionalmente. Atualmente, há uma pequena operação no Chile. A ideia é aumentar e chegar a outros países, como Estados Unidos e México, via multinacionais que já são clientes.

Outro plano é acelerar um produto de antecipação de recebimentos de cartão de crédito. “É o mesmo conceito de antecipação de nota fiscal, com vários bancos conectados, mas permite que você receba de cartão de crédito em vez de nota fiscal”, diz.

A Monkey foi uma das empresas que estiveram na lista das 100 Startups to Watch de 2022. Segundo Oliveira, a chancela foi importante para o marketing institucional da empresa. “Você só consegue fechar um cliente grande se você passa muita credibilidade e seriedade. Sair na lista traz esse selo de qualidade, mostra que já fomos avaliados e ajuda a fecharmos com esses clientes”, conta Oliveira.

FONTE:

https://revistapegn.globo.com/startups-to-watch/noticia/2023/07/depois-de-transacionar-r-90-bilhoes-monkey-quer-expandir-internacionalmente.ghtml


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