maio 04

Banca digital resiste à crise com uso de novos meios de pagamento

Bancos como N26, Revolut e Openbank sentem a quebra de transações mas a base de clientes mantém-se estável ou até regista aumento.

A atual crise é o primeiro grande teste para os bancos digitais nascidos nos últimos anos. A economia está congelada, as pessoas fechadas em casa, não há viagens, nem compras, ou saídas a restaurantes – situações em que os clientes destes bancos mais utilizavam os seus cartões e aplicações de pagamentos. Com uma estrutura de custos bem mais magra que os bancos convencionais, a banca digital tem, à partida, capacidade para resistir a uma crise. Por outro lado, não tem exposição a crédito malparado, uma das consequências de uma quebra na atividade económica, por outro, tem menos história e menor fidelização. Uma crise como a provocada pela covid-19 poderia levar consumidores a levantar o dinheiro de bancos, incluindo digitais, e de algumas aplicações, mas as as características desta crise levaram ao incremento do uso de meios de pagamento digital nas compras online, o que beneficia a banca digital.

“Utilizar uma solução bancária digital como as da N26 significa que os clientes apenas têm de utilizar o seu próprio cartão ou dispositivo móvel, sem ter que tocar em dinheiro físico. Já vemos isto a acontecer na nossa base de clientes em Portugal: nas últimas semanas, verificámos um aumento significativo do número de transações online e na wallet digital e esperamos que esta tendência se mantenha, à medida que mais pessoas ajustam os seus hábitos do quotidiano para reduzir o risco de transmissão”, diz ao DV Sarunas Legeckas, diretor-geral para a Europa. O banco conta com cinco milhões de euros, dos quais perto de 100 mil em Portugal, e não está a sofrer saídas de clientes. “Estamos a descobrir que a nossa base de clientes está a manter-se estável”, disse Legeckas. “Não há dúvida de que vivemos tempos incertos, mas ficamos felizes por os nossos clientes reconhecerem que a N26 é um banco totalmente licenciado e que podemos continuar a proporcionar-lhes todos os serviços bancários, como sempre fizemos, com uma experiência digital melhorada”, adiantou.

Os depósitos de clientes do N26, até 100 mil euros, estão cobertos pelo Esquema de Proteção de Depósitos Alemão. Para ajudar os clientes na crise, o banco passou a permitir uma nova funcionalidade que permite aos clientes adicionar o seu novo cartão N26 à sua wallet digital de forma imediata, para que possam começar desde logo a realizar pagamentos com a tecnologia contactless, sem precisarem de esperar até à chegada do cartão físico. No caso da Revolut, também resiste à crise: “Continuamos a ver crescer a nossa base de clientes em Portugal”, disse um porta-voz do banco britânico, que tem mais de 10 milhões de clientes, dos quais 400 mil em Portugal. A empresa mantém os lançamentos previstos para este ano, designadamente a disponibilização de transações de ouro em todos os mercados, lançamento do produto Júnior, desenvolvimento da negociação de criptomoedas para todos os mercados e utilizadores, expansão e crescimento no mercado norte-americano, entre outros. Uma das medidas que a Revolut implementou no âmbito da atual crise foi oferecer cartões virtuais a todos os clientes, independentemente do plano subscrito. No Openbank, do Santander, as tendências da banca digital confirmam-se. “É evidente que a atividade económica diminuiu e os bancos, como parte fundamental do sistema, notaram esta descida no volume de transações, num primeiro momento”, disse Ezequiel Szafir, CEO do Openbank.O banco não regista a saída de clientes. “O que temos visto nas últimas semanas é um crescimento no nosso serviço de gestão de carteiras – robot adviser – face ao comportamento dos mercados”, adiantou o banqueiro. Esta funcionalidade está disponível para clientes, desde 500 euros, e oferece uma solução para gerir o dinheiro. “Muitos clientes estão a ver esta situação como uma oportunidade para rentabilizar as suas poupanças no médio e longo prazo”, garantiu. “No resto das operações, não temos notado grandes alterações”.

FONTE: dinheirovivo.pt