set 09

Até 2025, empurrados pelo iPhone 14, 3,4 bilhões de pessoas devem utilizar o eSIM, o chip universal

Em tempos de inteligência artificial e internet das coisas (IOT), aplicativos em nuvem e metaverso, é um contrassenso que ainda tenhamos de usar um clipe de metal para abrir uma bandeja nos celulares e, assim, podermos instalar ou trocar o chip da operadora. Pensando bem, isso parece a pré-história da tecnologia móvel. E é.

Mas essa realidade está prestes a mudar. Segundo um estudo da Juniper Research, o número de linhas de telefonia celular ativas no planeta com a tecnologia eSIM – que permite a troca de operadora e a conexão de mais de uma linha em um único chip, de forma remota – deve saltar de 1,2 bilhão, em 2021, para 3,4 bilhões, em 2025, número bastante significativo diante do total de linhas ativas.

No ano passado, o mundo tinha um total de 8,05 bilhões de linhas, o equivalente a 1,01 linha por pessoa, de acordo com dados da empresa TeleGeography.

Disponível desde 2016, a tecnologia eSIM – também conhecida como chip universal, neutro ou virtual – permite que não apenas celulares e tablets, mas quaisquer outros objetos “inteligentes”, conectem-se à internet – há, por exemplo, geladeiras conectadas à rede que podem pedir ao supermercado o leite ou a manteiga que está no final.

A sigla SIM se refere a Subscriber Identity Module (“módulo de identidade do assinante”, em português), que é o mecanismo usado pelas operadoras para identificar seus clientes, permitindo que eles utilizem o pacote de dados contratado. Na sigla eSIM, a letra “e” representa a palavra “embedded” (“incorporado”, em tradução livre).

Além disso, os sinais de que a tecnologia de chip universal está prestes a decolar estão por todos os lados. Na Europa e na Ásia, o chip universal já faz parte do dia a dia das pessoas, que trocam de operadora como trocam de roupa — na maioria das vezes em busca de preços menores ou serviços melhores.

Nos Estados Unidos, os hábitos também estão mudando nessa direção. Segundo o Wall Street Journal, as três maiores empresas de telefonia móvel daquele país — Verizon, T-Mobile e AT&T —, que somam mais de 350 milhões de linhas, admitem que o chip universal chegou para ficar. Jeff Howard, vice-presidente de dispositivos móveis e acessórios da AT&T, afirmou que o eSIM é “uma evolução natural que vai propiciar uma melhor experiência para o usuário”.

O iPhone XS, da Apple, foi o primeiro celular de uma grande fabricante a adotar o eSIM. Agora, o iPhone 14, que foi lançado ontem, tem a versão americana apenas com eSIM, sem o compartimento para inserção de um cartão SIM físico.

“A tecnologia do chip universal possibilita ao consumidor trocar facilmente de prestador de serviços, por questões de instabilidade ou perda de sinal, ou mesmo por diferença de preços”, explica Rivaldo Paiva, CEO da BaseMobile, empresa que trouxe o chip universal para o Brasil, em 2021. “Com isso, dá mais poder aos usuários”.

O eSIM e suas vantagens

Ao usar a tecnologia eSIM, o mecanismo de identificação dos clientes nas operadoras permanece o mesmo. O que muda é a experiência do usuário. Em primeiro lugar, o eSIM permite o uso de mais de uma linha, o que o torna um chip universal. Além disso, é possível contratar um pacote de dados ou mudar de operadora de forma virtual, por meio de um aplicativo ou digitalizando um código QR.

Essas duas funcionalidades, por si só, já melhoram – e muito – a experiência dos usuários. Imagine, por exemplo, que você está em viagem e sua operadora não oferece cobertura no seu destino. Se antes era necessário comprar um chip somente para uso durante o período fora de sua cidade, com o eSIM basta contratar um plano pré-pago de outro provedor e conectá-lo ao seu dispositivo. O mesmo pode ser feito para aproveitar pacotes de dados mais baratos que o seu atual.

Outra vantagem de se ter um eSIM é a segurança. O fato de o chip estar incorporado ao dispositivo evita que seus dados sejam furtados sem que você perceba, além de facilitar a localização do aparelho em caso de roubo ou perda.

O uso do chip universal oferece ainda benefícios associados, como um menor impacto ambiental. Ao evitar a fabricação de cartões, evita-se o uso de recursos naturais e insumos químicos. Na outra ponta, é reduzida a geração de resíduos, que poderiam ir a aterros sanitários, lixões ou, na pior das hipóteses, serem jogados na natureza.

Por fim, o eSIM permite que smartphones e tablets sejam mais finos, por não exigirem a existência de um compartimento para o SIM Card.

Aplicações em diversos segmentos

Embora a adoção do eSIM ainda esteja no seu início no mercado pessoal de smartphones e tablets, já é uma realidade difundida em diferentes setores da economia no Brasil, impulsionada pela crescente demanda por conectividade móvel advinda de streamings, Internet das Coisas, inteligência artificial e 5G.

Um bom exemplo dos benefícios da tecnologia está no setor educacional público, com o Programa Internet Brasil, recentemente lançado pelo governo federal para oferecer conexão de banda larga gratuita a até 700 mil estudantes da rede pública de Ensino Básico.

Para assegurar que nenhum aluno fique sem acesso à Internet para complementar seu aprendizado fora da sala de aula, o programa exigiu de seus fornecedores de tecnologia a implantação do chip universal. Dessa forma, o gestor do programa pode, em casos de perda ou instabilidade de sinal, trocar a operadora de maneira remota.

“Anteriormente, os governos usavam chips convencionais e sistemas de bloqueio instalados nos aparelhos. Com isso, os estudantes podiam facilmente burlar o sistema e usar o pacote de dados custeado pelo poder público para outros fins que não os educacionais”, diz Rivaldo Paiva, CEO da Base Mobile. “Nossa plataforma também tem controles de assiduidade do aluno, respeitando a LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados], e permite o remanejamento de dados de um usuário para outro, assim como é feito na gestão de contas corporativas”.

Nas corporações, o eSIM está sendo utilizado para gerenciar com maior eficiência os planos de dados de seus funcionários, podendo mudar de operadora na busca de melhores preços, sem necessidade de troca do chip. No setor automotivo, a maioria dos veículos mais modernos possui um chip universal instalado no seu sistema de conectividade.

Já no setor financeiro, empresas de meios de pagamento estão contratando o chip universal para assegurar melhores conexões nas famosas “maquininhas” de cartão de débito ou crédito. Afinal, ninguém quer deixar de ganhar dinheiro por causa de problemas com a conexão de internet.

FONTE: https://olhardigital.com.br/2022/09/08/pro/ate-2025-34-bilhoes-de-pessoas-devem-utilizar-o-esim-o-chip-universal/