nov 18

Como exércitos de insetos afastam o perigo dos agrotóxicos nas plantações

Pelos campos do Brasil, a biotecnologia mostra que vespas, joaninhas, libélulas e percevejos são poderosos aliados no combate às pragas.

 

Náuseas, irritabilidade, vertigem, tremores, alteração de pele e convulsões. Em muitos campos do mundo, esses sintomas que afetam trabalhadores e crianças podem vir de um inimigo comum e invisível: os pesticidas.

Plantações tóxicas são problema global antigo. No Brasil, uma alternativa tem chamado atenção por sua inteligência e simplicidade: insetos criados em laboratório para combater as pragas.

Criados em tubos de ensaio, esses bichinhos têm papel bastante eficaz no plantio. Vespas, joaninhas, libélulas e percevejos são exemplos de soldados amigáveis ao ambiente convocados para a missão. Na quantidade certa, eles combatem pragas corriqueiras e fatais como pulgões, infestações de formigas, moscas e larvas.

Para a natureza também é uma saída esperta, já que os agrotóxicos continuam no ecossistema. Em estufas, por exemplo, o ar tóxico é puxado por ventiladores depois de agir sobre plantas e flores, o que compromete qualidade de ar, água e solo. “Com insetos no controle biológico, afirma, o ciclo venenoso é interrompido”, diz a produtora Gabriela Gruisen Breg, do interior paulista, em entrevista ao Fresh Made BR.

Marcelo Poletti, engenheiro agrônomo e fundador da Promip, empresa brasileira de biotecnologia, é outro empreendedor que enxerga em insetos o futuro das plantações no Brasil. Em visita feita pela nossa equipe, ele contou que desenvolve seres vivos em laboratório para atender a uma demanda exclusiva: combater uma única praga na plantação. Dessa forma, diz, os exércitos de insetos não saem fora de controle e não prejudicam as plantas que ajudam a proteger.

Mas, claro, nem tudo é tão simples. Em grandes culturas, a distribuição manual dos pequenos insetos é mais complicada. Como lançar um montão de insetinhos para vigiar uma plantação enorme e cheia de pragas pontuais? Teria que recorrer aos agrotóxicos mais uma vez?

A solução, dizem os empreendedores, está nos drones. Com georreferenciamento e sensores infravermelhos, os zangões robóticos conseguem analisar e quantificar cada planta cultivada do espaço rural, permitindo o acompanhamento total e detalhado da cultura em questão de minutos. Sem muito esforço, eles podem detectar, além da incidência de pragas, melhores áreas para plantio, regiões com menor densidade de cultivo e até mesmo otimização do replantio.

Outra vantagem do desenvolvimento desse tipo de biotecnologia está na possibilidade de levá-lo para várias culturas do mundo. Todos ecossistemas, afinal, estão interligados. Se é possível realizar em pequenas e grandes plantações, por que esse não pode ser o método vigente em vez de apenas uma alternativa? No terceiro episódio de Fresh Made BR, conversamos com produtores e engenheiros para mostrar como essa revolução sustentável no campo pode ser aplicada em todo o mundo.

FONTE:  https://partners.vice.com/bebrasil/bebrasil/news/como-exercitos-de-insetos-afastam-o-perigo-dos-agrotoxicos-nas-plantacoes/