abr 26

Dá para virar unicórnio gerando impacto social? A Betterfly prova que sim

Quando o assunto são unicórnios, o ano de 2021 superou as expectativas. No período, a lista de empresas que ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão em valor de mercado ganhou 490 novos integrantes – dez deles só no Brasil, um recorde para o país. A maioria delas são startups do setor financeiro – as fintechs –, seguidas pelo varejo e pelos players de logística.

Neste ano, essa lista deverá crescer ainda mais. Uma das empresas que já entraram nela, aliás, vem chamando a atenção justamente por ter “chegado lá” com um modelo de negócios que contempla não só o lucro mas também as pessoas e o planeta: é a Betterfly, startup chilena que iniciou sua expansão internacional pelo Brasil há seis meses, após receber um aporte de US$ 60 milhões na Série B.

O status de primeiro unicórnio social da América Latina veio em fevereiro deste ano, com outros US$ 125 milhões levantados na Série C, e que serão usados para iniciar a operação em sete novos mercados latinos ainda em 2022, além de Estados Unidos, Portugal e Espanha em 2023.

Nascida como uma plataforma de bem-estar, benefícios e seguro de vida dinâmico para o mercado B2B2C, a Betterfly se estruturou como uma Public Benefit Corporation; ou seja, uma empresa feita para dar lucro, mas sem esquecer de seu impacto no mundo e na vida das pessoas.

Transformando hábitos saudáveis em doações

É daí, justamente, que vem o seu diferencial: a plataforma da Betterfly estimula o colaborador da empresa a ter hábitos mais saudáveis, como meditar e praticar exercícios físicos, e o recompensa aumentando a cobertura de seu seguro de vida e acumulando “better coins”, pontos que podem ser doados a ONGs parceiras para o plantio de novas árvores, para levar água potável a regiões de difícil acesso ou ainda distribuir pratos de comida para populações vulneráveis.

No Brasil, “Ação da Cidadania”, “Hospital Pequeno Príncipe”, “Trees for the future” e “Water is Life” estão entre as organizações já beneficiadas; lista que deve crescer nos próximos meses.

“Quando tomamos a decisão de nos estruturar dessa forma, me disseram que isso nos impediria de crescer e de levantar capital no futuro. Na realidade, aconteceu o contrário. Eu diria que o fato de colocarmos o propósito social no centro de tudo o que fazemos – nossas operações, cultura e marca – é a razão pela qual conseguimos crescer e atingir marcos que, apenas alguns anos atrás, pareciam impossíveis”, disse Eduardo della Maggiora, fundador da Betterfly, em comunicado à imprensa.

Em apenas dois anos de atuação, a Betterfly está presente em mais de 2,5 mil empresas e já doou mais de US$ 1 milhão para diferentes ONGs e causas sociais. Nesse movimento, 300 mil árvores foram plantadas, quase 50 mil litros de água foram levados a regiões com dificuldades de acesso e mais de 3 milhões de refeições foram doadas para crianças carentes em toda a América Latina.

Em entrevista recente, o head Latam do fundo Lightrock, Marcos Wilson Pereira, elogiou o novo unicórnio latino-americano por “combinar muito bem uma estratégia de produto com impacto, como poucas empresas conseguem”. O fundo global participou da rodada de financiamento que deu à Betterfly o título de unicórnio.

Fusões e aquisições

Entre as Séries B e C, a Betterfly adquiriu seis empresas no Chile e no Brasil, além de firmar parcerias com provedores de seguros que viabilizam e aceleram sua expansão em toda a América Latina.

Por aqui, a parceria com a seguradora independente Icatu viabilizou no mercado nacional o seguro de vida dinâmico, um produto inédito no país. Já no Chile, México, Colômbia, Equador e Argentina, a provedora de seguros parceira é a Chubb, maior seguradora de bens e acidentes de capital aberto do mundo.

Entre as aquisições feitas no Brasil está a da Xerpa, empresa de tecnologia que simplifica e moderniza os processos de RH das companhias e cujo principal produto é o Xerpay, uma plataforma de salário sob demanda.

A rápida expansão da Betterfly, que quer ter 1 milhão de usuários no Brasil até o final do ano, se reflete no seu quadro de funcionários, que neste mesmo período deverá dobrar e chegar a 150 profissionais. Na América Latina como um todo, a empresa planeja contratar cerca de 500 novos colaboradores.

“Queremos levar o efeito Betterfly a todos os cantos do planeta, para construir um mundo em que todas as pessoas estejam protegidas financeiramente e empoderadas para viver a melhor versão de sua vida”, afirma o CEO Eduardo della Maggiora.

FONTE: https://exame.com/negocios/da-para-virar-unicornio-gerando-impacto-social-a-betterfly-prova-que-sim/