abr 27

Como os drones auxiliam trabalho de precisão nas lavouras brasileiras

Modelos autônomos contam com inteligência artificial para pulverizar plantações e mapear áreas de difícil acesso. Expositor na Agrishow estima crescimento de até R$ 600 milhões nos próximos três anos.

Economia de recursos é uma das grandes pautas do agronegócio, tanto pelos custos quanto pela sustentabilidade do negócio e pelo impacto ao meio ambiente. Para garantir o resultado positivo no campo, um equipamento tem ganhado mais espaço entre os produtores rurais: o drone. Com soluções modernas, eles são eficazes quando o assunto é agricultura de alta precisão.

Expositora na Agrishow, feira de tecnologia para o agronegócio em Ribeirão Preto (SP), a Eavision chegou ao Brasil em 2022 e tem boas expectativas para o mercado. A empresa, focada em fabricação, venda e prestação de serviços em drones, nasceu em 2015 e desenvolveu tecnologia em diversos países.

“A Eavision teve um investimento de quatro anos apenas em pesquisa e desenvolvimento para a gente chegar na melhor tecnologia de drones. Depois que a gente consolidou o mercado na China, no Japão, na Índia, na Turquia e alguns outros países, a gente trouxe algumas unidades para o Brasil e fizemos a validação com alguns parceiros nossos. Nenhum drone hoje no mercado consegue trazer essa parte de autonomia com inteligência artificial e o bico de névoa com controle de diâmetro de gotas”, explica o diretor de vendas Julio Pignata.

Drone da Eavision possui sistema de visão binocular 3D — Foto: Érico Andrade/g1

Pignata explica que até 2025 há uma expectativa de crescimento de mais de R$ 600 milhões no mercado de drones autônomos, com um aumento de mais de três mil equipamentos em operação.

De acordo com a empresa, os drones no campo oferecem segurança, facilidade de operação, eficácia, eficiência, capacidade de detecção de obstáculos em diferentes tipos de terreno.

Além da pulverização, os equipamentos podem ajudar a delimitar áreas, fazer mapeamentos, identificar falhas na lavoura e pragas.

Um dos modelos da Eavision, por exemplo, utiliza um sistema de visão binocular 3D, o que permite solução para imagens fantasmas em ambientes externos e de difícil acesso e para interferência e reflexo de luz solar.

O diretor de vendas da Eavision, Julio Pignata, diz que mercado de drones tem potencial para crescer Agrishow 2022 Ribeirão Preto, SP — Foto: Érico Andrade/g1

Treinamento e investimento

Para o produtor que quer comprar e operar um drone de pulverização na sua propriedade, Pignata explica que o processo envolve treinamento e documentação expedida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em pouco mais de uma semana, a pessoa está apta a operar o drone.

Já quanto ao investimento para a compra de um equipamento, Pignata afirma que o custo gira de R$ 200 mil a R$ 250 mil, valores equivalente à produção obtida com uma lavoura de mil hectares.

E quem não quer comprar?

Para muitos produtores, o custo, o processo de certificação e a manutenção do drone pode ser um problema. Por isso existem empresas que focam na prestação desse serviço. A ARPAC, outra expositora na feira, atua com essa proposta.

“Existem hoje vários drones para comprar nesse setor, mas a nossa aposta é que o mercado de serviço, pela qualidade e pela disponibilidade de equipamento, vai prevalecer. O que o produtor precisa é que na hora que ele queira os drones, que na hora que a lavoura dele precise de um drone, o drone esteja disponível”, conta Eduardo Goerl, CEO da ARPAC.

A empresa hoje atende mais de 20 usinas de cana-de-açúcar em São Paulo e Minas, por exemplo, além de produtores individuais, tanto na pulverização de químicos quanto na liberação de biológicos.

A procura é tanta que Goerl explica que tem que recusar clientes algumas vezes e que o crescimento da “frota” é inevitável.

“Hoje a gente tem 35 aeronaves voando e a gente está expandindo muito. No ano passado estávamos com 20, então a gente quase dobra a frota várias vezes. Começamos com quatro, de quatro fomos para 12, depois 20 e agora com 35. E a gente cresce durante a safra também. Se tem alguma usina que chega e quer seis meses de serviço, nós compramos ou montamos um drone novo.”

Empresa trabalha com serviços de operação de drones para pulverização de lavouras — Foto: ARPAC/Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/agrishow/2022/noticia/2022/04/26/como-os-drones-auxiliam-trabalho-de-precisao-nas-lavouras-brasileiras.ghtml