Delta Energia capta R$ 250 milhões para projeto de 20 usinas solares

Operação, por meio de emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) para o segmento solar, reforça potencial da Geração Distribuída (GD), com previsão de R$ 40 bilhões de investimentos em 2024.

Grupo Delta Energia anunciou na sexta-feira, 17 de maio, a captação de R$ 250 milhões no mercado de capitais, por meio de emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), para a construção de 20 usinas solares voltadas à Micro e Minigeração Distribuída (MMGD).

A operação, coordenada pelo Banco Modal e pela One Corporate, foi considerada a maior emissão de CRIs no País voltada para o segmento de Geração Distribuída (GD) – no qual a energia é gerada pelos consumidores, próxima ou no próprio local de consumo.

Durante todo o período de captação, a demanda total foi de R$ 737 milhões, valor quase quatro vezes superior à oferta inicial. Como houve grande interesse pelo papel, o impacto nas taxas foi significativo, chegando a uma redução de até 1,2% ao ano para a Delta.

“A operação atraiu diversos perfis de investidores, sendo que os investidores institucionais representaram 66% do volume total das ordens no processo de bookbuilding”, afirma Rodrigo Pereira, Chief Financial Officer (CFO) do Grupo Delta Energia.

O papel, registrado na B3, tem vencimento de até 8 anos e poderá ser negociado no mercado secundário. Foi a primeira vez que a Delta realizou tal tipo de captação. “A receptividade e confiabilidade do mercado certamente vão respaldar novas operações no futuro”, diz Pereira.

As 20 usinas solares fotovoltaicas serão instaladas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Somadas, terão 85 megawatts-pico (MWp) de potência instalada. Com a conclusão do projeto, a Delta contará com novos ativos no valor de R$ 500 milhões.

Luiz Fernando Leone Vianna, vice-presidente institucional e regulatório do Grupo Delta, afirma que, das 20 usinas solares que tiveram captação de recursos, oito estão prontas e outras seis têm obras em andamento, com previsão de entrega até dezembro – ou seja, 40% do projeto está encaminhado.

Além das 20 usinas solares que passaram por processo de captação no mercado de capitais, a Delta planeja construir outras 10 fazendas solares no Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia, Ceará e Goiás, ampliando o total para 110 megawatts-pico (MWp) de potência instalada.

Potencial da GD

O apetite do mercado financeiro com os CRIs da Delta reflete o potencial oferecido pelo segmento da Geração Distribuída (GD).

Apenas no primeiro trimestre de 2024, o investimento no Brasil em instalações de GD chegou à marca de R$ 8 bilhões, de acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A previsão é que os investimentos fechem o ano em R$ 40 bilhões.

Boa parte desse crescimento se deve aos subsídios para o segmento solar, em vigor desde 2012. Os incentivos para a geração distribuída somaram mais de R$ 7 bilhões no ano passado – na prática, esse é o valor que os consumidores de energia fora do segmento solar pagaram em 2023 para que os usuários da GD utilizem o sol como fonte de energia elétrica.

A GD é dividida em duas modalidades. Mais de 95% de seus usuários estão na categoria de autoconsumo remoto, conhecido pelos painéis solares instalados no telhado.

O excedente de produção de energia do mês do kit no telhado é jogado na rede elétrica para alimentar outros consumidores. Em seguida, os megawatts (MW) que sobram são transformados em créditos e abatidos da conta de luz no mês seguinte do consumidor pela distribuidora.

Já os outros 5% incluem as usinas ou fazendas solares que integram a geração compartilhada (GC), um novo modelo de negócio dentro do segmento de GD que vem atraindo até gigantes do setor, como a Delta.

Nesse modelo, conhecido como “energia por assinatura”, o consumidor não precisa instalar painéis solares no próprio ponto de consumo: ele compra cotas de uma fazenda solar remota e, por meio de um sistema de compensação, consegue descontos em sua tarifa de luz, pagando até 30% menos que o consumidor comum, fora do segmento de energia solar, desembolsaria com a distribuidora.

“A geração compartilhada, na prática, democratizou o acesso à energia solar, pois o consumidor não precisa comprar nem instalar kit solar fotovoltaico no telhado”, afirma Vianna.

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) são 4.720 usinas de geração compartilhada espalhadas por todas as regiões brasileiras.

Os projetos do tipo já somam potência instalada de 6,5 gigawatts (GW), o equivalente a 25% da capacidade total da geração distribuída no País, com 1,4 milhão de unidades consumidoras beneficiadas.

Mesmo com esse potencial do mercado da geração compartilhada, a Delta está olhando para o futuro – a perspectiva de o mercado cativo, onde se encontram os consumidores residenciais e de baixo consumo de energia, poder acessar o mercado livre de energia, hoje dedicado a grandes consumidores (como indústrias e empreendimentos de grande porte).

Vianna conta que o mercado livre teria, em tese, a possibilidade de absorver 90 milhões de consumidores do mercado cativo quando a transição ocorrer, prevista para os próximos anos.

“A relação com o consumidor vai mudar, por isso estamos repensando nossa estratégia, incluindo de marketing e de vendas, visando a migração em massa para o mercado livre de energia”, diz Vianna. “Nossos investimentos em GD são apenas um meio.”

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