Demanda crescente por indústria 4.0 inspira criação de novos cursos de pós

O engenheiro mecnico Fernando Rocha, 54

A demanda por profissionais que entendam as novidades da indústria 4.0, que inclui a integração de automação e dados para melhorar a produtividade e identificar riscos nas fábricas, levou criação de cursos de especialização para capacitar gestores na rea.

Entre as instituies que oferecem ps nessas reas esto a USP (Universidade de So Paulo), que tem um programa em internet das coisas desde 2015, e a UFPR (Universidade Federal do Paran), com um curso de Engenharia Industrial 4.0 criado em 2017.

Algumas das ferramentas que compem essa nova revoluo industrial, e que so apresentadas nos cursos, so robtica, gesto de grandes lotes de dados (big data), inteligncia artificial e internet das coisas (IoT).

O engenheiro mecânico Fernando Rocha, 54, que terminou em 2016 a ps-graduação na USP, usa os conceitos que aprendeu no atual emprego. “Eu me forcei a uma reciclagem, por ser uma tecnologia que está começando no Brasil”, diz. “Trabalho com inovação em uma empresa que busca tecnologias para prédios inteligentes.”

Para o coordenador do curso de Internet das Coisas da USP, Kechi Hirama, uma possibilidade de juntar o conhecimento acadmico com as demandas do mercado.

“A ideia melhorar a eficincia do trabalho, mas faz-lo de forma que permita at criar produtos personalizados na linha de montagem.”

A eficincia um dos grandes desafios do setor no Brasil, segundo Rafael Lucchesi, diretor de educao e tecnologia da CNI (Confederao Nacional da Indstria).

“A baixa produtividade se d por atrasos tecnolgicos, tcnicos e pela alta idade mdia dos equipamentos”, diz.

O problema persiste mesmo na comparao com outros pases emergentes, como Turquia, Argentina e Chile, segundo o economista do Banco Mundial Mark Dutz.

“Implementar a indstria 4.0 no Brasil envolve desde o custo e os investimentos at a qualidade mdia da gesto, que ainda baixa. vital observar aes em pases como EUA, Alemanha e China.”

Por isso, ser preciso capacitao em todos os nveis: dos tcnicos aos gestores.

“As mudanas chegaro em todos os estratos do setor. No cho de fbrica, afetaro o processo produtivo. Para os gestores, ser preciso analisar vastas quantidades de dados”, diz Lucchesi, da CNI.

Isso demandar excelente organizao e negociao, j que o gestor ter de lidar com equipes heterogneas.

“Com a cadeia integrada, a relao dos profissionais precisar ser mediada”, diz Gabriel Almeida, gerente da consultoria de RH Talenses.

A administradora Janine Ferro, 41, que cursa a ps da UFPR, usa o que aprendeu na integrao das reas de logstica e manufatura de uma empresa de eletrodomsticos.

“Também estudo por conta própria para entender melhor essas novidades e como us-las no meu trabalho.”

FONTE: FOLHA DE S. PAULO