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Consumo com a IoT

Segundo os estudos da consultoria Gartner, em 2020, existirão cerca de 20 bilhões de objetos inteligentes ao redor do mundo. Até mesmo os itens mais triviais estarão conectados, gerando um fluxo de dados nunca antes visto. É natural que vejamos surgir, então, um novo comportamento de consumo com a IoT, seja por conta das experiências cada vez mais imersivas que serão oferecidas ou devido ao papel que os clientes têm na propagação tecnológica.

Afinal, são as pessoas que adotam as soluções as responsáveis por dar o impulso necessário para difundir as novidades.

Este processo é também conhecido pelo termo consumerização. Basicamente, ele aponta que as tecnologias emergem no mercado consumidor antes de se tornarem predominantes nas empresas. E como no caso da IoT, haverá um grande fluxo de dados, também mudará a responsabilidade que cabe ao consumidor.

Assim como os fornecedores, os consumidores deverão buscar por medidas que garantam a segurança e a privacidade de seus dados. É o que vem advertindo a Internet Society (ISOC). Neste contexto, há uma série de medidas que devem ser adotadas para a compra e o uso dos dispositivos inteligentes de modo adequado. Tudo isso, nos leva à margem de grandes mudanças no tocante ao consumo.

Estamos à Beira de Um Novo Comportamento de Consumo Com a IoT

Todos os fatores descritos na introdução, apontam para o nascimento de uma nova relação entre consumidor e serviços. Cabe salientar, que o público já está profundamente adaptado às experiências de serviços digitais. A maior empresa de transportes do mundo, a Uber, não possui frota. Nossas músicas são ouvidas no Spotify, que não grava e nem produz absolutamente nada.

O passo seguinte, é criar uma experimentação similar atrelada aos produtos físicos. Isso significa que o novo comportamento de consumo com a IoT trará objetos que incluem serviços em sua aquisição. E mais do que isso: os assistentes vão ser indispensáveis para gerar valor e uma experiência única.

Além da Inteligência Artificial cada vez mais presente, haverá uma forte integração entre serviços e produtos, em termos de diversificação. Este fator acontece devido ao fato de que os clientes poderão escolher qual serviço utilizar com os seus gadgets conectados. As opções já estarão disponíveis nos produtos desde a sua fabricação, o que é mais ou menos o que já fazemos nos computadores pessoais.

É claro que as possibilidades de integração transcendem objetos isolados. A casa inteligente é uma das maiores apostas dos analistas da área. Citando a Gartner mais uma vez, a tecnologia em questão contará com mais de 500 dispositivos inteligentes. Até 2020, este mercado em particular deve arrecadar mais de 397 bilhões de dólares – uma oportunidade e tanto de negócio.

A relação Entre Internet das Coisas, 5G e Mobile

A popularização do mobile foi um dos movimentos tecnológicos que mudaram completamente os hábitos de consumo modernos. Hoje, é difícil imaginar algo que não possa ser feito através de dispositivos móveis. Comunicação, transações bancárias, compras e transporte são apenas alguns exemplos neste sentido.

Inclusive, vale ressaltar que, atualmente, muitas lojas sequer possuem endereço físico. Dito isso, é possível notar que um fator que promete moldar o novo comportamento de consumo com a IoT em termos de mobile será o 5G. A novidade começa a ser implantada em 2020, e deve chegar ao território brasileiro em 2021.

Com um período de latência menor aliado à capacidade de conexão e velocidade sem precedentes, o físico e o digital estarão cada vez mais integrados. Segundo informa o relatório The Mobile Economy 2019, isto levará a 25 bilhões de dispositivos de IoT conectados – um cenário onde os smartphones deixarão de ser o ponto central da Internet do Consumidor.

Esta mudança tem potencial de levar a internet móvel para um total de 5 bilhões de usuários no mundo. Nada menos do que 60% de toda a população da Terra. O consumidor disporá de um verdadeiro ecossistema de escala mundial, influenciando a forma como ele compra produtos e recebe serviços.

Além de tudo, cada usuário será atendido individualmente e de forma personalizada. Transportes e entretenimento serão as primeiras áreas onde esta nova realidade criará oportunidades de negócios, inclusive no Brasil. As empresas de tecnologia da informação devem aproveitar este cenário no desenvolvimento de aplicativos e soluções para segurança da informação.

Redesenhando Cadeias de Valor Com a IoT

Com tantas possibilidades envolvendo a Internet das Coisas, é natural que testemunhemos cadeias de valor sendo redesenhadas. Afinal, a forma de agregar valor ao consumidor muda quando inserimos a IoT na equação. As atividades de pré-venda e pós-venda mudarão por completo graças a isto.

Os seguros de automóveis, por exemplo, aproveitarão dispositivos inteligentes e aplicativos para avaliar o prêmio a ser cobrado do segurado. Quanto mais responsável for o condutor, mais vantajoso será o valor oferecido. Este é um bom exemplo de novo comportamento de consumo com a IoT.

Com relação ao pós-venda, o setor bancário já testa aplicativos capazes de monitorar os gastos dos clientes. A ideia é mandar avisos quando o usuário gastar demais e incentivá-lo a atingir metas financeiras. No Brasil e no resto do mundo, as fintechs não deixarão de explorar estas possibilidades também. O fato é que os relacionamentos entre consumidores e empresas serão inteiramente moldados pela Internet das Coisas.

Internet das Coisas e Machine Learning: desafios e Ética da Inteligência Artificial

Boa parte dos processos que já mencionamos acontecerá de forma automatizada. Ademais, o fluxo intenso de dados resultante será aproveitado e processado através do Machine Learning. A personalização vai nascer justamente deste recurso e ela terá como uma de suas consequências os custos reduzidos para o consumidor final.

Respostas e caminhos para gerar a satisfação dos clientes vão ser processados, com base nos históricos de atendimento. A isto, irá ser somada a capacidade de análise de linguagem natural (PNL), que levará os chatbots e assistentes para outro nível de interação. Os índices de retenção também vão ser trabalhados com a ajuda desta tecnologia.

Até mesmo as reações individuais de cada cliente da marca nas redes sociais poderão ser acompanhadas de forma automática, um fato que impactará diretamente nas ações de marketing digital. Este cenário de novo comportamento de consumo com a IoT também vai gerar desafios particulares ligados ao Machine Learning, sobretudo, porque os algoritmos e paradigmas que podem ser usados para vender já são cotejados pelo setor militar.

A ideia de armas autônomas é um dos pontos mais delicados a ser debatidos, nesse sentido. No que se relaciona ao mercado, a ética será uma grande questão, pois os parâmetros de um algoritmo podem ser excludentes ou mal utilizados.

O reconhecimento facial já levanta muitos debates ao redor do mundo com relação ao seu uso. Além de tudo, ainda existe o risco das correlações falsas, ou seja, quando duas coisas não relacionadas apresentam comportamentos similares. Já encontramos inúmeros casos paradigmáticos onde os modelos matemáticos não conseguem distinguir entre os fatos desconformes.

Como estará o mercado até 2030?

Quando falamos em tecnologia, os exercícios preditivos são inevitáveis. Afinal, todos nós queremos saber onde estaremos no futuro e como faremos uso das ferramentas disponíveis. A pergunta que urge é: onde o mercado estará em breve, graças ao novo comportamento de consumo com a IoT?

A Connected Living respondeu esta pergunta. O levantamento questionou o que os consumidores esperam da Internet das Coisas até 2030. As respostas nos fazem pensar nos Jetsons. Por exemplo, 39% espera ver as notícias do dia projetadas na parede de seus quartos ao acordar. Já 43%, deseja que seus computadores e equipamentos se liguem quando estiverem chegando ao trabalho.

Dentro do total de pesquisados, 45% quer que suas compras sejam pagas automaticamente ao saírem da loja com elas. A autenticação automática também é esperada por 47% em bancos e aeroportos. Estes são apenas alguns exemplos onde o público espera encontrar inovações em termos de Internet das Coisas. Diante disso, pensar no oferecimento de soluções dignas da famosa animação da Hanna-Barbera não é algo tão absurdo.

O novo comportamento de consumo com a IoT será cada vez mais orientado para o consumidor que tem acesso simplificado às empresas. Para isso, não importará onde ele está e por qual dispositivo ele solicita produtos e serviços. Para as organizações que estiverem atentas, não faltarão oportunidades de negócio. Se você quer trilhar este caminho e ficar atualizado com o que há de mais atual na transformação digital.

FONTE: ESTRATÉGIA