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Como uma tecnologia de hortas residenciais rendeu R$ 1,8 milhão em 2021 a esta startup

Com dois anos de operação, a Brota já reúne grandes nomes do mercado em rodada de captação via equity crowdfunding e espera levantar R$ 1,5 milhão

Os amigos e sócios por trás da Brota: Bruno Arouca, Juan Correa e Rodrigo Farina (Foto: Divulgação)

A frase “como fazer uma horta em casa” foi uma das principais buscas no Google em 2020 e 2021, quando as pessoas começaram a passar mais tempo em suas casas por causa das restrições de circulação do novo coronavírus. Rodrigo Farina, Bruno Arouca e Juan Correa não sabiam disso quando criaram a Brota  startup que desenvolveu uma tecnologia para horta residencial, em 2020 —, mas acabaram entrando no mercado em um momento especial.

Para criar o produto, os sócios foram até a fonte, conversando com pessoas que já tinham o costume de plantar em casa. Mais de 90% disseram que a experiência era frustrante porque esqueciam de regar e acabavam matando os vegetais. Os três principais fatores levantados na pesquisa eram falta de tempo, de espaço e de conhecimento.

O potencial do mercado era grande e a experiência era negativa, então eles decidiram sanar as principais dores dos interessados em um só produto: a horta da Brota é autoirrigável, o design é compacto (com opção de iluminação artificial para quem mora onde não bate sol) e as sementes vêm em uma cápsula especial, diminuindo a necessidade de conhecimento em jardinagem por parte dos usuários. “Queremos que plantem sem esforço e sem frustração”, afirma Farina, CEO e fundador da startup.

Atualmente, a startup comercializa duas versões da horta: com e sem iluminação (Foto: Divulgação)

Atualmente, a startup comercializa duas versões da horta: com e sem iluminação (Foto: Divulgação)

Todo o projeto e a tecnologia envolvida é proprietária e foi criada pelos sócios, formados em engenharia. A grande novidade são as cápsulas, desenvolvidas a partir de envolvimento dos nutrientes em tecido microbiológico, que pode ser mais grosso ou mais fino, a depender da semente a ser germinada. Nos primeiros testes, a média de sucesso era de apenas 1/3. Um ano depois, o fundador declara que o número passou para 99%. Atualmente, a Brota oferece 51 opções de cápsulas diferentes, de alface a tomate-cereja, passando por todos os tipos de temperos. A caixa custa R$ 200 — com a opção com iluminação embutida sai por R$ 380.

Os sócios se conheceram na UFRJ e chegaram a trabalhar juntos na Empresa Júnior da universidade, onde tiveram o primeiro contato com o empreendedorismo e descobriram que davam liga. Anos depois, quando teve a ideia do negócio, Farina os convidou para entrar na jogada. “Por causa do meu trabalho, fui para o Vale do Silício para pesquisar metodologias e fui surpreendido pelo ecossistema de startups, principalmente sobre o futuro da alimentação. Imaginei ver carros elétricos e foguetes, não projetos sobre batatas”, conta, aos risos.

Sem capital, eles começaram a fazer os estudos sobre o mercado, baseados nos cenários já observados nos Estados Unidos, na França e em Israel, onde o processo de implementação de agricultura urbana está mais avançado. O financiamento inicial aconteceu a partir dos próprios consumidores, que acreditaram no projeto. “Fizemos uma pré-venda quando nem tínhamos o protótipo direito, era tudo feito a mão e martelo. Eles queriam o que a gente tinha para vender. Nos financiamos por quase seis meses apenas com as vendas dos produtos”, conta.

Em janeiro de 2021, a startup recebeu um aporte de R$ 1 milhão, em rodada liderada pela Apex Partners. O investimento foi utilizado no desenvolvimento do produto e na consolidação da Brota como negócio, com a evolução da taxa de sucesso da horta caseira. Agora, a startup iniciou mais uma captação, por equity crowdfunding pela EqSeed, para levantar R$ 1,5 milhão. A ideia surgiu dos mentores, que incluem Daniel Wanderley, ex-VP da Fazenda Futuro, e Vinicius Brito, CoS (Chief of Staff) da Sallve. “Tem sido um corta-caminho muito gratificante. Eles trazem feedbacks a partir da experiência deles. Não sabemos de tudo, mas temos como investidores pessoas que entendem muito de varejo”, pontua o CEO.

Segundo Farina, do montante estimado, R$ 405 mil já estão fechados e outros R$ 400 mil estão reservados, com previsão de encerramento da rodada em cerca de um mês. Entre aqueles que confirmaram a participação estão Pedro Zuim, diretor de marketing da Fazenda Futuro; Carlos Souza, diretor da PagSeguro; e Julio Gejer, ex-diretor global do Gympass. “O objetivo da rodada é repetir o case de lançamento, mas em maior escala. Ver o que a comunidade quer de produto e iniciar a pré-venda, assim o consumidor financia a criação dele junto com o capital do investimento”, declara.

Toda a tecnologia das hortas residenciais da Brota foi criada pelos próprios sócios (Foto: Divulgação)

Toda a tecnologia das hortas residenciais da Brota foi criada pelos próprios sócios (Foto: Divulgação)

O fundador afirma que a startup cresceu seis vezes em 2021, com faturamento de R$ 1,8 milhão, mas a tendência é diminuir o ritmo agora. A estimativa é fechar 2022 com faturamento de R$ 3 milhões. No próximo trimestre, a Brota chegará ao varejo físico e marketplaces – por enquanto, as vendas são feitas apenas no e-commerce da marca.

Nos próximos 12 meses, a startup também pretende lançar linhas variadas para atender outros clientes, com novos produtos, como plantas ornamentais e flores, e novos tamanhos de caixas para outras necessidades. Segundo o CEO, são mais de 60 ideias mapeadas. “A nossa prioridade é entregar produtos com tecnologia própria para ter diferencial competitivo. Queremos jogar onde sabemos que ganhamos. Nosso modelo capsular é adaptável para vários produtos”, finaliza.

FONTE: https://revistapegn.globo.com/Startups/noticia/2022/08/como-uma-tecnologia-de-hortas-residenciais-rendeu-r-18-milhao-em-2021-esta-startup.html