jul 10

Brasileiros criam máquinas para desinfetar roupas e ambientes

Purificador de ar e vaporizador eliminam mais de 99% dos microorganismos infecciosos presentes no ar, dizem companhias; equipamentos podem ajudar no combate à Covid-19

Diante da pandemia de coronavírus e a retomada gradual de atividades econômicas no país, empresas brasileiras desenvolvem novos equipamentos que prometem diminuir os riscos de contaminação em ambientes domésticos e comerciais. As soluções empregam tecnologias já conhecidas, como a esterilização por raios ultravioletas (UV) e o uso de vaporizadores com produtos químicos.

Apesar das companhias garantirem a eliminação de mais de 99% dos agentes infecciosos presentes no ar, as próprias organizações indicam que a proteção contra o coronavírus não é total e que o uso dos equipamentos representa uma ferramenta complementar de combate à Covid-19, junto a outras medidas preventivas, como lavar bem as mãos com frequência e o distanciamento social.

Purificador de ar e esterilizante de roupas

A fabricante de ventiladores pulmonares Baumer, sediada em São Paulo, aposta em duas frentes: purificadores de ar e cabines específicas para esterilizar roupas e calçados. Embora com escopos distintos, os sistemas integram uma mesma linha de produtos chamada Purifica.

O purificador captura o ar do ambiente por meio de um sistema de sucção. O ar passa por três etapas de filtragem e depois é submetido à radiação ultravioleta em uma câmara de plasmas. O equipamento ainda conta com sensores que informam a qualidade do ar do local, em classificações de ruim, regular ou boa. É possível também programar horários de funcionamento e parada.

Purificador de ar Purifica (esquerda) e cabine de desinfecção de roupas e acessórios (direita). Imagem: Divulgação/Baumer

De acordo com a Baumer, a tecnologia consegue eliminar até 99,9% dos microorganismos contaminantes. O sistema custa cerca de R$ 10 mil, com a opção de aluguel mensal em torno de R$ 493 por 48 meses. A empresa também oferece uma versão minimizada, o Mini Pura, destinado a pequenas lojas, escritórios e residências ao preço de R$ 3.700.

Já a cabine de desinfecção Purifica emprega gás ozônio em alta concentração para esterilizar roupas e acessórios. Em entrevista ao UOL, no entanto, a diretora da Divisão Purifica da empresa, Duda Baumer, ressalta que funcionários devem seguir um protocolo de segurança ao manusear o sistema.

O produto apresenta dois modelos, P e G. O primeiro é indicado para o uso residencial e pode esterilizar 30 cabides. A tecnologia está à venda por R$ 10 mil ou por contrato de locação de R$ 355,71 por 48 meses. A versão grande foi projetada para atender grandes redes varejistas e pequenas lojas esterilizarem com a necessidade de esterilizar mercadorias provadas por clientes. A cabine custa em torno de R$ 14 mil, suporta 60 cabides e é apropriada para a sapatos e outros acessórios.

“Os equipamentos ajudam a proteger as pessoas da transmissão da Covid-19 e de outras contaminações virais e bacterianas. Mas eles não substituem os cuidados determinados pela Organização Mundial de Saúde, como a utilização de máscara, lavar as mãos e manter o distanciamento”, pontua Duda Baumer, em entrevista ao UOL.

Vaporizador

A empresa de sanitização de ambientes Bioguard, por sua vez, aposta na BGtech-19, uma máquina capaz de matar partículas virais com a vaporização de desinfetantes sem molhar objetos expostos no ambiente.

BGtech-19 em processo de vaporização de ambiente. Imagem: Divulgação

Como explica o UOL, gotículas ionizadas fazem com que partículas transportadoras de microorganismos caiam na superfície e sejam eliminadas pelos sanitizantes difundidos no recinto. O equipamento conta com um computador de bordo para monitorar a temperatura e umidade relativa. Isso permite ao sistema interromper automaticamente o processo de desinfecção quando a vaporização aplicada já for o suficiente.

Segundo a Bioguard, o método elimina até 99,9% dos microorganismo no ar, incluindo vírus, bactérias e fungos. Porém, a principal vantagem do produto está na velocidade. “Em um hospital, a limpeza manual leva até 60 minutos com duas pessoas por quarto. O BGtech-19 reduz esse tempo em 50%, por exemplo”, afirmou o CEO da empresa, André Tchernobilsky, ao UOL.

A tecnologia está disponível em três modelos com alcances que variam de 30 m² a 250 m². O preço, entretanto, é revelado somente sob consulta. O BGtech-19 é voltado para sanitização de escritórios, hospitais, comércios e outros locais de grande circulação, como vagões de trens.

Cuidado

Especialista consultados pelo UOL argumentam que a eficácia dos equipamentos de esterilização também está atrelada a hábitos de higiene, características do ambiente e o número de frequentadores do local.

No caso do BGtech-19, Marisa Corradi, professora do curso de Enfermagem da PUC-PR e especialista na área de esterilização e biossegurança, destaca que não há produtos registrados e testados contra o novo coronavírus. Ela afirma que a orientação é o uso de produtos que já foram testados contra outros coronavírus e reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde.

FONTE: https://olhardigital.com.br/coronavirus/noticia/brasileiros-criam-maquinas-para-desinfetar-roupas-e-ambientes/103334