Banco da família Maggi põe em campo seu plano de R$ 10 bilhões

AL5 acelera projeto de expansão no crédito rural, prepara captação no mercado de capitais e busca parceiros para se espalhar pelo Brasil.

Tarcisio Hubner, CEO do AL5: “Não temos tido dificuldade em captar recursos”

O olhar treinado no agronegócio decifra logo a sigla: A de André, L de Lúcia, 5 dos cinco filhos do casal – entre eles, Blairo, o mais notório rosto do clã. Assim, por trás da marca moderna, o AL5 Bank deixa subentendido o peso da família Maggi, uma das dinastias mais conhecidas na produção agrícola brasileira.

Instituição financeira do grupo Amaggi, o banco é uma das mais novas frentes do império que envolve frentes no campo – com mais de 362 mil hectares de área produtiva –, comercialização de grãos, logística e energia, com receitas superiores a R$ 38 bilhões.

A operação ainda é relativamente pequena, considerando o gigantismo dos outros negócios. Mas a ambição é grande, como tudo que envolve.

“Projetamos, para os próximos anos, uma carteira de R$ 10 bilhões, nos valores de hoje, sendo realmente reconhecidos como uma instituição financeira relevante no ecossistema do agro”, afirmou ao AgFeed Tarcisio Hubner, CEO do AL5.

Criado há pouco mais de cinco anos, no início para oferecer crédito pessoal para funcionários e financiar fornecedores do grupo Amaggi, apenas nos dois últimos dois exercícios o banco passou a seguir a rota natural de expansão para o crédito agrícola.

Para este ano, segundo Hubner, as operações nessa área devem girar em torno de R$ 500 milhões, com recursos originados, em grande parte, de injeções de capital dos próprios acionistas. O plano de expansão, no entanto, está apenas no início.

O grupo estuda a estruturação de operações de captação para alavancar a oferta de crédito aos produtores rurais, que podem incluir FIDCS e Fiagros.

“Nós estamos nos preparando, junto com a Amaggi, caso haja uma grande demanda de crédito”, afirma Hubner. “Seria um ótimo FIDC para quem fosse investir, com rentabilidade e a credibilidade do grupo. Não temos tido dificuldade em captar recursos, mas toda hora colocar capital para aumentar carteira não é o desejado”.

O AL5 foi desenvolvido como plataforma digital. Assim, não está no roteiro de Hubner abrir agências para marcar a presença do banco em outras regiões – hoje boa parte dos negócios do banco se concentra no Centro-Oeste e em estados do Norte, sobretudo Mato Grosso, Goiás, Rondônia e Pará.

A estratégia é ocupar espaço a partir da rede de relacionamento do grupo Amaggi, além da presença em eventos do setor, como as principais feiras agropecuárias. O banco pretende atuar sobretudo através de parceiros, que podem ser organizações ou uma espécie de correspondentes bancários, que aproximariam a marca dos potenciais clientes.

Uma das parcerias mais relevantes já fechadas foi com a Syngenta, fabricante de insumos agrícolas que mantém também uma rede própria de distribuição. A ideia é que essa rede atue como uma fonte de originação de operações de crédito para o financiamento das compras de insumos.

“Um ponto a nosso favor é uma maior agilidade. Como nós conhecemos a dinâmica e as dores dos produtores, um conhecimento acumulado por anos pelo conglomerado Amaggi, temos essa facilidade de decidir mais rápido o crédito”, afirma Hubner.

O AL5 está desenvolvendo internamente uma plataforma de análise automatizada de risco, tendo como base um racional próprio, que utiliza a experiência do grupo para ir além dos modelos atualmente praticados no mercado. Hoje, o banco já consegue, em alguns casos, fazer a aprovação do crédito em apenas dois dias, embora tenha um prazo máximo previsto de 15 dias.

“Temos até um conjunto de clientes para quem fixamos o limite previamente, de acordo com o conhecimento do seu histórico, do seu comportamento. Com a solução digital, caso ele tenha uma necessidade a gente faz a operação no dia”, garante Hubner.

Com ativos de R$ 600 milhões, o AL5 opera nas normas de uma instituição financeira do nível 4. A atuação é totalmente segregada das demais operações grupo, segundo determinam as boas práticas do sistema financeiro.

A iniciativa da AMaggi de criar um banco é vista com bons olhos por analistas. “De forma geral, é positivo, desde que mantidas as segregações devidas, além de profissionalismo na estruturação. O Banco Central acompanha muito de perto as instituições que ele autoriza funcionar, com um rigor firme”, comenta o sócio-diretor da MK Consultoria, Gilson Marques.

Marques considera que a iniciativa vem complementar e fomentar o ecossistema criado pela Amaggi ao longo dos anos. “Eles já conhecem os mercados, têm capacidade para acompanhar mercados internacionais, estrutura de gerenciamento de commodities. O braço financeiro vem apenas como um motor adicional que ajuda a fomentar negócios”.

FONTE: https://agfeed.com.br/financas/banco-da-familia-maggi-poe-em-campo-seu-plano-de-r-10-bilhoes/


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