fev 13

Coisas que você não sabia sobre o chicote elétrico do carro

Mais do que um amontoado de fios que percorrem seu veículo. Veja alguns fatos sobre o chicote que você pode não saber

Na arquitetura veicular, os chicotes elétricos automotivos são responsáveis por conduzir a energia, e principalmente, informações. Só que, como fica escondido no carro, é um “ilustre desconhecido” dos proprietários de veículos. João Romeu Nogueira, Diretor de Operações da Aptiv para a América do Sul, explicou algumas curiosidades sobre esse importante componente de seu carro.

Foco nas normas

Antes de produzir um chicote elétrico, é necessário seguir algumas normas estabelecidas pelas montadoras, que seguem diferentes padrões globais. No caso de veículos norte-americanos, por exemplo, a entidade que gerencia as regras é a United States Council for Automotive Research (USCAR).

Há ainda o padrão ISO (International Organization for Standardization) e VDA (German Association of the Automotive Industry), que tem como objetivo estabelecer avanços no segmento automotivo. Ambos visam garantir que o produto saia da linha de produção com a qualidade necessária.

700 metros de cabo por carro e suas cores

Um chicote é composto por uma variedade de cabos. Eles têm a função de gerenciamento e distribuição de energia, bem como transferir informações para conectar todo o veículo. Essa conectividade é feita através de módulos eletrônicos que atuam de forma integrada, gerenciando sistemas de injeção, transmissão, painel de instrumentos, controle de tração, central multimídia, carregador wireless, entre outros equipamentos.

“Um carro popular tem cerca de 400 cabos, enquanto um veículo premium possui acima de 800. Essa diferença ocorre em função da quantidade de opcionais e equipamentos instalados no veículo. Quanto mais sofisticados, mais condutores serão necessários”, explica João Romeu. Um veículo possui a média de 700 m de cabo.

Todo o chicote é separado por cores, que são determinadas conforme padrões estabelecidos pelas montadoras, e comumente está atrelada à função que ele exerce. Nos veículos elétricos, contudo, a regra é adotar chicote com a cor laranja para cabos de alta voltagem.

Linha de Montagem

Para garantir a qualidade na fabricação, a Aptiv conta com uma linha de montagem especialmente pensada para assegurar cada chicote que deixa a fábrica. Todos os produtos que caem no chão são descartados, tal como os conectores riscados ou com defeitos de fabricação.

O modelo linear de produção permite trabalhar em larga escala, com sequência e de maneira simultânea, fazendo com que cada pessoa seja responsável por uma determinada operação. Essa técnica garante maior eficiência e qualidade. Na Aptiv, são produzidos uma média de 4 a 5 chicotes por carro. Por dia, a produção pode chegar a mais de 10 mil chicotes.

O chicote elétrico em carros autônomos e elétricos

Com o avanço das tecnologias autônomas e elétricas, a demanda por sistemas de distribuição eletro/eletrônicos aumentou. No caso de automação nível 4, onde o carro pode se guiar sozinho, mas ainda há interface de comando para o motorista, é possível observar quantidades superiores a 1.000 circuitos nos chicotes de um único veículo.

Para conseguir empregar a mesma quantidade, a solução encontrada pela Aptiv prima por dimensionar os circuitos para que tenham o menor diâmetro, consequentemente reduzindo o peso e aumentando a flexibilidade e a facilidade de montagem veicular. Aí entram os robôs, que ajudam na produção oferecendo melhor manuseio dos cabos. Contudo, ainda que sejam mais finos, os fios transmitem as informações com a mesma qualidade e agilidade.

Por outro lado, no caso de veículos elétricos, a demanda por condução de uma maior quantidade de energia exige cabos de grande bitola – e que são sempre na cor laranja. Além disso, são necessários mais fios ao longo do veículo para conectar todos os sistemas.

FONTE: iCARROS