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Cassinos australianos vão usar reconhecimento facial contra jogador compulsivo

Cassinos do estado de Nova Gales do Sul, no sudeste da Austrália, estão implementando um novo sistema de reconhecimento facial para afastar “jogadores problemáticos”, impedindo que eles joguem em máquinas de pôquer ou caça-níqueis.

A medida foi anunciada pela Associação Australiana de Hotéis em parceria com o ClubsNSW — órgão estadual que representa boates e casas noturnas — para tentar conter o avanço do número de pessoas que jogam compulsivamente e não conseguem parar por conta própria.

“A tecnologia funciona apenas com jogadores que pensam em abandonar o hábito de apostar. Todos na área de jogos terão seus rostos escaneados e as imagens serão cruzadas com as pessoas que se inscreveram voluntariamente no sistema de autoexclusão”, disse o CEO do ClubsNSW, Josh Landis, em um comunicado à imprensa.

Convidado a se retirar

Com a implantação do sistema de reconhecimento facial, será possível detectar os rostos dos jogadores que estiverem violando a proibição imposta por eles mesmos, permitindo que seguranças ou funcionários dos cassinos intervenham e impeçam essas pessoas de continuar jogando.

Sistema de reconhecimento facial detecta o rosto de jogadores que se inscreveram no programa de autoexclusão (Imagem: JulieAlexK/Envato)

Segundo representantes da Associação Australiana de Hotéis, 100 estabelecimentos em algumas regiões do país já estão utilizando essa tecnologia para tentar coibir a ação dos jogadores compulsivos. Se os resultados forem satisfatórios, a ideia e expandir o sistema por toda a Austrália.

“Essa tecnologia inovadora agora nos permite identificar com precisão os jogadores problemáticos que aderiram ao programa de autoexclusão e impedi-los de jogar de maneira discreta e eficiente”, afirmou o presidente da Associação Australiana de Hotéis, John Whelan, no mesmo comunicado.

Invasão de privacidade

Embora os entusiastas dessa iniciativa afirmem que o sistema protege a privacidade dos jogadores, impedindo que locais licenciados acessem os dados obtidos por meio do reconhecimento facial, especialistas no assunto dizem que a medida é invasiva e pouco eficaz.

Especialistas estão preocupados com a invasão de privacidade dentro dos cassinos (Imagem: MirkoVitali/Envato)

Segundo a deputada australiana Cate Faehrmann, outras soluções mais eficientes poderiam ser adotas para evitar o acesso de jogadores às máquinas de caça-níqueis, como o uso de cartões pré-pagos com limites de gastos definidos pelos próprios jogadores.

“Os operadores de caça-níqueis estão com tanto medo de um cartão de jogo obrigatório que se voltaram para essa tecnologia de reconhecimento facial invasiva e inconsistente. O governo de Nova Gales enlouqueceu se acha que as pessoas querem que bares e clubes tenham esse sistema autogerenciado. Isso é tão aterrorizante quanto absurdo”, disse a deputada ao jornal The Guardian.

FONTE: https://canaltech.com.br/inovacao/cassinos-australianos-vao-usar-reconhecimento-facial-contra-jogador-compulsivo-227849/